sexta-feira, abril 13, 2007

triste tricô do tri



Aos trinta uma trivial tristura
E por um tris não tritura as tripa
Três por três, três por dois, três por um!
Logo, logo, Triunfo triquetraque na trilha
Tripudia! Tributeia! e tranca o trinco ao tribufu!

domingo, abril 08, 2007


a vida é escorregadia, uma charada indecifrável
pelas frases vazias e sonorosas de histórias que escondem
um segredo qualquer em um mundo de convenções.
porém, não há como manter as máscaras coladas o tempo inteiro;
e, entre o bom-tom sufocante em que se vive, de repente, as verdadeiras faces surgem.
e, nos silêncios espaçados da decepção, desfaz-se a pintura, e a vida já não é mais um enigma.
os dias e as noites alternam os astros, as páginas passam, e encerram-se os papéis agradáveis.

quarta-feira, abril 04, 2007

who do you think you are ?


Confesso, para além, essas palavras com o venerável selo da verdade:
na miséria, ou na glória,




Eu sou eu. Não apenas uma mulher.
Mas um outro Universo.

domingo, abril 01, 2007



Não nego, porque o culhão atrofiado existe - , há dias nessa vida, em que a máxima do meu sonho é esbofetar seres até o arrancar de arcadas. e, logo depois, to be high fly, um escarrear eqüestre de purificação em qualquer soleira.
Nem pense mal; afinal, o avesso da misericórdia está encarnado em quem não pediu para nascer.


quarta-feira, março 28, 2007

histórias da bizunga


Olá, muito prazer, eu sou a Bizunga do Amor. Meu nome oficial é Scarlet Van Bethoven, mas como a minha dona não liga para ofícios do clube do gato, ela simplesmente aluiu a minha estirpe. A história que une a dona deste blog à minha existência é muito engraçada, pois de cara, quando ela foi me buscar lá em Ipanema, na casa da criadora que fez minha genética, não fui muito com o fucinho dela. Ela é assim, tem um jeito de quem é exibidona e que sabe de si, mas, creio cá, com minhas pretas pulgas, que deve ser o desenho da sobrancelha que transmite esses ares quetais.


Lindauros, vocês sabiam que eu sou a irmã da Pop? Ora, ora que Pop! A Pop Star, oras bolas, aquela gata branca que está na embalagem da ração Le Roy. Só que a Pop se deu muito bem na vida; aliás, ela é a Bündchen dos Van. Branca, glamourosa, longos pêlos, olhos azuis, e eu, uma versão totalmente latinizada dos Bethoven. Olhos laranja, pelo curto, angina, bafão Riocell, e rabo de penacho de cenoura desidratada.

Quando a Mariana ganhou o vale-gato da criadora, ela foi no gatil, e me escolheu dentre uns 60 gatos mais ou menos. E o engraçado disso é que eu fui a única que fugiu dela naquela malta de gataria. Não deu outra -, ela me fisgou antes que atingisse a soleira da porta. Confesso que não, não fui mesmo com a cara dela. No entanto, sequer tive escolha. Quando vi, já tinha deixado para a minha irmã, a nossa casa tão bela, que dividíamos na cozinha da Jane - uma imponente lavadoura de louça Enxuta, bem branquinha, gradeada, hidrante em duas temperaturas, porta transparente, e um lindo telhado forrado com bordados de crochet.

Enfim, onze anos se passaram, e, hoje confesso que muita coisa mudou; sou apaixonada de morrer seca pela Mariana, minha dona única. Somos tão ligadas uma pela outra, que a gente se fala por telepatia, e assaz forte é o amor, que por mais que meu bafo seja acre, ela jamais reclama, e ainda me beija na bochecha, bem pertinho da boca.

Lembro-me, sempre quando ela trazia um namorado aqui em casa, eu não gostava. Nunca deixava fechar a porta do quarto. E caso ela o fizesse, começava a unhar a porta até ela abrir. E, depois que a porta era aberta, escalava rapidinho a cama para ficar ronronando feliz entre os dois. Ele não gostava nenhum pouco, eu me lembro, but who cares?
De todos amigos, gostava apenas de poucos - geralmente, dos que nunca me davam atenção, ou dos que não lançavam nenhum olhar. E pronto, isso bastava e virava fã. Hoje sinto o vazio da casa, tenho saudades daqueles que eu ia com cara e nunca mais apareceram.


Naturalmente, os leitores devem estar se questionando o porquê de eu estar assumindo, hoje, o lugar da articulista deste espaço; porém, lhes digo - o motivo é que cheguei a um ponto de humanização tamanha, e não resisti vendo essa disseminação de idéias que a minha dona adora exercitar, e, então, pedi à Mariana que me deixasse brincar só um pouquinho, aqui, no gostosinho do blogspot. E, como ainda não tenho uma página só minha, ela me emprestou o domínio do Deliver. Diz, aí, ela não é demais? É fodalhona a minha velha mãe.

Dia desses, leitores, eu volto para narrar o meu desaparecimento, que durou vinte angustiantes dias, quando eu quase morri de fome, sede e muita saudade.


pprrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

sábado, março 24, 2007

nisemblatiando

- Mãe, o que tu tá fazendo?
- Estudando grego.
- Grego!?
- Pra quê?
- Pra escapar do alzheimer.
- Bah! Vou ter que tirar uma foto desse momento!
click
- Mãe? Olha aqui na tela! não tô te reconhecendo.
- Por quê?
- Tu parece uma outra pessoa na foto.
- Ah, esse é o meu verdadeiro eu.
- Como assim?
- Aquela que tu viu durante 30 anos não existe mais.
- Mas e quem era, então?
- Depois de tanto tempo finalmente tu viu meu verdadeiro eu.
- Esse ser estranho, aí?
- Sim, e nunca enxergaste.
- Ai, mãe, nada a ver.
- Então quem é aquela que eu sempre enxerguei ?
- Aquela era a tua mãe.




sexta-feira, março 16, 2007

o esquecimento de um alguém

quando se é criança é assim - o esquecimento vindo de um alguém especial é brusca freiada de ônibus quando se está de pé e sem suporte em mãos. a queda é certa, mas se levanta, claro, olha-se para os lados buscando acreditar que ninguém viu, ou que não foi nada demais...
logo, logo, lança-se ao abraço da mãe para se sentir forte de novo; mas lá no fundo, morre-se um pouco, morre-se por segundos, morre-se, sim, de instante de solidão inesperada e de impotência frente ao que já é...

