sábado, outubro 14, 2006

ódio meu

às pessoas que me cutucam por terem pimenta na pele: Dani Krugets, Ane Minuzzo, Fábio Rosenfeld, ou extremamente inimigas - espécie eqüinas tantas, que o simples respirar já ouriça. assim sou - amo ou odeio. preciso de máscaras circunstanciais e durex para sorrisos de meia bochecha.


quero fazer acupuntura com minhas letras para atravessar-te o corpo.
acaso não é intenção causar males. são apenas momentos de uma intensidade que não sei lidar já lidando. aí corro e escrevo na hora. pão fresco da piração justificada. acaba saindo isso - essas baratas esmigalhadas pelo impulso do nojo, e tu, a manjedoura maior do meu parir.
a arte não é somente flores e amores. a arte dói. e a dor é prazer e o meu prazer não é filiado ao lirismo.

o circo me é escola. e lá, aprendi lidar com a dor e fazer dela o instrumento condutor da beleza. a dor não é feia, a dor não é ruim e quando dominada é a maior aliada - instrumento agudo e penetrante para o triunfo com glória.
a dor é o reflexo do nosso fundo fincado. ultimamente opero neste plano - no plano da dor em meio ao desajuste, que, em breve, espero, não seja curada com homeopatia que foi encomendada.

a dor. ador. a dor é o ardor do viver. muitas leituras, mergulho, me entrego, sofro, choro, odeio, me perco, amo. amo mesmo, claro, mas meu amor é estratificado e já não me embriago com o lirismo que dele evola. eu quero mais, eu gosto das coisas que constritam os vasos sangüíneos e tremulem meu beiço contrátil, dilatando as narinas como um cavalo pronto para ganhar ou ganhar a corrida.

meus ódios são ondas de desajuste que me deixam viva, vivinha e pronta para descascar pele de tantas forem as cobras pra fazer sapato apertado à cinderela que não merece príncipe.
o por quê?
nem tudo tem explicação.arquivei o cientificismo e não estou pronta para equações explicativas. bem-vindo ódio meu.

segunda-feira, outubro 09, 2006

feia?


a caveiruda se rebocava. de meia em meia hora ia ao espelho rebocar a bocarra de um batom cor de lama. depois de besuntar bem os beiços esperava a escuridão da boate transformá-la em cinderela de fábula. assim, amanheceu o dia e a carruagem não veio. a vontade de ser uma bella donna ficou perdida no vapor da noite esgotada. agora, ela descia as escadas do inferninho, meio torta e acompanhada do etílico caminhar que se expandia para os lados, batia descompassada na laje, os sapatos pintados de caneta hidrocor. o sol dourado batia em seu rosto de esfumaçado colorido, que borrado, revelava toda a fealdade que o breu da noite escondeu.
mas faltava pouco para anoitecer. em pouco tempo ela novamente se esconderia feliz em meio às sombras necessárias à sobrevivência dos rejeitados. era inverno, o dia durava menos e isso lhe fazia um enorme bem que se bastava. depois do mágico batom-lodo aplicado, dançaria nas nuvens vaporosas do gelo seco. tudo ficaria bom novamente, e a ilusão do escuro seria a sua maior arma contra todos que não a olhavam.
a feia não era feia, mas ela precisava das sombras para se transformar.

terça-feira, outubro 03, 2006

vanitae


a pior prostituição não é aquela em que se rebola o corpo
por alguns maços de grana.
a pior prostituição é outra mais sutil.
é a rodada de bolsa do ego para ficar na vitrine
esgarçando sorriso engessado.

domingo, outubro 01, 2006

niger fly


há dias queria pedi-la em casamento. tomou coragem. antes das passagens comprou as alianças; o neto estava saudoso do vô e rumava com erva de chimarrão para matear os dias longínquos; a moça veria o pai do nenê, não há muito no mundo; o outro queria férias, férias, férias, enfim livrar-se e viver; a outra finalmente fecharia o contrato do seguro com o grande cabeça; aquele voltava para casa antes do tempo e faria uma surpresa às crias; a outra iria estreiar a voz em outras terras, em um show marcado pela amiga; ele levava um violão suplicado pelo filho para iniciar-se nas cordas; a avó levava potes com geléia de ibiscus forrada de pano xadrez; o outro, pequeno, viajava sozinho pela primeira vez e via da janela a imensidão do céu de outubro.
a outra + 13
o outro + 30
a outra + 30
o outro + 20
a outra + 7
o outro + 11
a outra + 9
o outro + 6
a outra + 9
o outro + 13 outras

e o resto da história tá no mato fechado- a aliança soterrada no chão úmido. o violão entre os altos galhos das araucárias. a fazenda xadrez despedaçada no barranco. a mamadeira entre bromélias. as partituras cobrindo as guanxumas e as tantas coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas e coisas.
as todas vidas que foram não voltadas só o polvo do céu pode falar. ele estava lá.

quinta-feira, setembro 28, 2006

brodery genético


as décadas atravessam os séculos e o brodery, cherry,
sempre em alta.
ou melhor, na ponta, sua tonta,
arremangando punho.

segunda-feira, setembro 25, 2006

hum


sou um pouco avestruz
de dentes de manteiga
asas atrofiadas
dois dedos no pé
o primeiro bicho
no jogo do bicho
sou o número 1
a maior das aves
me alimento de pedra
garrafa quebrada
lata amassada
ou sola enlameada
hum
hum
2
3
... e se vier aço
traço
_______________
_______________



trilhos pra chegar no cangaço

quinta-feira, setembro 21, 2006

.

pior do que não ter o que vestir é
ter ninguém para despir

segunda-feira, setembro 18, 2006

amor pela coisa


o amor pela coisa era tamanho.
foi à lavoura abaixo de lua, com enxada sem fio e plantou muito pau em léguas de terra seca.
extenuada de tanto carpir não se deu por satisfeita
foi à acupuntura cravar falo em todos os poros.
cravou tanto que largou a agricultura.
virou um porta-pica.


sexta-feira, setembro 15, 2006

doidilo

metáfora especial para seres que ainda têm muita estrada pela frente até encontrar uma rinha que aceite o seu galo de arrego.

passaram semanas, duplicados meses a esmerar-se em juntar gravetos para fogueira de São João. as unhas eram um mataborrão depositário de areia que já fazia esboços de carvão.
o São João de algum dia que estava para chegar era uma noite muito aguardada e provocava catastróficas poluções noturnas em suas cuecas. o guri mexia frenético no bilau ao imaginar aquelas labaredas chamuscantes a contrastar no breu do telhado da casa abandonada. ansiava arrastar as orelhas feito índio na terra para ouvir mais e melhor os estalidos da fogueirinha dos sonhos, e então queimar-se todo naquele fogo doido e virar um incensário fumacento e defumado pela brasa de chão.

a noite veio, de uma hora para outra, simplesmente caiu em sua cabeça como um balde que despenca da mão ensaboada. de súbido, o quentão veio junto com o balde, bueno, a gaita no chão já estava, pois que estalou os benditos beiços, assobiou, chupou cana, comeu pipoca, palitou os dente, bailou num pé com o outro fez mais festa, mas bah... que baita bailanta de gosto!
quando as chamas da fogueira atingiram o cume do céu, deu nishguit no guri doidilo! no auge da festa, decidiu mudança! queria chuva de verão. pegou a mangueira, esgarçou a torneira, e puts, alagou a casa inteira, lavou os gravetos e, meu deus! e a chama... que drama, virou passado. e o passado um novo plano - queria se molhar mais, muito mais do que ser poça de girino - queria se afogar folgado em um mar de água da Corsan.
doidilo e seu dedo no bilau... de sonho em sonho, chupou meio canavial.

terça-feira, setembro 12, 2006

all the best

To You, My Love,





All the Best Wishes for all you lovers




sábado, setembro 09, 2006

90' s junkie memories

às amigas de santa terra estrangeira, Juliana Sibemberg e Simone Zaslavsky, minhas eternas cúmplices de vapores escondidos.



