quinta-feira, julho 20, 2006

cor, coro ... corolarium!

O escritor está sempre buscando motivos para poder trazer ao leitor sensações que remetam a novidades, ímpares sensações vividas, ou um pontinho de vista camuflado no lado B e, sei lá sabe, uma infinidade de atmosferas outras que andam por aí a vagar, - longe, bem longe de nossas viseiras de pouco alcance.
então, crianças do meu brasil catinguento, em meu pleno gozo de férias muito merecidas, busco um motivo verdadeiramente palatável para então trazer-lhes algo que o valha.
conhecem Daniele Krugets? Conhecem Corolarium Band? conhecem?
se não, saibam que segunda -feira, (put´s notícia atrasada é triste, mas sou uma poeta e não aprendi a ter regras), 17 de julho, de 2006, foi a estréia dessa moça e dos guris: Adriano Becker, Marcelo Parker, Zé Trintin, nos palcos de Porto Alegre.

... ah, curiosa foi aquela menina que descobriu o seu caminho quando estava lá, lá - bem lá, no meio de outro e, de repente, quando algo intenso brilhou longe... pum! não pestanejou e foi lá pra ver. pois não é que era brilho de uns meninos que, casualmente, buscavam alguém que se encaixasse para entoar versos cantados em seu grupo? coincidência mera seria?
de súbito, nesse encontro, fomentaram idéias sobre idéias com sementes de cevada no forno dos desejos e, ora vejam só, trouxeram eles, agorinha há pouco, o pão de cantoria semeada, - segunda, no ar do bar do Jackyll.

gosto de pessoas idealistas que têm uma causa e acreditam na idéia por mais que todos possam dissuadir do contrário. e o mundo deve acreditar em suas certezas, acreditar nos instintos que o racionalismo cientifíco veio para eclipsar por apostar em dogmas entrincheirados de arquivologia empoeirada.
instinto. não esqueçam dessa palavra. sigam esse sopro loco que vem lá de dentro da gente varrendo coisas jamais sentidas à toa. e se ele existe bem no fundo das entranhas e provoca fincos na razão é por que alguma coisa deve ser. nada é gratuito, ou apenas sinais só por ser nessa vida. os sinais, minha gente, - os sinais no universo não são casuais semáforos para dar um tempo nas rotas. são mais do que um troca-troca de cores em cima de cabeças a esperar, - são bússulas ávidas e pontudas em inequivocado riste a norte próximo.
Corolarium. difícil trava-línguas bem escolhido pra fazer pega-pega na sagrada cama dos dentes.
Co-ro-la-rium (-treina aê essa língua enferrujada) é a banda em que canta Daniele Krugets - a guria do instinto.



www.corolarium.com
www.fotolog.com/corolarium_band


sexta-feira, julho 14, 2006

cuco-cuco

de repente acorda-se. e nesse outro dia tudo mudou.
nada era como antes e uma nova visão do mundo cola na retina.
não tem como voltar atrás.

quarta-feira, julho 12, 2006

bico bicudo

olha as coisas lá longe. lá-lá-ri-lá-lá!
como é bom sonhar com o brilho dos sorrisos que rasgam os rostos.
bobagem, esse mau humor da humanidade.
por isso, prefiro os cachorros que sorriem a cada esquina por que passo. prefi
ro o bafo canino à marionete ensaiada com boca envergada de circunstância planejada. ah, e quanta náusea eu sinto de ver como é fácil rir bonito que nem em novela da moda.
a humanidade está está rindo toda bicuda. compram fantasia de cara de pássaro e vestem-na todo o dia pra fazer o papel bonitinho que viram na tevê.
cada qual um tem um bico que não muito se difere do outro. e nossa! tem cada bicudo bicando por aí sem saber...
desmancha o bico de araque, vai dar cu nas bica, meu bem, porque o mundo é vasto e vai além.

domingo, julho 09, 2006

ô, mãe natureza

parabéns, squadra azurra.
talento faz os grandes,
respeitosamente grandes.