o tempo de sair do coletivo se dá em instantes. a mão está esfolada e o nosso mundo mudou, dividiu-se entre os pequenos rasgos da palma da mão. agora certas coisas assim o são, cabe a nós ter munheca antes da freiada. tudo é aprendizado, tudo é um caminho, e a pele nova vem, assim como a calçada seca em dia de verão...e além do mais, não podemos esperar que os motoristas não freiem abupto. eles sabem o que fazem.

segunda-feira, março 12, 2007

welcome to the real life


a vida tem dessas coisas dead dolls aos caretas. de repente, um súbito de grande piercing nas costas aparece, sem que gostemos de furos.
welcome, baby. welcome to the real life.

segunda-feira, março 05, 2007

a metamorfose no poço

Eu, o pavio convulso da vela que chora a morte, clamo, doida em dor, em meio a despejos bestialógicos, à minha eterna incompreensão humana frente à insensibilidade de um homem que virou estátua.
E, me diz, se é que existe algum deus, onde está esse deus para desconverter isso?
Deus? Sim, esse aê mesmo, que vocês escrevem com “d” maiúsculo, e de quem preconizam a existência em tudo que é canto em que se chuta uma pedra!
Ah, quer saber, tem horas que deu desse devaneio. deu de papo de deus. Procuro-o, de déu em déu, mas, chego à conclusão de que ele mora é num casebre e não está mais nem aí para a moral.
O deus desistiu do mundo, e quer mais que os popstars se fodam com seu farisaísmo ultrajante; condena à paixão, esse anjo folk das tormentas e, decepcionado, apesar das boletas estrelares, sabe que a maldade é uma deliberação da vontade consciente dos que o negam, e, por isso, resolveu se isolar e cagar para o mundo até que tudo derreta de vez.

Os tempos estão mortos. Por favor, me dêem um jato de éter na cara, que construirei um reino bem longe daqui.



Do intempestivo mergulho ao fundo do poço brota o que não sonhei, ou o que sequer esperava sentir -, o súbito assalto às cegas da transformação do eu.

- É um assalto, porra! Passa tudinho! agora tudo vai mudar. Mãos ao alto! Tudo vai mudar. Passa logo, senão é tu que vai pro ar!

Sim, a vida cobra tudo, a todo instante, com o cano em riste apontado na cara; e o troco, por ter um coração bombando um sangue bom, é bater o nariz na fundura de um túnel escuro, enquanto os pés, ainda há pouco, terreavam firmes nas azaléias do parque.

Ah, mas não pode ser! Há pouco, instantes atrás, os pés carregavam pernas, que carregavam o corpo, que carregava a cabeça, que carregava a boca, que carregava o sorriso que se rasgava todo de alegria por coisas tão simples. E agora estão aqui, nesse fundo.

Aí, então, vem uma coisa. Úlcera. Duas coisas. Mágoa. Três coisas. Salgada saliva carrasca trancadora de garganta. Quatro coisas. Sufoco. Cinco coisas. Desatino. Seis coisas, mas...
Mas Agradeça.
A Dor?
a ela. A perda, beibe, é mais que um prejuízo. é um buraco imprestável em que tu acabas de cair de quatro, e o alento, pode esquecer, porque não é aquele ditado clichê que diz ‘se güenta, se lamenta, mas se levanta’, pois as pernas estão completamente amortecidas pelo tombo, as nervuras da coluna estão rompidas, porque simplesmente as vértebras se partiram com o baque.
Vilipendiada. Sete coisas. Sete dias da semana. Sete notas musicais. Sete cores do arco-íris. Sete pecados capitais. Sente o sete ser a seta que rasga. Já sentiu? A Cabala da dor que abala. Já sentiu? O Número mágico. Das grandezas.
- Mas...dor é grandeza da alma?
- Não sei, mas... agradeça.

Sim, mas agradeça. agradeça curvada, sua boa marionete agora inútil, à peça pregada pelo script da morte não-cardíaca, e largado just for you, adrede amassado, rascunhado, e sob um medíocre capacho de tampinhas, para quando tu ajoelhares para pegá-lo, seja tirado o teu coro, bem aqui ó, logo abaixo do empurrão que fará a tua queda.
Ah, e detalhe: ela, a tal morte não-cardíaca e seu script de carteiraço, não se satisfazem apenas com sangue de joelhos. Sangue de joelhos é esmola pura. é pratinho de entrada do banquete que ainda está por vir. Escuta, menina, e mira que belo... ó, agora ela bate na porta. E a porta está sem tranca.

Obrigada. Sempre obrigada. Já tanto faz, ou fez, agora há uma purulenta ferida na alma. Gangrena no tempo. Chaga na vida quando eu mais precisava viver.

Depois do choro estriado ouvido pelos telhados, os soluços sobem à boca, cuspidos num resfolegar de desventrada cavalaria em guerra e sem consolo de volta. A face escalavrada é esculpida em pranto no vaguear da quente vertente que os olhos secretam em um sem-fim de aguado sal. A garganta cansa. Aliás, o interior do pescoço nem é mais garganta. é um cano de despejo a céu aberto que faz alguma limpeza e bom obséquio de levitar a alma acima de tantas e tantas águas viscosas.

Sob a luz pardacenta, o corpo trepida, treme em choques convulsos até amansar, e, - num repente -, vazado, cansado, surdo, esquecido, consumido pela voragem da dor. E agora, depois de tudo e tanto -, puro, livre.

A casca sêca cai. A pele agora é rósea. O sangue seco estava ali. Sumiu o que cobria a nova pele.

O aprendizado verdadeiro é a volta do poço. Aliás, a volta do fundo do poço. É a pele que ficou rosa quando sempre foi só branca. E eis o certificado régio da graduação em Metamorfose do Eu não solicitada – a pele rósea, sensível por mais algum um tempo e ainda destituída da melanina que cobrirá o espírito.

E por fim, depois que não há mais aonde se expandir, há um ganho de altura nessa baixa sub da sobrenatureza do sofrimento. Acomoda-se a dor; e o que doía muito agora é finco.