perdidas entre tantas coisas que já não eram e tantas que deveriam vir a ser, exalávamos nossa bafuda humaneza sem a mínima culpa. nossas certezas andavam firmes nas muletas de um mundo, que ao contrário do outro, não nos cuspia na cara.

quem mandou?
olha aqui ó, Juliana, - quem te mandou ir pro Egito comigo? quem? quem mandou tu te ajoelhar naquela praça com um saco socado na mente? quem mandou tu escrever livros e livros em linha reta, babando de prazer enquanto eu buscava um prato de comida pra ti?
mulher, diga-me, se tu for capaz, quem mandou tu ter esse jeito parecido com o meu, justamente, para combinarmos mais ainda os delirantes descompassos de nossas vidas cruzadas?
quem mandou tu me apresentar as idéias de um Capricho dos Deuses, ou da ladra do Trem da Meia Noite, de Sidney Sheldon do ó, a essa alma inocente? e olha aí, e olha aí no que deu!
me inspirei no dio canne do velhaco e vim parar aqui, lançando sementes criminosas ao escrever tolices sobre tolices que julgo agradar gregos.
sim, és culpada, se não diretamente, de soslaio tens tua reba de culpa.

putakeospa
putakeospa, onde foi parar - eu te pergunto - onde foi parar o ciclo, o simbolinho fajuto do yin-yang que tu tanto rabiscou naquelas merdas de cadernos bege de pobreta doados por uma alma caridosa que nos colocou dentro daquele internato?
fomos para o Egito sem tirar nossos pés do chão, saciamos nossas torpezas tremendo agradecidas ao receber entidades em nosso corpo e... acima de tudo, acima de todos os Exús paranóicos e extraterrestres que desprezávamos, triunfamos no presídio. sim, triunfamos uma vitória sem lá muito gosto de nobreza, mas ainda assim, saímos montadas na soberba da vitória e podre de loucas, carregando um troféu transparente em baixo do braço, que até hoje paira em nossa inexistente escrivaninha empoeirada. güentamos, machas dominantes, até a reta final, o limite do insuportável ao cubo e sem arrego.

toca fogo no latão e chama a empregada!
toca fogo no latão e chama a empregada! (essa cena levo para o filminho do rewind do último suspiro a que temos direito) lembro-me que para dares fim ao duelo que travaste com a tua fominha rival, decidiste incendiar a maldita lata inflamável dos sonhos e, como uma vicking, que desconhece derrota, quase incendiaste o quarto para dar cabo da bossa.
ninguém ganhou a batalha, e vocês, duas babacas, com a maior cara de tacho jamais filmada, olhando, bem calmas, o pó de ouro perdido em noite de tédio invernal. a tua cara até que era digerivelmente cômica, mas a Zu... bah, a pinta se transformava em uma pusta empregada quando baixava um tal espírito que vinha não sei de onde. e de verdade, como odiei vocês, talvez porque amasse demais aquilo tudo.
afora os contratempos espartanos, nosso prazer sempre era sorvido lento, e a simples idéia de possuí-lo fazia-nos felizes de antemão, enchendo nossas carcaças de coragem a tudo arriscar e ter um níquel furado de sonhos para nos sentir inteiramente vivas.
fizemos uma escolha. não, duas escolhas. demos nossa cara para bater. e depois, de gorda gula, oferecemos a outra - a cara de dentro apenas pela mais pura dor de estarmos longe de nossa pátria mater salve, salve.


fodas mentais
pagamos um preço por nossas inutilidades cerebrais, e o substrato disso fez-se em sagrada seita junkie - cuja cumplicidade foi firmada pelas homéricas fodas mentais providas por nosso não-oficioso ministério fora-da-lei.
é, não tinha jeito, companheiras, nos perdemos no meio da estrada e não havia ninguém para nos levar um reles mapa norteador. mas afinal, nem queríamos. rejeitávamos a hipótese de que algum meio esboço de ser vivo nos encontrasse; queríamos era ficar perdidas, em roam e sem satélite, vagando sem rumo, com os morcegos da nossa imaginação sugando-nos até a última gota e, nós, claro, deixando-se ao léu da absoluta vampiragem.
quando achávamos o caminho de volta - era a deus dará e sempre no chão do quarto de beira de corredor em que jazíamos, inertes, padecendo o duro confronto com a cara irredutível do real. e o virtuosismo máximo da breguice de atar eram aquelas colchas desgraçadamente mal escolhidas - um colorido aviltante ao nosso estilo não-estilo rebel que nos ejetava para longe dos beliches. por isso, será? gostávamos, tolinhas inconscientes, do chão?

um passado que passou
luz do micro banheiro acesa, e os sons do sinos de Floyd a tilintar como as mágicas estrelas da amante do Peter Pan.
-meu, tu é a coisa mais ruim que tem desse lado.
-mas por quê? mas por que, cargas d´água, Simone, eu sou a coisa mais ruim que tem desse lado?
- bah, meu, não sei, eu só sei que tu é a coisa mais ruim que tem desse lado.
-logo, eu? pelo deus que te ouve, guria! logo eu que te amo pra caralho?
-ah, meu, não sei... foi o que apareceu aqui, oras. ah, esquece, cara, foi um passado que passou.
- tu é um cacete, isso é o que tu é!

cinqüenta encarnações
as estrelas continuavam a brilhar e a vida, como nunca, começava a valer a pena de novo, mesmo sabendo ser eu a coisa mais ruim daquele lado, e mesmo sabendo ser as estúpidas mãos dos que se diziam nossos salvadores que socavam a porta do quarto até rebentar de vez com nossa paz.
nunca ninguém atendeu. nunca ninguém atendeu quem batia em nossa porta. afinal, não estávamos lá.
a vida, nossa! como passa.
a nossa vida passa.
e a uva, gurias
também é passa.

se me perguntarem o que ficou dessa noite...
olha, ainda não tenho respostas prontas - o que ficou eu não sei direito. na verdade, cada copo sabe de seu residual depois do kerbe, mas prefiro omitir minhas verdades cavernosas. fica mais misterioso assim, fica mais chique sair pela névoa da tangente. o que eu sei é que a tempestade de insubmissão sempre valeu a pena, e por mais mais vinte, trinta, cinqüenta encarnações em cima desse corpo, juro, faria do início ao fim tudo de novo; apenas um senão eu mudaria: a porta fechada - sim, eu destrancaria.

quinta-feira, setembro 07, 2006

digo que fico


:

o hoje
em passos largos passos
foi sonhado com bandeiras
e sonhar com bandeiras
voando no vento da esquina que existe
é poético

com passos largos passos
digo que fico
a contemplar
o pano de minha terra
dançando no ar
e a passos tantos passos
lá vai ela a se soltar ...

:

domingo, setembro 03, 2006

mala mujer

à diva Ane Minuzzo, mulher godness das obras, um pusta pau para toda obra.


a noite cai e eu quero jogatina
matar minha sede de vitória roubando no jogo
fumando cigarro e triunfando sozinha
vem brincar, vem.
ou melhor, nem vem.
nem vem.

ah, te animou, é?
ai, larga!
por que me engalfa assim, hômi de deus?
larga meu sapato
ô, maldito carrapato
tá precisando é de um trato
tem certeza que quer no ato?
bem, já que suplica...
só aviso:
tu vai ser pato
ha, e eu não vou deixar barato

senta aê, cala-te e concentra essa cabeça
é assim, te liga:
tu joga com as pretas
e eu jogo com as vermelhas e...
meu bem, antes que eu esqueça:
se tu piscar o olho, não tem eira,
eu puxo a camanga bem de beira
ascendo um cigarro e finjo um sono
ha-ha, olha que bobo!

e quando tu menos esperar é xeque,
é crédito
meu
e débito
teu
mais alguma coisa que não entendeu?


ah, pára, nem vem que nem doeu.
só por que se fudeu.
beibe, jogo pra mim é Batalha de São Bartolomeu.


deu?