sábado, julho 08, 2006

o riso do cachorrinho rei

o cachorro era o rei do centro da cidade e de dentro do carrinho de compras raramente saía. ficava sempre enrodilhado em seu lugarzinho de nascença sorrindo para os transeuntes com os pequeninos olhos fechados e a língua bem caída mostrando a bocarra de jacaré do asfalto.
seus donos cediam-lhe sempre o cesto de aço e acabavam carregando os mulambos da batalha da vida e todos cafofós nas costas, mesmo que tivessem muitas coisas para deslocar. onde iam empurravam o carrinho com o cachorro dentro. tremilicando o corpo nas calçadas desfalcadas, ia bem belo, meneando a cabeça para os lados com a carita atorada pelo riso alongado. colocavam-lhe sempre um boné para que não tomasse sol e assim, iam migrando por vários pontos da cidade.
por onde passava, o cachorro exalava uma beatitude ao respirar ofegante, e quando sua língua era mostrada aos passantes, todos sentiam uma coisa bem diferente, aliás, uma coisa extraordinarimente boa! não é que o cachorro realmente sorria?
ali, apartado da guerra diária, sorria ao mundo que passava nas ruas e, em meio às latas de ervilha, embalagens plásticas, cordões e trapos coloridos, firmava o reino do riso dentado.
todos os passantes que paravam queriam tê-lo. todos, quase todos queriam ter o cachorrinho que ri. queriam aquela línguona e os olhinhos cerrados do exultante doguinho para em suas casas viver. não poucas vezes tentaram comprá-lo ou trocar por algo valioso, mas acabou nunca saindo do carrinho do super.
o tempo passou e para os tantos rostos continuava a sorrir sem dali ir para outro lugar. talvez já era feliz com os donos que o empurravam por dias e noites sem o desalojar de seu trono andante. e naquelas ruas todas que sempre iam e viam do cenário movimentado da urbe, fazia o seu reino - no palácio invisível da liberdade.

quarta-feira, julho 05, 2006

evil

the evil recognizes the other evil

segunda-feira, julho 03, 2006

je ne sais pas qui je suis

acordou e não encontrou seu rosto no espelho
tinha ficado entre as páginas do livro
::