Ah, e apesar dos espetos rasteiros, vejam só! eu tenho asas! minhas asas são enormes e impedem-me de avançar. E mesmo assim, sem nenhuma fé em deus, eu digo e repito: adeus. Adeus.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

a veneranda varanda do ó

como entender metáforas?
simples. não entendo-as. apenas sente o verbo ser vento. e então veja o quão bom é ver as melenas serem algas no ar.



aproveita enquanto é tempo. te debruça no penhasco.
vale a pena.
parece uma varanda bacana.

domingo, fevereiro 18, 2007

perto do coração selvagem

ao Rocco Badalamenti, o exímio entendedor de vaginas, gametas, gônadas, a eterna estátua forrada nas internas com saco grosso de hospital, e, que, como eu, sangra esfaqueado, mas esperto no simulacro de CTG da República da Fudéia, usa rolha grossa no talho. ao escorpião que, a torto e à direita, sempre quer colocar o dedo na minha moleira para sentir o molenguinho. mas oras, bolas! quer molenguinho, guapo gaudério? pois compra o queijo Polenguinho! tem lá no Zaffari.

a ti, meu inimigo de amor, meu amigo de ódio, esse texto, um ressaibo de minha ira in air de 2006, a real comprovação a duras penas de meu estado alterado de consciência no cruel tempo de violência citadina, quando tu me mandou naquele novembro negro a ler menos e 'a brincar' mais...




cara, eu leio demais não porque quero ser um cabeção, e, ei, moço, escrever reles frases em caralhogs da vida é apenas solução ativa de não ser passiva ao papai-e-mamãe que a leitura impinge a esse vassalinho hipotálamo de meio níquel.
não escrevo demais. escrevo uns parágrafos de merda, um mal necessário tal qual extintor em quina de escada condômina, Rocco Badalamenti.
e é bom tu ir te acostumando com essa tensão de ridículas verdades, porque elas têm um objetivo real, e a acidez do meu lero fazem parte de um periclitante processo em que me baseio apenas para ser transparente com o meu pensar. e isso te fere. e isso me fere também. acredite ou não. mas é o preço que se paga por não ser mais um ser peidante no planeta.


desconfortáveis são os vôos de que é feita a minha arte - insights, cacos fragmetários impressos no ministério do ar apenas para poder tomar fôlego do estupro constante da ticuda leitura. então, tento esse adestramento contínuo de elasticizar a escrita para que minha alma não pegue no sono. ler te dá sono, não? a real é que as pessoas me dão sono e já não consigo disfarçar o bocejo e é fatal - corro aos pulos para brincar esperta na facilidade blogspot.


derlim, derlim, derlim - a sineta toca perto do coração selvagem e é hora de enxergar o óbvio: a liberdade é melhor forma de sermos mais amigos de nós mesmos! e minha imprudência é meter o pé na lama da autenticidade, como uma velha de 60 anos que não tem nada a perder; aliás, meto até bem mais do que deveria, ficando absurdamente comprometida. e é um fiasco ! tenho muitos desafetos por causa do meu solado barrento, mas ainda assim, prefiro a pureza enlameada de minha verdade, a tensões côncavas de sorriso de meia bochecha para fingir que está tudo bem, enquanto não, definitivamente, não está tudo bem.
sim, eu me purifico mandando à puta que pariu, mesmo assinando em baixo. e depois, de chofre, para arrefecer a consciência little heavy, borrifo colônia com óleos essenciais de farmácia manipulada por tudo e então fica bem beleza.

que desconstruamos os mitos, como naipes escancarados em final de jogo sem reversão: a freira fingida e Rocco tesão do mijo do parque Farroupilha até que o cu fale um belo francês.

eu jogo com as pretas e aviso que não sei perder.
par ou ímpar?

quarta-feira, janeiro 31, 2007

um breve tchau


o verão chegou e, com ele, de rabicho de cometa, (não sei como aconteceu!) as idéias escassearam. é, agora o corpo pede um break; aliás, o exoesqueleto grita retumbante, mal-educado, mesmo eu engrossando vozes com gritedos de bodega. ele não quer nem saber, manda-me mil mensagens subliminares ou não, e até pelos poros, o ditador disgramado governa-me o vassalo cérebro que não escolhi ter. eita!
sim, leitores, é hora de descansar, ver o mar, pensar no profícuo nada e, enfim, esvaziar a cabeça dos bons-poucos venenos acumulados na alma. é tempo de salgar o charque do espírito que clama por um bom cloreto.

"o ócio criativo é bom", já dizia o ítalo-visionário-magnânimo Domenico Thomasi, justamente, para posteriori, repormos às desafogadas lacunas, novas tendências, influências e folêgos e não incorrermos sempre no mesmo rameirão verbal.
em janeiro completei um ano de atividade ininterrupta nesse blog, e hoje decido que preciso (ao contrário do que supunha) dizer um tchau e anunciar que, dentre em breve, eu volto com as pulsões escorpioninas para continuar seguindo com a vidinha da gostosa alienação por aqui. 'nhãmo' brincar de blog. pois é exatamente neste momento em que me sinto estar salva do mundo lá fora.
obrigada, de coração, a todos pelo incentivo e o carinho constante.
até muito breve, minhas pessoas não-minhas.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

a eterna roda-gigante


olha, beibe, olha: a vida sempre foi, sempre é e sempre será uma bela roda-gigante sucetível à ferrugem. e eu, inescapável extensão desse circuito:
uma tola, uma otária, uma louca hefén! sou uma cadeira balançante, porém esmaltada com dez mãos de Ferlicon anti-maresia.
jamais envelheço o otimismo pulsante e absolutamente crente na transitoriedade dessa vida maluca. sim, ledor, a vida ainda é, nesse exato instante, uma roda gigante, e hoje eu balanço sem medo rente ao chão.
muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

chip into the heart


as máquinas também têm sentimentos. e no futuro, quando todos os nossos bisnetos forem ciborgs e os seus chips fizerem a integração da máquina com o bulbo, ainda assim, o lado humano não será transponível.
as máquinas sempre chorarão, mas como máquinas, serão máquinas que não demonstram.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

a coisa coisada coisadinha


ah! essa vida assim sempre toda louca por viver é uma coisa.

e se coisada tem direito a ser uma palavra. e cada palavra pode ter o dever de coisadinha nenhuma.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Dra. Divaga divaga a vaga


Esse pensar sobre Mário gaúcho sobreveio em uma das rápidas incursões no boteco da Fapa, quando Ane, vulgo Diva, e eu, elocubrávamos acerca do lado B da poesi e do inevitável obscurantismo na retaguarda existencial dos grandes rebentos da palavra.
Tudo o que falamos aquele dia foi volátil como como a valiosa ceva sublimada pela pressa de autênticas escravas do ter-canudo-e-nada-mais e, como boas guapas Destituídas de tempo, urgindo acima de tudo à purificação espiritual, inevitavelmente não tínhamos outra opção:
vomitávamos ali, caminhando faculdade a dentro, entre pressas de pé pisando chão antes da sombra ser sombra, justamente, para não perder mais tempo com empacantes paradas vômicas. Que animálias do sistema fomos! Que animália do sistema somos! E o que será de como seremos?
vixe!


No silêncio das nossas bocas tortas de desgosto pelo o que no fundo, no fundo sabíamos por telepatia, riscávamos pauzinhos de presidiárias para estar onde estamos hoje - neste divino ócio acadêmico. E que benção esse autodidatismo em que nos encontramos!