quinta-feira, agosto 31, 2006

tempus



quanto mais o tempo passa
menos tempo a gente tem

quanto menos se o tem
mais se faz aproveitado

ai, esse tal tempo engolido
nunca é regorgitado

e quando arquivado
é clips enferrujado

quiçá lembrado
de ser anexado

segunda-feira, agosto 28, 2006

basídio




Os cogumelos são flores súbitas dos magos
nascem do encanto da chuva comprometida
com os malucos beleza

sábado, agosto 26, 2006

cris


a crespa crimonosa
é crápula sem critério
credo
a cretina craveja quem critica
e na crise cruenta
é fogo cruzado
com olho crispado
e tu, criança, crucificado


cruzes, criatura
que criancice
cresce!

quinta-feira, agosto 24, 2006

o sorriso do lixo

em casa, nenhum pão a repartir com os filhos.
em seu bolso, uma cobreada moeda havia.
todos os dentes na boca. nenhuma oportunidade na vida.
a expectativa do riso surgia das sacolas rasgadas.
todos dentes na boca. alguma esperança de vida.

segunda-feira, agosto 21, 2006

o poço

a náusea nada na saliva. e a saliva transborda na boca. e na boca a verdade é vomitada em vertigens que levantam a arma que eu ainda não tenho para matar.
não brinca com fogo. eu sou um poço de butano sem remorso.

domingo, agosto 20, 2006

Posted by Picasa

quinta-feira, agosto 17, 2006

em bálsamo negro


olhos cerrados no refúgio do quarto protetor. venha, bálsamo negro, para eu aos poucos escapar no ir me indo sem medo de chegar logo lá. daqui a pouco mais - sumindo, indo, indo, beeeem distante, eu vou estar.
os sons daqui começam a ficar baixinho e, de repente, a respiração da barriga é acordeom bailante a selar os arenosos olhos de chumbo que já nem abrem mais.

cheguei de lá. tá escuro e é tão bom agora. que dimensão abafada essa.
não existem cá os magros cavalos chicoteados por impiedoso braço padrasto. não vejo bocas que ao lixo buscam a continuação da vida.
ai, que bom ficar aqui. os lagartos pensantes roendo o mundo onde pousam seus pés vis que outrora chutaram os índios, são apenas esparsas lembranças desencontradas de dejavu. os canalhas do governo, a bestialidade do islã, os alcólatras perdidos, os desalmados deboches das putas sem escolha nas miseráveis províncias esquecidas, começam a ser deletados como bolhas de sabão topando em casuais pregos da memória.


o lixo amontoado, a merda do esgoto, a bomba escondida, o riso comprado, a ignorância do mundo, as ignóbeis quimeras cobradas, os amigos que não voltaram, o terrorismo cego, foram tudo uma grande conspiração maquivélica da lagarta matrix.
a fumaça do cigarro fétido jogado na cara por ter sido sincera, agora é orvalho de flor de louca dama, que sublima gotículas brilhosas em minha face e, meu deus! no céu, acreditem! uma vasta liberdade lilás - gaivotas em vôo branco ruborizadas pelo sol que faço ir poente.


agora eu danço e meus cabelos são orquídeas em ciranda no ar que me volteiam em moldura aureolar. sou um anjo demoníaco do orquidário e meu o relógio é congelado com neve da Lapônia. mudar as horas? apenas se eu quiser.
e se, então, caso querendo de verdade, faço piscadela de borboleta namoradeira e derreto os flocos de gelo para então dançar brincando no compasso tic-tac. e quando o vento sopra o tempo, danço leve, danço como as crianças alegres sem medo de tentar errar.


uma porta à dimensão mágica foi aberta. é aqui mesmo um grande lugar para ficar. agora vale a pena recomeçar os planos soterrados.
quando as pálpebras alongam os cílios, o mundo aqui de dentro gira, rodopeia a comandar a minha doce liberdade sonhadora do ar.

quarta-feira, agosto 16, 2006

espelhos de dentro

os pensamentos volteiam randômicos na cuca. transladam o jeito sul lá na ala norte do bronx desabituado a jeitos sulistas, mas bah, pra ti vê, tchê. fica tudo misturado como novelo de vó cansada e a entropia se institui celeste nos neurônios da senhoura desse espaço.
as vagas naturalmente empurram a espuma dos miolos entoxicados lá pra beira da praia do cabeção e o resultado desse solto vai-e-vém de águas espúrias é que curtos- tzzzz- tzzzz- tzzz - se entrecruzam cá e lá, lá e cá, me deixando de arregalada cara-a-cara com o outro eu bem mais hediondo que não queria ver pra continuar na ilusão de que a minha outra metade não é francamente endurecida de verbo. não! não! eu não quero ver o oco!


eu alongo. faço, sim - faço alongamento de músculo tamanhos. sou vaidosa da mente e do corpo. mens sana corpore sano, ai, claro, todo reles mortal sabe escrever essa merda de frase. mas a real é que esse clichezão dos Césares resumem um ideal cultivado desde que percebi coisas do corpo e da massa cérbera como interligadas cúmplices.
meu, não tem essa. corpo e cérebro andam juntos, e a excusa de estar caidaço e molengão, desculpem-me a franqueza mordaz - é a escolha deliberada de ser o que se é sem a mínima ambição de ser pavão.
mas enfim, escrevo, enrolo, e nada de novo acrescento, reparou? e, vejam só, mais um dia transpassa a folha do calendário impiedoso do tempo.
pôxa, difícil questã essa ...
não queria dizer de imediato, mas...
agora, azar, lá vai:

ora, de se deparar, assim, no más, com o não-ser funcionária pública da palavra como havia imaginado durante todos os dias deste ano.
put´s. isso acontece quando eu limpo os espelhos de dentro. a realidade chamou o limpol que fisgou meus torpores com anzol.
puxa vida, que besteirol.

segunda-feira, agosto 14, 2006

alô, terra?

Alô? Alô?
Terra
câmbio
planeta Terra chamando...

...

..

.
a chamada não pode ser completada.
ondas sonoras não se propagam onde há vácuo.

quarta-feira, agosto 09, 2006

tumor doído


a atéia reza todos os dias
extirpar tumor é doloroso
e dói
dói por dentro


entre amargores
que sobem lavando
os olhos imersos em sal de dor
rezo

sábado, agosto 05, 2006

fiat lux

luz
luz na cabeça
luz dentro da cabeçorra
luz alumiando cabeça escura de porongo
luz luzindo o zulu da ingratidão
luz no porão desse mundão
luz,
clareia esse povão,
luz

sexta-feira, agosto 04, 2006

o patrimônio

rumarei à África
aqui as bundas estão em extinção!
os morros foram abandonados no jardim central do esqueleto
agora a beleza dos dias é desmerecida no movimento andador
o assunto é sério
o patrimônio não pode tombar.
é razão existencial do meu pescoço, oras!

terça-feira, agosto 01, 2006

o doente por teta

Aos sete anos levava tremendas bofetadas de deixar relevo marcado na cara - a mãe já estava cansada de dar as esvaziadas e caóticas tiras de pele na boca do insaciável filho mamador; nada de leite, uma reles gota mais havia no extenuado e franzino corpo materno; mas, ele, ávido como um combatente, insistia e continuava a querer, a ferro e fogo, os frangalhos de pelanca que em tempo distante o nutriam às turras.

O mandrião acostumado a sugar sem parar
, jamais se acostumou a ficar nenhuma noite sem alguma ponta de teta nos beiços parasitas. Com vinte anos começou a violentar a irmã para poder continuar a mamar feito um terneiro mamão.
E como Dienifer Suélen tinha asco daquele irmão queixudo que se deitava com ela todas as noites para apoderar-se à força de seu peito com a afiada boca dentada. De nada adiantava empurrar a cara dele a socos - era um verdadeiro louco, um obcecado por mamicas quando a noite baixava.
Por mais que a sua irmã o repelisse, toda santa noite, ele pontualmente, como um tigre voraz, saltava em sua em sua cama, levantando a blusa para abocanhar impiedosamente o corpo fraterno.