sábado, julho 01, 2006

quinta-feira, junho 29, 2006

lágrimas por Marias

O despertador tocou dissipando todos as sensações amargas da noite que se foi. Alcácer Quibir, meio ereto, mas ainda cambaleando, apoiou-se na borda da cama vestindo o seu robe de pelúcia antigo. Esticou os lençóis varrendo a saudade, que, como farelos, espetou-lhe os sonhos durante a madrugada. Viu leves movimentos na rua e então, dirigiu-se ao criado mudo, encheu a mão sobre a superfície do móvel colocando no bolso um punhado das muitas balas que lá haviam. Caminhou arrastando os chinelos até a porta da sacada e deteve-se nas crianças que brincavam num louco vai-e-vém. Mirou nos postes de luz os costumeiros pássaros equilibristas daquela mesma hora de sempre, crispando os olhos desabituados à luz matutina. Chamou-lhe atenção pelo revezamento de cores o tecido xadrez do vestido de uma menina que brincava conversando com seu urso sob o arbusto da entrada do prédio.
Esboçou um sorriso enferrujado a ela, encontrando, meio de súbito, a solução para a insuportável dor da saudade vivida depois que Maria Morena se foi. Fazendo gestos lentos com as mãos, comunicou-se com a menina de tranças que balbuciava ternuras com o seu brinquedo. Alcácer através da cadência ondulante dos dedos a girar entre si, propôs uma troca. Sua voz não saía. Tentava, emergir sons de dentrode si, mas nada saía. O mundo havia amanhecido mudo e era o dia das palavras desnecessárias; e por isso, a menina esforçou-se em entender o que o desejo aprisionado de Alcácer não conseguia dizer com os lábios. Ela fez menção que sim, que aceitava aquilo que ele propunha, baixando e levantando o pescoço em um intermitente movimento assinte de cabeça.
De repente, Alcácer arrancou a própria cabeça do corpo e lançou-a por entre os galhos secos junto às balas azedinhas que estavam em seu bolso . Tudo vôou muito rápido ao colo da pequenina menina. Ela recebeu a si os objetos, guardando as balas como tesouros na bolsinha atravessada ao corpo e enamorou-se perdidamente pelo rosto de anjo triste que em seu colo buscava aconchego. Abriu delicadamente mais os olhos da cabeça, ajeitando os cílios de modo a dar às pálbebras forma de trombinha de borboleta. Mas os olhos insistiam em se fechar. Então, sob um enorme esforço indizível, quebrou o silêncio conseguindo murmurar algumas palavras em um sussurro ao pé do ouvido de Alcácer:
- Maria, meu nome é Maria Naremo. E os olhos da cabeça começaram a verter lágrimas. As lágrimas eram de um azul muito azul da cor de mar e começaram a tingir o colorido do vestido. Na comoção que não cabia mais no coração de Naremo, arrancou a cabeça de seu urso, lançando-a diretamente às mão de Alcácer que, sem rumo, ainda estava na sacada.
Naquele instante muitas coisas mudaram. O gesto de Naremo fez com que ele pudésse sentir muitas outras tantas de novo. Com a cabeça de urso entre as mãos, Quibir sentia que havia conquistado algo novo, diferente de tudo e com um delicioso sabor de infância. Colocou a cabeça de urso em seu tronco e sentiu um enorme desejo de se lambuzar de mel. O amargo da saudade de Morena agora era desejo mais intenso de mel cristalizado na boca de um novo Alcácer que nascia com novos olhos. E sentou-se na cozinha a lamber um pote de mel.
Naremo ainda sentada lá em baixo penteava os cabelos da cabeça chorona de modo a fazer-lhe penteados marítimos dos reis dos mares. Depois de enrolados os caracóis nas melenas do brinquedo, pegou o lápis da bolsinha e começou a fazer-lhe desenhos de ondas no rosto. O xadrez colorido intimidou-se com as tantas lágrimas vertidas e subiu para o tronco. O vestido de Maria estava agora diferente - todo azul e brilhava muito, como diamantes puríssimos em uma linda sereia que brincava molhada em baixo da árvore.