A equívoca percepção? daquele mundinho de papagaios dogmáticos do mofo, fazia de minha honrada batalha um crime que aniquilava por completo a crença em minha livre expressão intelectual. Mas tudo bem, no final eu estava lá, interpretando o papel de vaselina, tal qual tu me segredou: "te finge, te finge e pensa no diploma. Segue um modelo. Engole a seco. Busca uma outra Mariana que eu sei bem que deve haver aí dentro. Aliás, faz o seguinte: finge que tu não pensa."
E foi o que eu fiz. Hoje vi que tu estavas certa. Valeu a pena o script de circunstância calculista. E diga-se de passagem, preciso praticar mais o chauvinismo subtle.


Mesmo sujismundas daquela lamentável peptina gástrica colada na roupa, continuávamos aos trancaços, cheias de faltas, com trabalhos em atrasos, podres de orgulhosas - de sei lá eu o quê, e exibidas, (ah, e isso tu há de convir - sem grandes motivos quetais) a correr contra o tempo e a nos limpar das massas e milhos moídos em pasta durante a corrida de findar com a coisa normótica da robótica do "corrobore", "disserte", explicite", "puxe o saco", "ajoelhe", ou "morra na prova se for capaz".
Em muitas circunstâncias de susserana, lembro-me tentando fingir, em meio a inacreditáveis papagaiadas, que não estava acontecendo nada. E a grande verdade, Ane, é que, de fato, nada estava acontecendo. Nada. Nada acontecia. Nunca houve sequer uma surpresa. Uma mísera bolha de sabão vinda do infinito.

Fora os ditadores suspiros que imperavam no entardecer de Ciências & Letras, quando não estávamos bufando de náusea ou tédio existencial, a parla dos papos era invariavelmente profunda, principalmente a que divisava fronteiras com o pão líquido. E de quebra, ( isso era engraçado) para arrefecer os vapores das narinas já fustigadas de odiozinho besta, havia sempre aquela carga dramática do reclame triplicada por nós, duas dramalhonas maiores, motivadas a trepudiar todos os naipes, sob a encarnação mais verdadeira de fastio intragável do modorrento feudo acadêmico.

Agora, dias e dias depois que passou a onda do aniversário de 100 anos dele, veio, assim, essa memória náufraga, irrompendo das profundezas mentais, trazendo a baldadas o que falamos envoltas nas furtivas tragadas do Free Minuzzo desnecessário, mas mui bueno de charme, enquanto os ponteiros do relógio ainda estavam ao nosso favor.
tudo foi tão rápido e suficiente... e nem é preciso o muito do falar, as percepções de dona Ane Minuzzo me são uma uma espécie de formões prestes a esculpir a própria metafísica, para, então, por dias, rodopiar, rodopiar e... piar, piar e pia! Pia, "paim"! pia como pássaros em torno de cabeças de atontados...
a coisa fica. o que sai da boca de Ane fica a orbitar os sentidos... a marcar em de profundis, tal qual ferro brasento em coro de boi.
... e isso porque eu ainda não falei as divagações sobre o Anjo Torto de Drummond!
mas, ô guria, "vai ser gauche assim..."



saudades, sua Cabeça.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

así es



ah, escrever, filosofar sobre a vida às vezes pode ser fácil; aliás, deslizar a língua nunca foi difícil, acho até que é dom inato, mas quando se trata da parla sobre a eterna insatisfação humana, inevitavelmente, acaba-se caindo no rameirão inescapável do bláh lá e do bláh cá.
é, a vida é assim - essa coisa meio amorfa dentro da cabeça da gente - imaginamos um sol bem amarelo, um grande amor, mãos entrelaçadas durante uma caminhada, palavras bonitas atravessadas no acaso do ar... mas além de definições maravilhosas e buscas explicativas para o dia que nasce a cada dia, é necessário saber das quebradas do caminho, e, pelo menos, tentar uma antevisão ao que se avizinha lá na frente, ou sobre o que, on the road, já está e, que assim como chega, vai logo, logo para o atrás de nosso pés.
é, pode chover, pode vir raios, pragas, piolhos e rãs vãs desse louco céu sem véu... e mesmo que se faça assim, ou se faça assado, assim é. assim é essa vida. impossível ter o melhor dos mundos.
é. é assim, sim.

domingo, janeiro 07, 2007

um asar de azar

um barulho foi escutado. alguma coisa batia contra o vidro. tum-tum. bac-bac.
o vidro da janela da área tremeu. bum! bac! bac!
Miriam caminhou até a lavanderia para averiguar e, de toma-lá-da-cá, escancarou o vidro a uma só vez, achando ser mais um trote da meninada.
olha, que surpresa! que surpresa! um pássaro. tão pequenino, tão atontado, pra lá e pra cá, em seu incipiente descompasso de penas.
batía-se todo, pobrezinho, desatinado a procura de um rumo.
esbarrava, insistente, entre as paredes da área da frente do apartamento de Miriam.
o teimoso, queria as nuvens, mas errou a rota. ao tentar entrar pela porta entreaberta do vizinho da frente, Miriam gritou:
- não entra! não entra! vai ficar preso!
o pássaro cambiou a direção, voou da área da vizinha, planando próximo ao seu rosto.
- sobe! sobe! - dizia ela acompanhando o movimento do priosioneirinho com a cabeça para fora da janela. ia subindo ele em um asar de azar, topando ao léu entre esbarros de tontura no foço salpicado do condomínio.
queria o céu, mas foi na janelinha semi-aberta da cozinha do terceiro andar que tentou entrar em cega obsessão por se escapulir.
- não, aí não! aí não! ela berrou, colocando o eco a existir boca a fora.
o pássaro, desgovernado no ar, volteou, volteou, desistindo da sumária abertura da basculante.
- pra cima! pra cima!
à medida que Miriam gritava, o pássaro ia subindo, pouco a pouco, ganhando mais e mais uma alturinha.
e assim, lento e cheio de treme-treme, tentou entrar na areazinha do quarto andar em sua insistência de plumado tonto e...
- vôa! não entra aí! ela disse.
e eis que, depois de tanto esforço à liberdade, em um céu cinza de janeiro quente, ele vai se indo, se indo... e seu corpo de bolinha fofa sumindo. as retinas de Miriam, fixadas ao alto, esperaram aquele pontinho desaparecer na distância até mais nada haver a mirar. e então, pasmada, ela balbuciou:
- o pássaro falava português!

quarta-feira, janeiro 03, 2007

de onde tu tirou isso?