Um dia Dienifer casou e, Gilco Luís viu-se em maus lençóis - começou a passar as noites em agonizantes espasmos de boca saudosa de mamilos roubados. A ponta do travesseiro começou a ser chupada para o sono custoso surgir no breu da ignomínia dos desejos da fera humana. Em vão. Tudo em vão. Para dormir precisava mesmo de uma boa teta carnuda na boca. Procurou a mãe para empreender a façanha, mas esta, coitada, havia extirpado, outrora, as cancerígenas glândulas em cirurgia fracassada, que deixara-lhe verdadeiras crateras obscuras no tórax.

Uma noite, Gilco, entristecido, estava com a boca no cone da linha, atrapalhando o andamento dos trabalhos de costura de sua mãe, que não agüentava mais esforçar-se em afastar a teimosa cabeça do filho dos tantos carretéis já empapados de saliva... quando, de repente, uma grande idéia sobreveio a iluminar a insólita angústia da madrecita amargurada: pediu para o tio Gilso levá-lo na roda gigante do parque que chegara na cidade. Afinal, Luís precisava ver outras coisas para esquecer aquela obsessão que perturbava cada vez mais o andamento das lides domésticas.

Chegando ao parque, de mãos dadas com o tio, Gilco, sem demora, desfez-se do entrelaçamento das mãos atadas e embrenhou-se furtivamente por entre a fila da multidão ciosa a andar em algo que lá adiante arrrodeava. De longe, avistou brilhosos cabelos movendo-se lentamente em um círculo apertado. Aos trancos, empurrou os circunstantes e então, subiu de atropelo no carrossel das bonecas russas se pondo a rodar todo embasbacado com os corpos das ninfetas congeladas a girar. Gilco era só emoção. Não podia crer no que seus olhos viam, não podia!

No primeiro momento, ficou envergonhado de seu irrefreável ímpeto selvagem; porém, com o transcorrer dos instantes, prosseguiu cadência com a empresa instintiva. Estava mais do que condenado a buscar aquilo que todos da vila achavam estranhamente anormal e, agora, sob a iluminação noturna que banhava os transeuntes em azul , estava disposto, mais do que nunca, a assumir de peito aberto ao grande público, sua devassa natureza cortante. De imediato, não se atirou de boca às engessadas mulheres. Olhou de esguelha para os lados e rapidamente avistou um copo no lixo - um salvador copo ali perto, ôxa vida sortuda! Deu alguns passos rápidos até a lixeira e apanhou em uma só baixada de corpo a pequena vasilha de plástico. De
súbito, tremendo muito e se rindo sozinho, gargalhando e tremendo mais e mais ainda o enorme esqueleto encorpado, se pôs a brincar com a borda do copo na teta da boneca alemoa. Passava o copo pra lá e pra cá, pra cá e pra lá, na teta da mais loira das bonecas.

Até o raiar o dia, Gilco ficou ali, com raízes plantares no chão de ferro sendo irradiado pela piscante luz azul do carro giratório. Fechou os olhos a mamar
entregando-se inteiro ao sono infante não sonhado há tempo. Entre a dureza das acrílicas formas venusianos, aconchegou o rosto no meio dos dois morros. Podia ficar ali mais tempo, não levava safanões por amar esses escondidos pedaços de carne arredondada. As profanas tetas inanimadas foram sugadas até que a a última luz do parque se apagasse por completo. Adormeceu, de pé, calmo e sozinho na mais completa escuridão com uma teta na boca e o copo na mão. Finalmente, Gilco fechou os olhos feliz - agora tinha tetas só para si.

A manhã despontava e sua mãe, na quietude da casa, respirava tranqüila após dobrar todas as encomendas da semana. Umedeceu o pano na pia e limpou as manchas dos cones manchados de baba sob a escassa iluminação que aparecia rutilante nas frestas da pequena casa. Isaura, agora, falava baixinho, envolta em aura eclipsada de luz invasora, sibilando assoprados alívios de alma com Deus. Agradecia, de olhar velado e em sussuro manso, às esperadas graças de iluminar o caminho filho.

domingo, julho 30, 2006

não é tempo de colheita

Hoje queria escrever o verdadeiro lirismo destilado e aqui colocar as imagens mais bonitas que eu pudesse encontrar para que apenas coisas belas ilustrassem as páginas da minha vida. Mas não consigo cair na estética da coisa boa. Quando o peito aperta e a lamúria amarguenta não güenta, o melhor é dar a cara para bater então, para todas as dores virem com tudo.
Minha amiga Michelle Rosenthal também vive dias de medo, e mesmo eu estando aqui, não vivo o conforto dos meus dias de paz. Apenas estou fisicamente cá, mas minha mente já não. Penso nela, penso em muitos - do lado de cá- e de lá, também.

Antes de cair esburacando o chão, ela ouvia um zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz e medo. muito medo ao fechar os olhos e buuuuuuuuuuuuuuuuummmmmmm. medo de novo.
As perereiras largam seus frutos podres no chão e, no céu, rabos de foguetes iluminam a noite esquecida. Não há tempo para colheita. Agora é guerra. As macieiras estão abandonadas à inércia do vazio e os portos de Ashdod fechados. Escoar? Que verbo é esse? Em tempo de luta armada os frutos são esquecidos. Nada entra, nada sai. As laranjas estão podres e ninguém há para colher. Foram à guerra. O gosto doce da frutose fica para quando der.
A Michka está lá e, como sempre, em seu altruísmo, imagina que os pedaços de mísseis do quintal poderiam estar dentro de algum corpo - sim, algum corpo, ou seja, não se fala aqui em distinção de etnia.
Juntou os restos da merda de ferro caída perto da casa e agora os mostra ao mundo. São pequenos, porque o resto a polícia já levou. Os olhos tristes e cansados não estão cansados de serem tristes - assim estão, e assim o são há tempo.
Todos sofrem, rede globo. Todos sofrem. Os corpos de inocentes apodrecem alinhados, mas não há propriamente carrascos. Cartuchos são cuspidos em solo alheio com violento interesse. Interesse, aliás, bem mesquinho - de ter pátria, uma vez por todas, pátria para muitas gerações.

Cale-se mundo vinheta plim-plim. Não me venha com imagens preparadas, Glória Benzuntada Maria. Tua cara séria é a mesma quando escolhes, impertigadamente, vestidos Versacce que irão ao teu closet. Ah, querida Glória brilhosa, saiba, que apenas cansou-se de ser cobaias de camicas. Limpa teu scarpin, vai, tô vendo daqui, - bem na ponta, ovos vermelhos de caviar em extinção, que te empanturraram noite passada.


sexta-feira, julho 28, 2006

fallen angels

existem noites em que alguns anjos tortos caem do céu.
não agüentam a quietude dos dias flanando em brancas nuvens.
vêm à Terra encontrar-se com quem possa pagar algumas boas doses de uísque cowboy.
logo depois, não querem mais ao firmamento voltar.
os frustrados candidatos alados reprovados outrora no teste para demônio, ganham, então, um prêmio de consolação pela tentativa de aspirar às sulfúreas candeias avermelhadas do solo: um gosto de caroço de azeitona na boca no day after a pontuar a peptina neutra do tédio dos céus.
é, o esperto diabo não é tão ruim assim - ele dá lembrancinhas invisíveis para deus não ver que os anjos aprontam.

terça-feira, julho 25, 2006

war not so blind


p


j


k


o

h

Toda guerra sempre é uma estupidez, porém a retirada deste tumor é necessária. Pobre libaneses civis e jovens soldados de que deveriam estar estudando nos bancos das faculdades.
Não, não se gosta de fazer guerra. Porém já se está habituado à concordância de pagar a preço de sangue o extremisto do hezbollah cioso de varrer Israel do mapa. Mas enquanto houver vontade de se ter uma pátria depois de vagar centenas de anos pelo mundo, nada tirará a terra israelita do Oriente Médio. Temos um lugar no mundo, e se Síria e Irã não aceitam essa condição existencial patrocinando o ódio e terror nas fronteiras do Líbano querendo a aniquilação da democracia, folhetos contianuarão a ser jogados dos aviões da Tzahal pedindo a evacuação da população libanesa em meio ao bombardeio inevitável.
Paga-se um preço elevado com verdadeiro desejo de paz fazendo guerra. Uma guerra existente por um Estado não mais suportar camicases dizimando famílias com seus cinturões de bomba mesmo depois de dar todas as faixas territoriais de volta a eles sendo tua terra também. Israel existe - e é um fato; portanto, que o governo libanês controle a sua soberania na fronteira que mais é um câncer que nada deseja além da guerra pela guerra da cegueira do xeno. que haja palavra real saídas daquelas bocas xiitas descomprometidas com a vida-e que a palavra dada em acordos com os cabeças do extremismo acate a verdade -Israel existe. Chai - A Hem Im a Isreal Chai.

quinta-feira, julho 20, 2006

cor, coro ... corolarium!