segunda-feira, junho 26, 2006

o rubro mártir de pregos

Foi nas brincadeiras de criança que Mohammad Hilu aprendeu a amar Alá. Uma cambalhota aqui - um beijo no alcorão, acolá. Três pulos lépidos na educação física - três Al Auákba balbuciados no descansar. Para achar os escondidos da cabra cega de lá - era o entoar dos cântico Al AcQsa de cá.
Cresceu adorando Alá e seus ensinamentos proverbiais. Aprendeu que o paraíso é possível e existe por sobre as cabeças dos merecedores da glória - e a escolha de adentrá-lo é meritória empresa afeita somente aos fortes. Um busto em praça pública leva o salvador do islã que não pestaneja ao prescindir da existência. Decidiu, então, que seria mártir e nada alteraria as já traçadas linhas de sua vida. Sua missão nada mais era do que honrar o sagrado livro ismaelita acima das prêssegas borras de café do fundo da xícara que lhe anunciavam vida longa.
Sapatos novos imaculam os passos sangüentos no céu em dia de subida. Libertação pelo corpo acinturado de bombas. E antes de empreender o ardil, a genitália jamais deve ser esquecida de se enfaixar com gaze antes de lançar-se os ares. E pregos, muitos pregos consigo. Setenta e duas virgens esperam o mártir que não conhece os negaceios dos que têm dúvidas.
Cidade santa, o sonho acalentado de todos os seguidores da Jihad. A Jerusalém multiétnica é redenção idealizada em dias das brincadeiras infantes dos que sonham em ser heróis.
As gazes haviam há muito na gaveta. No armário, sapatos novos para um dos casamentos mais próximos. Na cabeça, a kafia envolta em planos ainda incompletos por detalhes ínfimos. Para a libertação na subida, sabia que crivar peles era o de menos. Mas faltavam os pregos.
Na manhã de quinta-feira decidiu que era o dia clandestino. Viajou como doente transpondo a barreira de Gaza em ambulância do Hamas. Ao chegar em Jerusalém desceu à avenida Ben Iuda, entrou em uma ferragem para comprar três sacos de meio quilo de pregos. Em cada porção da indumentária com divisórias adredes, os dispôs diligentemente. O cinturão de bombas enfeixou por sob as roupas sobrepostas . Caminhou à estação de ônibus escolhendo a linha dos jovens estudantes. Leu mais uma vez o Corão, enfiou-o no bolso às pressas e subiu as escadas com uma convicção inabalável que lhe deixava os olhos estáticos no nada. Posicionou-se ao centro do veículo sem se ater aos poucos lugares ainda vagos . Gotas de suor sudavam-lhe a testa e sentia um frio que vinha de dentro da sua alma.
Três estações após a partida decidiu mostrar ao mundo a sua causa. Escolheu o momento exato como imaginara nos esboços da véspera - em frente as lojas da avenida principal. Nesse momento já não sentia mais o frio, apenas o desejo de liberdade em frente às vitrines da cidade.
Antes de ônibus ganhar movimento dianteiro vociferou :
- Al Auákba! sacando o pino ao estopim. Entre o istmo do barulho e o depois - o caos - o tudo apocalíptico, o inexplicável mar vertendo sangue em córregos. Mar vermelho corrente no chão de pedra. Vitrines lavadas de rubro cólera na cidade santa. O sonho de Mohammad em meio a fumaça da explosão. O frio de sua alma agora era o fogo junto aos pedaços de carne incrustradas por pregos que jaziam na calçada junto a muitos livros. Escalpos e vísceras no asfalto, mochilas jogadas em meio aos destroços e a lataria do ônibus estourada cuspindo poucos corpos ainda vivos.
O mar vermelho abriu-lhe passagem por entre os gritos horrendos dos passantes e luzes das sirenes. Na calçada, jazia ao lado do livro sagrado, Mohammad. Semi-nu, de pele queimada e com o desfacelado rosto molhado na pastosa poça de sangue. Uma armadura humana coberta de pregos. Apenas o gaze intacto. As escassas gotas trazidas pela rala chuva tingiu o chão. E no chão, ondulando as folhas ao vento , o alcorão, cada vez mais cobre.

sábado, junho 24, 2006

iô-iô

::
iô-iô,
em tempos de provas não nascem idéias
apenas vontades de tecer tramas
de cachecol de lã di lhama
pra te enrolar direitinho
nos malandros meandros
que eu armo
pra ti
::

quinta-feira, junho 22, 2006

!

os ovos estão ficando otimistas.

quarta-feira, junho 21, 2006

bunda cívica

meu bem, há um ligeiro equívoco em dizer que o patriostismo arfa nos peitos envergados por T-Shirts cinco estrelas...
a independência da terra das bundas foi comprada com baldadas de ouro.
relax, beibe, um país que compra a sua independência jamais será patriótico!
digamos que..., de sobejo, nutrimos pelas entranhas da terra valerosa, um indiscutível tesão cívico ainda inexato de ser avaliado, porque cá pra nós, os vapores do pão líquido obnubilam o racional....

terça-feira, junho 20, 2006

monday self-portrait

tchaka tchaka
querendo ser butchaka gilette
no autoretrato da segunda sem lei
de cem vezes tédio bem cabeludo de selva
a lâmina, a lâmina,
mina bandida,
não é pra ser lambida...