mãe crítica desde feto: - mariana, coloca o lixo lá fora?
o eu por respeito fingido: - só um pouquinho, mãe, deixa eu te perguntar uma coisa.
mãe crítica desde feto: - mariana, o lixo está na área desde quarta-feira, já tô vendo moscas! quer fazer o favor?
o eu por respeito fingido:- tá, mas antes me responde, tu gostou da minha poesia do James que eu te trouxe?
mãe crítica desde feto: - olha, até gostei. mas de onde tu tirou isso?
o eu por respeito fingido: - ah, vi a figurinha e gostei da imagem, assim, toda cheia de postura power-macho, e resolvi apostar nuns verbetes olhando para ela.
mãe crítica desde feto: - hãm.
o eu por respeito fingido: - tá, mãe, vem cá, e por que do "até gostei" ?
mãe crítica desde feto: - ah, pára, mariana, ela tá mais para poesia do James Bond, do que James Brown.
o eu por respeito fingido: - tá e quem disse que era do James Brown? James Bond, mãe. James Bond! o agente, o cara aquele do filme.
mãe crítica desde feto: - ah, bom. agora sim.
o eu por respeito fingido: - e que tal, pô?
mãe crítica desde feto: - tá, gostei, mariana.
o eu por respeito fingido: - "James Brown", de onde tu tirou isso?
mãe crítica desde feto: - não sei, quer que eu coloque o lixo lá fora?

domingo, dezembro 31, 2006

5767

meu ano é outro, meu dia não acaba, a língua é dialeto, meu país tá lá sei onde, o queijo é berinjela, meu pão é uma paçoca, e o pião um palhaço. o glamour tá na cara lavada e escrever é o parlar... assim vou vivendo, e assim crio um mundo.
não mais pertenço a essa realidade. graças. graças. relógio? queira me explicar o que seria? agora me achei sem as convenções metrificadas do ponteiro - vivo em útero, apartada da vida, escondida do frio, da brasa, em um lugar onde as horas passam apenas se eu quiser.
eu sou deus e ordeno: pára tudo.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

live and let die

um homem alto, moreneza e olhar penetrante. viril, porte atlético sem ambições de relevo. sedutor. casa dos trinta e poucos e mais. mais. pode mais. apreciador de vodka-martini. batido. não mexido. exímio atirador. no bolso, brinquedos tecnológicos. licença 00 para matar. categoria especial. sétimo agente. daí o código 007. intuição, a coadjuvante da vida. helicóptero desmontável. perito. beijo-método. artes marciais no piscar, sabotagem ideológica no meio-sorrir. travão seguro, a compensação é aniquilação. pé no hoje sem esquecer o ontem. fodas éticas. cães no rastro. Guerra Fria. teu sangue frio. a alma raiada do cano. a bala abala e baila. atrás dela, um olhar seco. não tem água, porque não pisca. sem titubear é hora de matar. sai por cima, ignora a despedida. boa lembrança; não de memória. do sangue. sem precisar viver para conseguir ver. vida de adestramento. o coração, tum-tum metálico, sempre com outro pensamento.
o dono da vida. do mundo. do magma ao avesso. a sanha do macho absoluto. macho do barco que faz andar o remo. e até nas infernezas homem-universo a serviço. boa marionete autômata. a honra incólume pelo pretenso governo imáculo, e claro, por Sua Majestade. A Sua Majestade. sempre.

domingo, dezembro 24, 2006

escapismo bom

"a arte existe para que a verdade não nos destrua"

sem querer, guiada pelo instinto descobridor, aportei em um sítio que me proporcionou horas de deleitosa sensação de ser pintora dentro de uma criança livre.
fiz muitos desenhos, porém, este especial, foi feito para vocês, que vieram aqui no caldeirão secreto do scórpion durante o ano todo e acompanharam, graças às minhas palavrosas amantes desse eu em transe, as tormentas, os venenos, o arrolar em vão do nome de deus entre soluços e discursos hemorrágicos do meu derrame cerebral irrefreável.
enfim, forço-me a finalizar serena e a convidar vocês a um passeio descomprometido para pintar as suas próprias telas em:
bon voyage

sábado, dezembro 23, 2006

sexta-feira, dezembro 22, 2006

somos nós

para fábio rosenfeld,
a simples brincadeira de atualizar o blog saiu isso - pura realidade descompromissada e divertida feito férias sem fim. salve fábio, salve as máscaras.



- Fábio, o que essa imagem te diz?

- são et´s?
- homens-feijão?
- ah! tem o capitão feijão, ali.
- bah, tem também um caboclo com chapéu.
- cabôco ?
- cabô com o quê?
- cabou nada, guria, olha ali - lá no fundo, o da esquerda.
- o que tem?
- ele quer imitar o o vocalista do Kiss.
- quer nada. quer imitar outro cara, mas como é mesmo o nome daquele cara?
- Paul Simons? Paul, esses, um deles todos aê.
- tá me diz, qual Paul que tu tá falando?
- ah, pára! tu acha que eu sou um toró de palpite?
- não, apenas sempre creditei muito nas tuas tacadas.
- tá, tá bem. esses aí são eu, o euzinho. esses aí somos nós e não nega.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

segredos de liquidificador

volta e meia quando coloco o cedê do cazuza me prendo a essa frase: "... dizendo segredos de liquidificador"... e então ela fica, fica solta, astronauta fora da nave, gravitando às voltas dos meus solilóquios bastardos.

sempre tentei encontrar algum significacado que fugisse à simples metáfora que a frase do poeta encerra, mas nunca consegui chegar a nenhuma conclusão interessante. segredos de liquidificador? put´s, vai ver que tem um código, algum esquema dele, só dele, ou dele e mais um outro, ou dele e mais uma outra. só pode, lá-lá-lá com liquidificador é código puro! e todo mundo tem seus codigozinhos, palavras usadas com a gang metralha, ou a panelinha a que mal ou bem todo mundo pertence, porque precisa segregar de alguma forma e, então, ali, naquela combinação de gentes se fervem coisas, se fervem idéias com palavras soltas para aludir a um pobre fenotipo que come um feno, mora num curral, se refocila nas ostras, ou usa ferraduras - ó, já usei uma carrada de códigos estabelecidos entre as comparsas do cafezinho.