O escritor está sempre buscando motivos para poder trazer ao leitor sensações que remetam a novidades, ímpares sensações vividas, ou um pontinho de vista camuflado no lado B e, sei lá sabe, uma infinidade de atmosferas outras que andam por aí a vagar, - longe, bem longe de nossas viseiras de pouco alcance.
então, crianças do meu brasil catinguento, em meu pleno gozo de férias muito merecidas, busco um motivo verdadeiramente palatável para então trazer-lhes algo que o valha.
conhecem Daniele Krugets? Conhecem Corolarium Band? conhecem?
se não, saibam que segunda -feira, (put´s notícia atrasada é triste, mas sou uma poeta e não aprendi a ter regras), 17 de julho, de 2006, foi a estréia dessa moça e dos guris: Adriano Becker, Marcelo Parker, Zé Trintin, nos palcos de Porto Alegre.

... ah, curiosa foi aquela menina que descobriu o seu caminho quando estava lá, lá - bem lá, no meio de outro e, de repente, quando algo intenso brilhou longe... pum! não pestanejou e foi lá pra ver. pois não é que era brilho de uns meninos que, casualmente, buscavam alguém que se encaixasse para entoar versos cantados em seu grupo? coincidência mera seria?
de súbito, nesse encontro, fomentaram idéias sobre idéias com sementes de cevada no forno dos desejos e, ora vejam só, trouxeram eles, agorinha há pouco, o pão de cantoria semeada, - segunda, no ar do bar do Jackyll.

gosto de pessoas idealistas que têm uma causa e acreditam na idéia por mais que todos possam dissuadir do contrário. e o mundo deve acreditar em suas certezas, acreditar nos instintos que o racionalismo cientifíco veio para eclipsar por apostar em dogmas entrincheirados de arquivologia empoeirada.
instinto. não esqueçam dessa palavra. sigam esse sopro loco que vem lá de dentro da gente varrendo coisas jamais sentidas à toa. e se ele existe bem no fundo das entranhas e provoca fincos na razão é por que alguma coisa deve ser. nada é gratuito, ou apenas sinais só por ser nessa vida. os sinais, minha gente, - os sinais no universo não são casuais semáforos para dar um tempo nas rotas. são mais do que um troca-troca de cores em cima de cabeças a esperar, - são bússulas ávidas e pontudas em inequivocado riste a norte próximo.
Corolarium. difícil trava-línguas bem escolhido pra fazer pega-pega na sagrada cama dos dentes.
Co-ro-la-rium (-treina aê essa língua enferrujada) é a banda em que canta Daniele Krugets - a guria do instinto.



www.corolarium.com
www.fotolog.com/corolarium_band


sexta-feira, julho 14, 2006

cuco-cuco

de repente acorda-se. e nesse outro dia tudo mudou.
nada era como antes e uma nova visão do mundo cola na retina.
não tem como voltar atrás.

quarta-feira, julho 12, 2006

bico bicudo

olha as coisas lá longe. lá-lá-ri-lá-lá!
como é bom sonhar com o brilho dos sorrisos que rasgam os rostos.
bobagem, esse mau humor da humanidade.
por isso, prefiro os cachorros que sorriem a cada esquina por que passo. prefi
ro o bafo canino à marionete ensaiada com boca envergada de circunstância planejada. ah, e quanta náusea eu sinto de ver como é fácil rir bonito que nem em novela da moda.
a humanidade está está rindo toda bicuda. compram fantasia de cara de pássaro e vestem-na todo o dia pra fazer o papel bonitinho que viram na tevê.
cada qual um tem um bico que não muito se difere do outro. e nossa! tem cada bicudo bicando por aí sem saber...
desmancha o bico de araque, vai dar cu nas bica, meu bem, porque o mundo é vasto e vai além.

domingo, julho 09, 2006

ô, mãe natureza

parabéns, squadra azurra.
talento faz os grandes,
respeitosamente grandes.

sábado, julho 08, 2006

o riso do cachorrinho rei

o cachorro era o rei do centro da cidade e de dentro do carrinho de compras raramente saía. ficava sempre enrodilhado em seu lugarzinho de nascença sorrindo para os transeuntes com os pequeninos olhos fechados e a língua bem caída mostrando a bocarra de jacaré do asfalto.
seus donos cediam-lhe sempre o cesto de aço e acabavam carregando os mulambos da batalha da vida e todos cafofós nas costas, mesmo que tivessem muitas coisas para deslocar. onde iam empurravam o carrinho com o cachorro dentro. tremilicando o corpo nas calçadas desfalcadas, ia bem belo, meneando a cabeça para os lados com a carita atorada pelo riso alongado. colocavam-lhe sempre um boné para que não tomasse sol e assim, iam migrando por vários pontos da cidade.
por onde passava, o cachorro exalava uma beatitude ao respirar ofegante, e quando sua língua era mostrada aos passantes, todos sentiam uma coisa bem diferente, aliás, uma coisa extraordinarimente boa! não é que o cachorro realmente sorria?
ali, apartado da guerra diária, sorria ao mundo que passava nas ruas e, em meio às latas de ervilha, embalagens plásticas, cordões e trapos coloridos, firmava o reino do riso dentado.
todos os passantes que paravam queriam tê-lo. todos, quase todos queriam ter o cachorrinho que ri. queriam aquela línguona e os olhinhos cerrados do exultante doguinho para em suas casas viver. não poucas vezes tentaram comprá-lo ou trocar por algo valioso, mas acabou nunca saindo do carrinho do super.
o tempo passou e para os tantos rostos continuava a sorrir sem dali ir para outro lugar. talvez já era feliz com os donos que o empurravam por dias e noites sem o desalojar de seu trono andante. e naquelas ruas todas que sempre iam e viam do cenário movimentado da urbe, fazia o seu reino - no palácio invisível da liberdade.

quarta-feira, julho 05, 2006

evil

the evil recognizes the other evil

segunda-feira, julho 03, 2006

je ne sais pas qui je suis

acordou e não encontrou seu rosto no espelho
tinha ficado entre as páginas do livro
::

sábado, julho 01, 2006

quinta-feira, junho 29, 2006

lágrimas por Marias

O despertador tocou dissipando todos as sensações amargas da noite que se foi. Alcácer Quibir, meio ereto, mas ainda cambaleando, apoiou-se na borda da cama vestindo o seu robe de pelúcia antigo. Esticou os lençóis varrendo a saudade, que, como farelos, espetou-lhe os sonhos durante a madrugada. Viu leves movimentos na rua e então, dirigiu-se ao criado mudo, encheu a mão sobre a superfície do móvel colocando no bolso um punhado das muitas balas que lá haviam. Caminhou arrastando os chinelos até a porta da sacada e deteve-se nas crianças que brincavam num louco vai-e-vém. Mirou nos postes de luz os costumeiros pássaros equilibristas daquela mesma hora de sempre, crispando os olhos desabituados à luz matutina. Chamou-lhe atenção pelo revezamento de cores o tecido xadrez do vestido de uma menina que brincava conversando com seu urso sob o arbusto da entrada do prédio.
Esboçou um sorriso enferrujado a ela, encontrando, meio de súbito, a solução para a insuportável dor da saudade vivida depois que Maria Morena se foi. Fazendo gestos lentos com as mãos, comunicou-se com a menina de tranças que balbuciava ternuras com o seu brinquedo. Alcácer através da cadência ondulante dos dedos a girar entre si, propôs uma troca. Sua voz não saía. Tentava, emergir sons de dentrode si, mas nada saía. O mundo havia amanhecido mudo e era o dia das palavras desnecessárias; e por isso, a menina esforçou-se em entender o que o desejo aprisionado de Alcácer não conseguia dizer com os lábios. Ela fez menção que sim, que aceitava aquilo que ele propunha, baixando e levantando o pescoço em um intermitente movimento assinte de cabeça.
De repente, Alcácer arrancou a própria cabeça do corpo e lançou-a por entre os galhos secos junto às balas azedinhas que estavam em seu bolso . Tudo vôou muito rápido ao colo da pequenina menina. Ela recebeu a si os objetos, guardando as balas como tesouros na bolsinha atravessada ao corpo e enamorou-se perdidamente pelo rosto de anjo triste que em seu colo buscava aconchego. Abriu delicadamente mais os olhos da cabeça, ajeitando os cílios de modo a dar às pálbebras forma de trombinha de borboleta. Mas os olhos insistiam em se fechar. Então, sob um enorme esforço indizível, quebrou o silêncio conseguindo murmurar algumas palavras em um sussurro ao pé do ouvido de Alcácer:
- Maria, meu nome é Maria Naremo. E os olhos da cabeça começaram a verter lágrimas. As lágrimas eram de um azul muito azul da cor de mar e começaram a tingir o colorido do vestido. Na comoção que não cabia mais no coração de Naremo, arrancou a cabeça de seu urso, lançando-a diretamente às mão de Alcácer que, sem rumo, ainda estava na sacada.
Naquele instante muitas coisas mudaram. O gesto de Naremo fez com que ele pudésse sentir muitas outras tantas de novo. Com a cabeça de urso entre as mãos, Quibir sentia que havia conquistado algo novo, diferente de tudo e com um delicioso sabor de infância. Colocou a cabeça de urso em seu tronco e sentiu um enorme desejo de se lambuzar de mel. O amargo da saudade de Morena agora era desejo mais intenso de mel cristalizado na boca de um novo Alcácer que nascia com novos olhos. E sentou-se na cozinha a lamber um pote de mel.
Naremo ainda sentada lá em baixo penteava os cabelos da cabeça chorona de modo a fazer-lhe penteados marítimos dos reis dos mares. Depois de enrolados os caracóis nas melenas do brinquedo, pegou o lápis da bolsinha e começou a fazer-lhe desenhos de ondas no rosto. O xadrez colorido intimidou-se com as tantas lágrimas vertidas e subiu para o tronco. O vestido de Maria estava agora diferente - todo azul e brilhava muito, como diamantes puríssimos em uma linda sereia que brincava molhada em baixo da árvore.

segunda-feira, junho 26, 2006

o rubro mártir de pregos

Foi nas brincadeiras de criança que Mohammad Hilu aprendeu a amar Alá. Uma cambalhota aqui - um beijo no alcorão, acolá. Três pulos lépidos na educação física - três Al Auákba balbuciados no descansar. Para achar os escondidos da cabra cega de lá - era o entoar dos cântico Al AcQsa de cá.
Cresceu adorando Alá e seus ensinamentos proverbiais. Aprendeu que o paraíso é possível e existe por sobre as cabeças dos merecedores da glória - e a escolha de adentrá-lo é meritória empresa afeita somente aos fortes. Um busto em praça pública leva o salvador do islã que não pestaneja ao prescindir da existência. Decidiu, então, que seria mártir e nada alteraria as já traçadas linhas de sua vida. Sua missão nada mais era do que honrar o sagrado livro ismaelita acima das prêssegas borras de café do fundo da xícara que lhe anunciavam vida longa.
Sapatos novos imaculam os passos sangüentos no céu em dia de subida. Libertação pelo corpo acinturado de bombas. E antes de empreender o ardil, a genitália jamais deve ser esquecida de se enfaixar com gaze antes de lançar-se os ares. E pregos, muitos pregos consigo. Setenta e duas virgens esperam o mártir que não conhece os negaceios dos que têm dúvidas.
Cidade santa, o sonho acalentado de todos os seguidores da Jihad. A Jerusalém multiétnica é redenção idealizada em dias das brincadeiras infantes dos que sonham em ser heróis.
As gazes haviam há muito na gaveta. No armário, sapatos novos para um dos casamentos mais próximos. Na cabeça, a kafia envolta em planos ainda incompletos por detalhes ínfimos. Para a libertação na subida, sabia que crivar peles era o de menos. Mas faltavam os pregos.
Na manhã de quinta-feira decidiu que era o dia clandestino. Viajou como doente transpondo a barreira de Gaza em ambulância do Hamas. Ao chegar em Jerusalém desceu à avenida Ben Iuda, entrou em uma ferragem para comprar três sacos de meio quilo de pregos. Em cada porção da indumentária com divisórias adredes, os dispôs diligentemente. O cinturão de bombas enfeixou por sob as roupas sobrepostas . Caminhou à estação de ônibus escolhendo a linha dos jovens estudantes. Leu mais uma vez o Corão, enfiou-o no bolso às pressas e subiu as escadas com uma convicção inabalável que lhe deixava os olhos estáticos no nada. Posicionou-se ao centro do veículo sem se ater aos poucos lugares ainda vagos . Gotas de suor sudavam-lhe a testa e sentia um frio que vinha de dentro da sua alma.
Três estações após a partida decidiu mostrar ao mundo a sua causa. Escolheu o momento exato como imaginara nos esboços da véspera - em frente as lojas da avenida principal. Nesse momento já não sentia mais o frio, apenas o desejo de liberdade em frente às vitrines da cidade.
Antes de ônibus ganhar movimento dianteiro vociferou :
- Al Auákba! sacando o pino ao estopim. Entre o istmo do barulho e o depois - o caos - o tudo apocalíptico, o inexplicável mar vertendo sangue em córregos. Mar vermelho corrente no chão de pedra. Vitrines lavadas de rubro cólera na cidade santa. O sonho de Mohammad em meio a fumaça da explosão. O frio de sua alma agora era o fogo junto aos pedaços de carne incrustradas por pregos que jaziam na calçada junto a muitos livros. Escalpos e vísceras no asfalto, mochilas jogadas em meio aos destroços e a lataria do ônibus estourada cuspindo poucos corpos ainda vivos.
O mar vermelho abriu-lhe passagem por entre os gritos horrendos dos passantes e luzes das sirenes. Na calçada, jazia ao lado do livro sagrado, Mohammad. Semi-nu, de pele queimada e com o desfacelado rosto molhado na pastosa poça de sangue. Uma armadura humana coberta de pregos. Apenas o gaze intacto. As escassas gotas trazidas pela rala chuva tingiu o chão. E no chão, ondulando as folhas ao vento , o alcorão, cada vez mais cobre.

sábado, junho 24, 2006

iô-iô

::
iô-iô,
em tempos de provas não nascem idéias
apenas vontades de tecer tramas
de cachecol de lã di lhama
pra te enrolar direitinho
nos malandros meandros
que eu armo
pra ti
::

quinta-feira, junho 22, 2006

!

os ovos estão ficando otimistas.

quarta-feira, junho 21, 2006

bunda cívica

meu bem, há um ligeiro equívoco em dizer que o patriostismo arfa nos peitos envergados por T-Shirts cinco estrelas...
a independência da terra das bundas foi comprada com baldadas de ouro.
relax, beibe, um país que compra a sua independência jamais será patriótico!
digamos que..., de sobejo, nutrimos pelas entranhas da terra valerosa, um indiscutível tesão cívico ainda inexato de ser avaliado, porque cá pra nós, os vapores do pão líquido obnubilam o racional....

terça-feira, junho 20, 2006

monday self-portrait

tchaka tchaka
querendo ser butchaka gilette
no autoretrato da segunda sem lei
de cem vezes tédio bem cabeludo de selva
a lâmina, a lâmina,
mina bandida,
não é pra ser lambida...