Na real, aconteceu uma coisa doida, doidérrima, parece ficção, mas é fato consumado: comecei a escrever esse parto normal que vocês estão lendo, há duas semanas atrás e guardei o texto em off de mim mesma, banhando a idéia em ruminares de pacientes aguardos, quando casualmente, dias e dias depois, me comunico com com o miasma de Agenor Neto (sim, o Cazuza) e, nossa! foi incrível, mágico, não é papo! eu estava entre o findar da vigília e o início da divagação onírica, sabe? quando a gente viaja umas coisas, mas ainda se está acordada e, de súbito, uma coisa veio - mais ou menos com uma menstruação fora de época. claro, perdi o sono na mesma hora, dentro do ônibus que me arremessava ao teto. segredos de liquidificador, segundo Neto, é quando uma pessoa te fala uma coisa, algo bombástico e ultra secreto - e aquilo fica fazendo voltas, entra no teu sangue, e fica chacoalhando lá dentro, no fundo do cérebro e, mesmo depois de dias, a coisa entra de tal forma nos cromossomos, que quem fica chacoalhando é tu, o teu corpo, igual a um liquidificador em on. segredos de liquidificador é quando há algo que não pode ser compartilhado com ninguém e, portanto, a ir para a sepultura contigo. bingo.


essa coisa que veio, súbita, nesse canal, parece que ainda tem mais coisas para vir em loading. é a coisa é séria. pode procurar no google, ou em fanclubes dele, nunca vocês vão achar essa teoria. devo patenteá-la? e por falar nela, alguém já te falou segredos de liquidificador?
hummmmmmmmmmmmmmmmmm.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

apenas não espera

dia desses me perguntaram: - por que nos decepcionamos tanto com os terráqueos humanitas?
respondi, de pronto, com outra indagação:
- por que esperamos que ajam como nós, apenas porque são bípedes?


estava pensando com os meus poucos botões, que é um erro fatal esperar reciprocidade, ou grandes atitudes de quem quer que o seja. o mundo não é um só. existem vários planos de operação, vários países em um - vários brasis, vários rio grandes, várias porto alegres, vários báhs nos caudais guaibenses e, cada um de nós vive a vida segundo seu universo singular cujas leis do arbítrio nem sempre são confederadas a esses outros mundos.

é isso - cada planeta Terrinha possui o seu regimento e não podemos esperar que as jurisdições sejam as mesmas.

carambolas, eita descrença na humanidade com essa tal não esperança do recíproco. ah, melhor assim. menor o tombo.

é difícil, claro, tem dorzinha na jogada, mas os mundinhos são tantos e tão não iguais. apenas não espera. grava isso: NÃO ESPERA. fica fly. é, e quem disse que é fácil ? mas, anyway, fica mais fácil.

sábado, dezembro 09, 2006

religião da vaca louca ra-tá-tá

bah, não tá dando. não tá dando para seguir o blog nos moldes a que eu tanto aspirava. queria algo forte, metralhadora ra-tá-tá o tempo todo a fuzilar letras, a me lavar de poder e fazer da mari, A MÁ-riana, a idealizada matadora, das botinas milico, a atiradora HK di´elite, altas poses, óculos matrix, flagrante maxila cavalar a mascar goma derretida, se achando e estando e sendo a tal sob a napa negra, moldada em tíbias e fêmures ginasticados pro bem na foto, mandando beijos gratuitos com boca de cu enxertada, voluptuosa, em inabalável pose power and glory pelo caco de vidro que corre no sangue Hulk de segurar o dobermann espumoso pelas cordas vocais arrancadas... isso, bem isso, intestinações, quero isso - me chamem guria da ruindade, do pedantismo, a forçadora de barra, a filha da puta, a doente, a navalhuda, a aproveitadora, a atormentada, a metida à boa, uau, há, eu sei, eu sei bem o que muitos pensam, o universo manda sinais, e eu, infalível radar diplomático, óbvio, faço vista grossa, ouvido mouco e voz falha, massssss é claro, natural (coloca o l no palato para falar) que isso acontece, não sigo a linha do café com pão, café com pão, café com pó, café com pô - rra da conduta livro-ponto agradista, mas e então? não tem então, tem o aqui, tem o agora que rosaria ãos nada vãos: n-ã-o m-e i-m-p-o-r-t-o, a-t-é f-a-ç-o q-u-e-s-t-ã-o d-e f-a-z-e-r u-m b-o-m r-i-m-ã-o: tudo vem de lá, lá, - lá do coração boca à fora, furacão! i isso não é um gênero, é uma religião ra-tá-tá do cão.


seguinte, ra-tá-tá transmite a mensagem à ferro e fogo na vida de gado: ó, as pálpebras aqui, ó, colando, caindo, ó, mas olha, olha, olha a que ponto o pacto de ego doido é vanitas vanitae - fiz um acordo de amor e morte ao criar esse caralhoblog - fiz alguns pactos seríissimos, lavados em sal grosso de radicalismo islão. loser? anglicismos amo, mas essa palavra não entra no game, tá fora, porque a peteca aqui não vai ao chão nem morrrta, não, bah, tá louco, não tem largação de jogo, vou atualizar essa coisa até que o teclado afunde, mesmo se a luz não volte, os últimos naipes se rasguem ao pó, até que tudo estoure, esgote em hecatombe galática, às ganha, e mesmo o mundo explodindo lá fora e o blecaute sendo eterno, eu vou continuar à luz de vela e a mil com essa punheta. um gozo, dois gozos, quatro, vinte, 198 não é nada. eu quero mil, eu quero casas e casas de zeros furando a tela pelos lados, empilhando um sem-fim de buracos matemáticos pelo chão de horizonte, eu quero mais, eu quero rasgar a gengiva ao osso, mas engolir uma ótima bóia para a jibóia ficar jóia. e ainda assim, nenhum número nunca vai bastar, porque o Infinito é o Deus do carbono de quem lhes escreve
.


put´s. caiu. caiu no conto da vigária - tô te enrolando desde que comecei a escrever o primeiro parágrafo apenas para dizer que não tenho uma puta idéia boiando dentro dessa cabeça cheia de vazio, e o nada entope, faz pressão, enlouquece, como uma bicheira a fermentar na mioleira do cão terminal que implora, bambo, pelo fim que não chega. cacete, não tem nada, n-a-d-a, n-a-d-a, n-a-d-a aqui, medo, me dá um medo, um tremor cego, eu zonza, tremor surdo, eu zonza, tremor mudo, eu zonza, sei lá, vai ver que é a carne que meu Rei Marido frita para mim e anda fazendo um mal em ondas. pronto, eu zonza, já tá vindo, a vaca louca, tá vindo, vindo, vou criar, eu zonza, criei, uma desculpa, um estilo novo, não vou pontuar, bah, mas isso é estileira? não, calma, lembra, lembra mariana - nada é mais uma grande novidade, tudo se copia e, espera, pô, um átimo apenas, é só até o motor pegar, eu zonza, calma, calma, c´alma, clama, mala, maca, lama, cama, pronto! pronto! vou me atirar, não! não é morrer, tô falando - vou me atirar aqui, na primeira grande coisa qualquer que deixe um über eco decibel dentro do crânio bichado. vou me atirar, o chão é meu amigo, ele só meche pros meus pés dançarem, o parquet faz caleidoscópio marrom e amarelo e minhas unhas estão cortadas, pronto, tô no passo. step by step sem descompasso. pronto! ponto. não zonza, a que ponto se chega. a que ponto se cega. sossega, ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh. não zonza.
alívio. fffveio. tá aqui. pari. não ri. pari. parry, cherry. pra ti.


quarta-feira, dezembro 06, 2006

ah


e tu ainda quer entender o mundo?

ah, o mundo é coisa que a gente nunca se entende.



homo sum: humani nihil a me alienum puto.

Terêncio



julgo que tudo o que é humano não me é alheio.

* tradução by Nada Garantido, aos trancos e barrancos, expremendo a moela no dicionário podre de mofo.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

a dona tevê

frases mui filosóficas de vestibulandos. gostei, por mais que a banca os tenha reprovados, acho massa a linguagem não moldada ao sistema.


a tv deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista.

sempre ou quase sempre a tv está mais perto de nosco... fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro.

a tv é o oxigênio que forma as nossas idéias, por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens.

a televisão ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não.

a tv possui um grau elevadíssimo de informação que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação.

a tv acomoda os tele inspectadores.

a caixa deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral, sendo um meio de comunicação, audição e por que não dizer de locomação?


a tevê ezerce poder, levando informações diárias e por que não dizer horárias?


a televisão pode ser definida como uma faca de trez gumes.


nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a tevê não tem nada a ver com isso.


i

quinta-feira, novembro 30, 2006

7 vidas



7 vidas não são à toa
e até a última gota o importante é ter garra
garrote afiado e tino aguçado

olha! bota atenção i se bobear leva pedra
e no salto ousado não pisca não medra

olha! a silenciosa liberdade das ruas
mira! o vazio é regalo de galo felino

e o cat pulando, escondendo, saltando, fugindo,
gritando na briga que sangra o pelego...

e depois do triunfo a custo de hemácias
a derrota do arrasto já é uma vitória.

e no caminho de volta, um olho vazado
i ! meus deus! ele pronto está para outra estória


mas como?
e agora?


o agora é a glória e o depois já passou.

corre.

ainda restam vidas.


segunda-feira, novembro 27, 2006

lume ao chorume

homenagem aos que mais admiro na sociedade: às pessoas recolhedoras do lixo, que pontualmente e abaixo de chuva, correm arfando o sino da goela para deixar o asfalto mais digno da tua pisada.



sinto que estou sentindo que sou de sentir:

sou um nada garantido vivendo em um tudo comprometido.

uma bronca alma lamentando o estrume

perna abaixo do mundo de chorume

e se ainda houver um lume

aumenta o volume a esse peixe sem cardume

quero ouvir da tua boca se ainda resta brilho,

ou então um vaga-lume

aos lixeiros de betume

que executam sem queixume

a limpeza do pretume.

sexta-feira, novembro 24, 2006

decide o título

querer reproduzir as belas letras é tão ruim quanto querer ser coerente. então assumo minha fraqueza literária, assim como assumo o bostedo bem cagado pelas minhas tripas de classe média ideológica.
reparou? estou a digerir dores para transformar em palavras e, aleluia, irmãos! glória magister patris! aprendo a gostar dessa demora ruminante tal qual um espartano de se refocilar na guerra.

não, não sou e nunca serei um reles pó da história que se acobarda perante as espetadas da verdade. ao contrário - torno-me mais forte ao descobrir que minha razão de viver é desnuda de escudo de terceira pessoa. e assim vou seguindo, vou pagando o preço de envergar estampa ácida. como? talvez um dia eu conte. mas ainda não sei se merecem.

minhas balas têm ferrugem, porque ser cortante não basta, e aliás, pouco me importa ser um exemplo promissor ou maldito, apenas sei ser mulher do meu tempo, o pretérito que se cumpre, por bem ou por mal desta raça. e se esse jeito é errado, eu já não sei de mais nada, apenas deixo à posteridade considerar. enquanto isso, eu sigo os sinais pelo caminho da purificação.

o verbo primeiro é eu cago, e mesmo assim aqui tem jogo limpíssimo, porque a vida cobra tudo. e eu posso esse tudo e assumo sem preâmbulos - não tenho uma teta de piedade de gente mascarada. e.. e, e, e ... iiiiiii sei bem o preço dos meus sonhos e conquisto sem hesitar mesmo se for a tiros. e caso, por piedade, decidas me dar um crédito, palavra - eu te restituo a juros, beibe. tudo isso e tudo o que tu nem viu ainda, porque eu não medro um cisco de morrer.

é, não chega perto. a hidrelétrica tem louca descarga.

segunda-feira, novembro 20, 2006

o médico e a joalheira

Hoje tento escrever com letras maiúsculas no início da frase, apenas para testar o limite suportável desse meu desconforto besta...
bem, apresento-lhes uma cena da vida mais do que real de quando eu percebi que o meu drama, de fato, é estar no mundo.





Envolvidos em seus afazeres em uma bela tarde dominguda, José avista uma faxineira limpando os vidros no décimo andar do edifício em frente ao seu.

- Yara!, Yara! Olha lá!
- Ai, José, agora não posso, estou fazendo as minhas unhas.
- Mas, amor, olha, olha rápido! Olha! Porque eu acho que aquela mulher está com a linha supra-umbilical passada do vão da janela!
- É, dizem que aí é que está o segredo do bom equilibrista: umbigo sempre pra baixo da linha do perigo.
- Mas , Yara, olha, olha lá!
- Tá, José, eu estou vendo o esmero da negrinha.
- Bah! Mas ela vai despencar limpando os vidros daquele jeito, meu deus!
- "Bah!", digo eu. Era bem essa ali que a gente precisava pra limpar aqui em casa.

BUM!

- Yara! A mulher caiu! A mulher caiu!
- José, só um pouquinho, tu ainda não te deu conta que estou pintando minhas unhas de vermelho! Ou tu esqueceu que essa praga da risqué é um parto para tirar o borrado?
- Mas Yara...
- Mas José...estou sem acetona!

sexta-feira, novembro 17, 2006

tortas linhas retas

gostam de anedotas de abstração?
hãm? hãm?
a coisa é mais ou menos como bater a cabeça no vazio para colidir com o não-senso, esse tênue triz de coerência do mistério que nos envolve e surpreende.