sexta-feira, junho 16, 2006

silver hair and mr. time

Vivente, tu já parou pra pensar no que te deixa com os cabelos brancos? No ponto, seja ele partícula ou pedrão, que te desaloja do teu eixo da sanidade? Well, enfim, cada um de nós possui a sua questão paradigmática, a gota d´água transbordante dos nervos que faz o espírito perder a estribeira e virar um híbrido centauro - só que no caso aqui, ao contrário - com a cabeça de um cavalo bufante, por viver situações tantas e intoleráveis da vida, mesmo você não sendo um pure head horse with human being´s blood?
A coisa que mais abomino é esperar. Esperar retardatários, para mim, é passaporte certo para eu perder todo o clima de entusiasmo ou de alegria por durantes algumas boas horas, chegando ao cúmulo de não haver prognósticos para o desarqueamento das sobrancelhas. Posso até fingir que dissipei nuvens cinzas, porque viver em sociedade, fatalmente, nos impele, desde tenra infância, a lançar mão de necessários recursos de atuação, mesmo que a contro-gosto. Faz parte do jogo das relações encenar o arco-íris e cantar o sol e chuva é casamento de viúva depois do mau tempo que já se foi. E quem não o faz, me desculpem, é ermitão dos brabos.
Dispor meu tempo para ruminar o atraso de pés que nunca fazem chegar me é incontrolavelmente sufocante. O tempo esvaído possui uma conotação valiosíssima pra quem não o dispõe aos baldes; e saber que ele simplesmente se foi, na airosa bandeja da disposição à toa, sob o guardanapo, com limão, bolinhas de gás e gelo para os goles do ministério dos ares que não serão bebidos, é motivo pra eu desejar pragas mesmo aos que mais amo. A verdade é dura, leitores, mas todo mundo tem seu lado enegrecido. Ou pensas, tu, que falo somente de flores, amores e poesia?
O Tempo não Pára, grande Cazuza! e seu eu fosse teu empresário, seu poeta-anárquico a James Jean desse céu tão grande, teu disco ia ter sido O Tempo não Volta. O tempo não volta, não! e não passa pra mim quando há a eternidade dos passos de um lento alguém despercebido com a minha bunda amassando esquecida no assento.
Passos lentos no retardo dos ponteiros, puts! na bucha, são os avais certeiros para obscurecer minha visão acerca da humanidade e de sua tão discutida evolução astral.
Esperar 10 ou 15 minutos, eu engulo, finjo que não é nada, lustro as unhas na lixa gasta do estojo e, meio que tento, refletidamente a cada quarto de segundo, convencer a mim mesma de que estou ficando velha; mas depois meia hora no banco, meus senhores... definitivamente, minha narina sardenta despede-se dessa característica tão humanóide, e uma chaminé maria-fumaça apodera-se das minhas ventas e venta muito! Aliás, venta furiosa, expelindo o vapor condensado dos momentos de aguardo sem importar-se minimamente em fazer sauna a quem quer que seja. Afinal, desintoxicar-se do ódio pela perda do tempo que não tem seguro e que não vai voltar, pôrra, é necessário! Não acha?
Existe uma oceânica diferença entre fazer o tempo passar, e fazer o tempo esperar. Passemos, preclaros, a segunda análise da afirmativa por uma questão de objetividade. Fazer o tempo de alguém esperar, corresponde, nada mais, nada menos, do que roubar acintosamente a virilidade dos ponteiros alheios. É esquecer, sem dó, dos giros da ampulheta universal e ainda, descabidamente, fazer com que ela crie asas pontiagudas de morcego voando às cegas... a assim deixá-la... girando e voando ao léu, só porque é quase um batman em inércia abandonada e qualquer coisinha... ah, ela chama o Roby.
Fazer o tempo passar, tchê, é o agora acontecendo, é tu aqui, me lendo nessas últimas linhas (se é que conseguiu chegar até o final), não se dando conta das coisas que têm a tua volta e, principalmente, que nem existe o tempo...
há tempo.
E quando vai ver, fupt!
já passou.
E então? Foi legal passar aqui, não foi?
Claro, eu não te fiz esperar por nada.
N

terça-feira, junho 13, 2006

woodstockball

Não adianta fingir, muito menos fugir, o mundial domina todas as atenções e sobrepõe-se a todos os assuntos do momento. A vida, a cidade está toda coberta com a horrenda cor verde-amarela por todos os lados. Vitrines, roupas, chaveiros, bonés, propagandas vertendo, com profusão, a ideologia de ser o melhor do mundo na arte do drible. Haja santa paciência. Ligar a televisão é permitir banhar o cérebro na enxurrada verbal futebolística que está no ar, e cada minuto, cada tropeço, cada pulinho, piscadela ou arroto de jogador de algum canto do mundo é aproveitado para fazer alguma reportagem.
A Copa é a mídia; e óbvio, sem a mídia, a Copa seria mais uma sucessão de jogos pra ver na tardinha de um final de semana, ou se não sabático, ou de domingueira, seria sem direito à folga do trabalho para se esgualepar gritando lá vem gol, lá vem gol, lá vem gol, junto à voz douta do Galvão .
A lavagem cerebral beira o ridículo dos seres que tinham a chance de ficarem calados e icólumes à queimação de filme. E como é triste ver esse planeta dos macacos carente de bananas. Tupi or not Tupi? That´s the question. But now, the answer is Tupi, bananas e Ronaldanas.
Enquanto os outros países contam com 60 ou um pouco mais de jornalistas, o Brasil está com 160, todos ébrios de seus peitos cinco estrelas valerosos, socados em salinhas, transmitindo as bolhas que vão e que vem de Ronaldo, preferências entre meias azuis ou brancas para a estréia, comparações entre as gerações da camisa 10 de ontem e hoje, amontoados, febris, fazendo enquetes de "quem chuta melhor? o destro ou o canhoto? ", ou então, falando abobrinhas de casualidades ou superstições, dando pitacos antes mesmo do juíz apitar a partida... e tudo isso, preclaros, com a farda cor côco de pássaro envergada num lombo que sustenta uma cabeça que deixa a boca rir sozinha de um não sei quê.
O resultado no placar, às vezes, importa menos do que aquilo que rolou na imprensa antes ou depois do jogo, e fazer clipe clichê é vanguarda inegável- assim como o pretinho básico está para todas as mulheres que saem à noite, o clipe dos machos dominantes em campo e seus bíceps femurais em movimento está para a estampa da camêra nesses dias de junho ...
Bom, pelo menos, no randevous desse woodstockball ideológico, o Fenômeno voltou a mostrar que faz jus ao título, e aliás, deu um belíssimo drible no chefe da nação, justamente na grande área das metáforas futebolísticas e auto-estima. Revidou com firmeza a insinuação de que estaria acima do peso e comparou-a às fofocas sobre as pujanças alcoólicas presidenciais. Lula, o goleiro-presidente, poderia ter ficado sem esse frango.
Ué, talvez, o Führer da Silva absteve-se de dar o troco, porque a mídia poderia colocá-lo contra os jogadores; e, neste momento, se existe algo intocável neste país, não é a Constituição. É a Seleção. Enfim, já sabemos, já sabemos de todos esses truques cíclicos que vão e vêm em nossas telas - é necessário entronizar seres, já que, dificilmente, conquista-se reconhecimento por algo bom, made aqui.
É, quem nunca come azeite, quando come se lambuza.

segunda-feira, junho 12, 2006

que dia é hoje?

hoje é dia de abraçar, dar beijo bom e ficar em silêncio
porque a voz lá de dentro quer a palavra
silêncio, a voz de dentro é juíza togada
ela bate o martelo - e a sentença do dia é fazer poesia!
o bulbo, na quietude do inverno - TUM-TUM-TUM no peito
e tu, veja só, nem pisca direito
um olho no outro olho agora demora
pois não é que é a hora?
sim, é hora
de brincar com palavra amora
separa, não chora
eu não vou embora
brinca, ora!
é só amor - a
em amor há
e há?