"sobre uma escada um dia eu vi
um homem que não estava ali;
hoje não estava à mesma hora.
tomara que ele vá embora."


quarta-feira, novembro 15, 2006

atlântica teta

(sim, aprendi a fórmula de fazer estorinhas para blogs: pequeninhas e ordinárias) não gostou? ah, que pena. então, por que tu tá aí?



não a olhavam mais. mesmo cruzando as pernas, imitando Sharon em estinto selvagem, não a olhavam mais.
os tempos de poder e glória agora eram sinônimo de sertão esquecido. porém, a heroína maria bonita não desistia de alimentar-se dos radares olhares de outrora.
desconhecia derrota e, no final das contas, sempre saía vitoriosa de alguma forma.
a nova estratégia estava dando certo - sacava um atlântico seio para fora da blusa e fingia olhar perdido no horizonte. era lindo aquele olhar e ela apostava todas as fichas do game no infinito de dar seco nos olhos.
a sua retroalimentação umbilical de olhares agora prosseguia com êxito absoluto. todos a olhavam. todos a olhavam muito - na linha abaixo do rosto. miravam, estaqueados, aquele gordo seio pendurado.
feliz ela? talvez, por dentro. pois fora o olhar vagueva no infinito.

terça-feira, novembro 14, 2006

auuuuummmm





fazer arte, essas coisas do mal inevitavelmente bem feitas, pode redundar em perigosa e fascinante lição de amor.



sábado, novembro 11, 2006

uma questã de tempo



eu me desliguei daqui sem desligar.

os últimos dias têm parecido anos de prisão lá fora.

há tempo não há tempo para o tempo.

terça-feira, novembro 07, 2006

;


... tocou no ponto que não é tocável, desenterrando o pior da minha condição humana - a dor. e, justo por isso, ergo agora um monumento invisível ao escarro de meu mais profundo repúdio: a ferida em mim aberta à faca por amor tão forte que esgota a paixão por força do ódio.
essas escritas torpes, que sei por fortes lâminas vocabulares, são zonas intermédias da vivência que estampo sob códigos para apenas poucos captarem. tudo de mais oculto se contém nessa escrita. logo, já não escrevo para os que me lêem e por aí nos ares planam escondidos, ou sequer escrevo para o egoístico deleite meu, e enfim, já não escrevo para ninguém mais, e alma penada alguma. apenas vagueio os dedos cortados entre as teclas por puro vício de parir palavras, e milagre é sair alguma coisa que o valha.

não adianta mais enrolar, chegou o tempo de admitir o que talvez a metafísica constitua para si como um incômodo passageiro: o comixão de minha insignificância que beirou às raias; e admito, sou fruto da semente mais demente do papai fincada no óvulo pontual da mater fucker em 76. na boa, viver é difícil. e a esperança? bom, por enquanto, sei que rima com dança e, então, só peço aos deuses que me concedam o belíssimo nada que lhes pedir antes que eu adormeça o meu vulgar sono de pão, malabares e estradas sem mapas sob o céu de photoshop.
agora, leitores, vou-me. portanto, dizer mais é explicar o que de nada serve, e dizer menos é mentir. as palavras... vejam só! estão falando por mim na mudez imperativa do agora, e se bastam, rainhas, com a voz que lhes é própria.

sexta-feira, novembro 03, 2006

¨



aqui não tem marionete. tem um animal sem coleira cuja liberdade não é mera conquista. é uma sanção com porte de arma.


quarta-feira, novembro 01, 2006

língua de fogo



não posso ter atitude de feto enquanto o meu pulso pulsa taquicárdico; então chafurdo aqui, comendo na mão irascível dessa escrita ao tentar ser uma hércules nodosa de palavras que esconjura verbos até enfartar o coração de sarcasmo. e depois disso, confesso: não há nada que se possa fazer... é falácia, leitor, brotando como fungos na umidade da minha verdade.

domingo, outubro 29, 2006

lembra

naquele tempo ela padeceu mais, padeceu longinquamente, bebendo até as fezes no cálice das amarguras humanas e quase não recuperou o esteio da vida...


e, se acaso o asco voltar, lembra que matar, minha filha, é equilibrar as necessidades universais. quando for a hora, não exita e, antes de puxar o gatilho, faça-o como se fosse uma justificada canção inconformada do eu pelas tuas mãos.
e ao cantar o silenciar do outro, revela um sorriso inexato domado por esse coração que não se mostra, mas que existe e bate aí dentro dessa coisa de aço.
herrar é umano e, enfim, vença ou malogre. só não esqueça: a morte é séria e não admite ironias.

quarta-feira, outubro 25, 2006

shshshst




o dia das palavras desnecessárias é necessário.


mãe crítica desde feto: bah, mas esse post aqui não tem nada a ver, me desculpa, mas não tem nada a ver, mariana.
o eu por respeito fingido: mas mãe, isso aí não é para as pessoas entenderem. basta que eu entenda e já tá bom.
mãe crítica desde feto: mas aposto que nem tu entende! háháháhá!
o eu por respeito fingido: claro que eu entendo, ou tu acha que iria colocar uma coisa à toa, apenas para constar como tal?
mãe crítica desde feto: não duvido necas de pitibiriba.
o eu por respeito fingido: tá bom, então vou te explicar e tu vai entender de uma vez por todas como esse fraseado não é um mero engate do meu automatismo charlatão, e que existe sim, um sopro de vida neuronal na expressão.
é o seguinte: quando morei fora fiz muitas amizades e não sabia falar uma única frase dialetal para interagir, e por mais incrível que pareça, descobri que as palavras são desnecessárias e basta ficar em silêncio perto das pessoas, que isso pode bastar. então, a partir dessa vivência, imaginei que deveria existir um dia no calendário em que as palavras fossem desnecessárias de serem soltas.
mãe crítica desde feto: ah, tá, agora entendi. agora faz um certo sentido; mas só tu que vê isso.
o eu por respeito fingido: mas vai dizer, tu não acha que as pessoas falam demais? ou será mera casualidade que eu e tu nos sentimos mais completas perto dos nossos gatos?
mãe crítica desde feto: ah, eu gostei foi da imagem... mas, mas o que é isso?
o eu por respeito fingido: são bundas, mãe.
mãe crítica desde feto: pensei que fossem dentes.
o eu por respeito fingido: mas só tu que vê isso.


segunda-feira, outubro 23, 2006

cheers!



um brinde à humanidade!
umanidade
uma unidade
úmida
de pura bosta!


uma ida dá de?
sim, uma ida dá de.
da de ver
na verdade
que emana da manada
não importa a idade
uma danação dentata danada

sexta-feira, outubro 20, 2006

céu aquático


caiu o anel no mar e não se deu por satisfeito em perder o seu bambolê de dedo. levantou o tapete de águas e descobriu que os crustáceos têm verdadeiras joalherias sob o manto azul.
os maçons do descuido alheio armazenam as deixas que as ondas malandras fazem cair por água em imensas galerias de enfeites a rutilar...
querem a sensação de céu com brilho dentro das águas para afugentar a tristeza do lixo que veio para ficar.