domingo, junho 11, 2006

pega e cola na cara

óculos, occuli, mishkafaim, sunglasses... será que em todo o mundo existe esse muro da veste ocular?
ah, se todas as pessoas usufruíssem da luna de olho para ver o mundo mais ao cerne de sua essência... provavelmente, coisas tantas e inesperadas seriam reveladas; aliás, as mesmas coisas, no mesmo cenário sob outro viés, tal qual um vivo negativo ao vivo.
e, tu, que está lendo, aí? já percebeu a vantagem de ter uma luna pegada na cara?
pena que à noite é piegas sair de cara velada.
o olhar por olhar, o olhar sob o ímpeto do interesse pelo diferente, já reparou?, não pode demorar-se pousando, e mesmo sem pretensões segundas ou centesimais, quando dá vontade de ficar analisando cada pedaço de um alguém interessante ou nem tanto pelo ante, não dá pra ser assinte declarado. que pena. é tão bom ver a fundo o tudo do mundo.
de onde vem esse instinto do não delongar o olhar? provavelmente, preceitos mezozóicos dos primórdios, cuja fixidez da retina na outra, convite era ao desafio corpo-a-corpo.
parar para fitar mais tempo aquilo que sem o óculos seria mais um olhar disfarçado de seguir protocolo de conduta, é ver lá mais lá dentro da coisa toda e em todos os seus pormenores.pocotó, pocotó, pocotó com ferradura nos protocolos!
o fitar radiográfico pode trazer muitos significados a respostas de perguntas não perguntadas. afinal, é tão ímpar ver as imagens humanas, encaradas de perto e quando o outro não percebe! justamente! justamente! vê-se mais porque não vêem que a gente vê.
enfã, seja na itália, seja em pequim, ou lá na vila jardim, o óculos é um pára-quedas de acrílico, uma veste durona que permite vôo sem sair do chão - pode-se, no exato foco do interesse, congelar as vistas e não quedar ao belo sem conferir poder ao seu detentor, rir do ridículo disfarçando que é da revista; e, claro, podemos alçar vôos outros com as coisas loucas e esdrúxulas dessa vida, embriagando os sentidos da lucidez com aperitivos, que não seriam aperitivos quetais sem a luna.
em tempo, não é bom alimentar egos com o olhar - um olho alimenta um outro olho; e nem sempre aquele vistado é merecedor. o bom é deixar sempre a dúvida do porquê do não-olhar!
luna una, luna duna e tu, toda tapada - e o mundo, ali, desnudo, de frente, em todos os seus matizes.
pega. te apega e cola na cara.

quarta-feira, junho 07, 2006

suada pele de álcool

continuando a nossa conversa que nunca iniciou, confesso que tenho sentido muitas saudades da infância e do tempo quando tudo era mais verdadeiro e não havia essa hipocrisia aos cântaros, vertendo a ladeira da existência. com licença, dalvinha, vou acender um charuto em meio ao incêndio que enegrece a tua imagem.
would like some drink? tem cachaça, tequila oro, martini, vinho cavalleri e cachaça de itapuca.
bah, pena que deixei a máquina do tempo na casa antiga. ah, máquina do tempo... só ela poderia voltar atrás e estabelecer a minha consideração genuína por ti. mas a escolha foi tua, trocaste uma parceria de data por uma suada pele de álcool. acontece. as escolhas são caminhos intempestivos, mesmo... e de repente! pum! caem de pára-quedas dois porteirões estaqueados e verdejantes, - duas trilhas de uma vez só piscando um alerta intermitente com a purpurina do Laffon. se apresentam como relógios-cucos, tic-tacs loucos e alegres, sempre pontuais abrindo portinholas convidativas a celebrar o tempo... pena que a gente sempre escolhe aquele cuja mola é mais fálica. pena essas escolhas fast food com molho branco. a gente confunde tudo. eu sou a pequena brincalhona da mola soldada, não tenho um molão, não bato um bolão, mas sou amiga acima de todas as coisas.
- mais um martini?

segunda-feira, junho 05, 2006

aliens na escolinha

aqui, quem redige é miriam wordsworth, e segue nas linhas abaixo, a entrevista bombástica com uma das aluninhas que tem a camiseta suja de vômito em virtude de acontecimentos estranhos que ocorrem em sua escolinha de gente crescida.
esse vômito, Mariana, de onde vem? o vômito vem da minha verdade mais pura. a coisa é incontrolável, e eu sofro cada vez mais por ter que ficar com a camisetinha colada com peptina gástrica no peito.
e tu não tem vergonha de ficar vomitada andando por aí? vergonha eu tenho, né, mas na verdade, essa sopa que sai de mim é uma manifestação assintomática quem vem sempre quando estou na aula de sexta.
mas afinal, quais são os dias que andas vomitada? sexta-feira.
por que logo nesse dia tão out? ah, depois que uma nuvem começou a entrar pela janela e largar uma chuvinha em microgotas por toda a sala... eu comecei com isso e, talvez seja um dos motivos que está me deixando assim.
mas tu não tenta te limpar? tentar eu tento. mas o vômito volta quando eu entro na sala de aula e vejo as coisas que têm lá dentro.
que tipos de coisas? nuvens, monstros, muitos monstros que gargalham exalando um ar ácido por todo o ambiente. eles fingem que são alunos, mas quando a professora vira de costas, eles voltam a forma que têm no planeta Pata Medalha. bem, pelo menos foi isso o que me falaram na última aula. disseram que gostam de coabitar o espaço com seres que se julgam superiores. e o que me amedronta, Miriam, é que eles pegam essa energia dos pretensos déspotas pra ficarem mais fortes e, então, continuar a exalar o ácido pra fazer com que os alunos mais fraquinhos andem vomitados passando vergonha. é horrível ver o ácido saindo daquelas bocas. e pro ácido sair é só dar uma risadinha.
explica melhor? é isso aí mesmo, quando mais besteiras galopantes o professor fala, mais fortes eles ficam, e mais gás é exalado pra deixar as pessoas abobadas e vomitadas.
mas quem é esse professor que atrai os monstros? não posso citar nomes, mas te asseguro que é a configuração mais perfeita do homo imbecilis galopante e, inclusive, demora segundos para dizer clichês monossilábicos; e , puts, é nesse contexto que os monstros largam o ácido. e pra piorar o quadro do meu pavor, quando começa a citação do sem-número de publicações das revistas mausoléu e tutankamon, eles largam uma geléia em baixo da cadeira. o que me apavora cada vez mais é que o professor nunca vê o que está acontecendo, pois dá aula de olhos fechados! os montros estão ficando mais fortes... eles crescem de tamanho a cada repetição de vício de linguagem! e o profi de sexta, tem isso, essa mania de repetir os sons de zoológico quando quer linkar um pensamento ao outro. o "ããã", "ããã", "ãããã" dele, tá fazendo os montros crescerem! e eles chegam a crescer de 10 a 15 centímetros em cada aula!
tá me dando raiva essa situação, sabe, porque só eu e mais uma colega enxergamos isso! se, pelo menos, o professor falasse menos ãããs, eles não cresciam tanto e não espraiavam geléia pro nosso lado.
e por que tanta raiva, mariana? não é raiva, dona repórter, é uma questão de intolerância, mesmo. intolerância por não entender como é que seres medalhões, papagaios do óbvio, ocupam os bancos de docência e deixam os montros crescerem tanto e largarem mares de geléia em nossas roupinhas tão limpas!
e agora o que tu vai fazer? eu? eu não tenho nada a fazer, sou uma reles acadêmica, uma refén de alienígenas. apenas aprendo exatamente como não ser, pros monstros de amanhã serem apenas bolotas de um sorvete derretido.
Não percam a próxima entrevista com a outra aluna que se vomita e ainda regurgita!Miriam Wordsworth, diretamente para a tribuna ócio mental.

quinta-feira, junho 01, 2006

aviso aos queridos navegantes:

não estou com preguiça de escrever, apenas estou sem computador e não tenho previsão de retorno.
placa mãe queimada e um monte de tempo para conseguir arrumá-la. vamos ver o que será de mim.
por enquanto estou out da vida virtual. perdoem-me, queridos, em breve retorno com muitos outras estóurias loucas e quase reais....