sexta-feira, junho 16, 2006

silver hair and mr. time

Vivente, tu já parou pra pensar no que te deixa com os cabelos brancos? No ponto, seja ele partícula ou pedrão, que te desaloja do teu eixo da sanidade? Well, enfim, cada um de nós possui a sua questão paradigmática, a gota d´água transbordante dos nervos que faz o espírito perder a estribeira e virar um híbrido centauro - só que no caso aqui, ao contrário - com a cabeça de um cavalo bufante, por viver situações tantas e intoleráveis da vida, mesmo você não sendo um pure head horse with human being´s blood?
A coisa que mais abomino é esperar. Esperar retardatários, para mim, é passaporte certo para eu perder todo o clima de entusiasmo ou de alegria por durantes algumas boas horas, chegando ao cúmulo de não haver prognósticos para o desarqueamento das sobrancelhas. Posso até fingir que dissipei nuvens cinzas, porque viver em sociedade, fatalmente, nos impele, desde tenra infância, a lançar mão de necessários recursos de atuação, mesmo que a contro-gosto. Faz parte do jogo das relações encenar o arco-íris e cantar o sol e chuva é casamento de viúva depois do mau tempo que já se foi. E quem não o faz, me desculpem, é ermitão dos brabos.
Dispor meu tempo para ruminar o atraso de pés que nunca fazem chegar me é incontrolavelmente sufocante. O tempo esvaído possui uma conotação valiosíssima pra quem não o dispõe aos baldes; e saber que ele simplesmente se foi, na airosa bandeja da disposição à toa, sob o guardanapo, com limão, bolinhas de gás e gelo para os goles do ministério dos ares que não serão bebidos, é motivo pra eu desejar pragas mesmo aos que mais amo. A verdade é dura, leitores, mas todo mundo tem seu lado enegrecido. Ou pensas, tu, que falo somente de flores, amores e poesia?
O Tempo não Pára, grande Cazuza! e seu eu fosse teu empresário, seu poeta-anárquico a James Jean desse céu tão grande, teu disco ia ter sido O Tempo não Volta. O tempo não volta, não! e não passa pra mim quando há a eternidade dos passos de um lento alguém despercebido com a minha bunda amassando esquecida no assento.
Passos lentos no retardo dos ponteiros, puts! na bucha, são os avais certeiros para obscurecer minha visão acerca da humanidade e de sua tão discutida evolução astral.
Esperar 10 ou 15 minutos, eu engulo, finjo que não é nada, lustro as unhas na lixa gasta do estojo e, meio que tento, refletidamente a cada quarto de segundo, convencer a mim mesma de que estou ficando velha; mas depois meia hora no banco, meus senhores... definitivamente, minha narina sardenta despede-se dessa característica tão humanóide, e uma chaminé maria-fumaça apodera-se das minhas ventas e venta muito! Aliás, venta furiosa, expelindo o vapor condensado dos momentos de aguardo sem importar-se minimamente em fazer sauna a quem quer que seja. Afinal, desintoxicar-se do ódio pela perda do tempo que não tem seguro e que não vai voltar, pôrra, é necessário! Não acha?
Existe uma oceânica diferença entre fazer o tempo passar, e fazer o tempo esperar. Passemos, preclaros, a segunda análise da afirmativa por uma questão de objetividade. Fazer o tempo de alguém esperar, corresponde, nada mais, nada menos, do que roubar acintosamente a virilidade dos ponteiros alheios. É esquecer, sem dó, dos giros da ampulheta universal e ainda, descabidamente, fazer com que ela crie asas pontiagudas de morcego voando às cegas... a assim deixá-la... girando e voando ao léu, só porque é quase um batman em inércia abandonada e qualquer coisinha... ah, ela chama o Roby.
Fazer o tempo passar, tchê, é o agora acontecendo, é tu aqui, me lendo nessas últimas linhas (se é que conseguiu chegar até o final), não se dando conta das coisas que têm a tua volta e, principalmente, que nem existe o tempo...
há tempo.
E quando vai ver, fupt!
já passou.
E então? Foi legal passar aqui, não foi?
Claro, eu não te fiz esperar por nada.
N

terça-feira, junho 13, 2006

woodstockball

Não adianta fingir, muito menos fugir, o mundial domina todas as atenções e sobrepõe-se a todos os assuntos do momento. A vida, a cidade está toda coberta com a horrenda cor verde-amarela por todos os lados. Vitrines, roupas, chaveiros, bonés, propagandas vertendo, com profusão, a ideologia de ser o melhor do mundo na arte do drible. Haja santa paciência. Ligar a televisão é permitir banhar o cérebro na enxurrada verbal futebolística que está no ar, e cada minuto, cada tropeço, cada pulinho, piscadela ou arroto de jogador de algum canto do mundo é aproveitado para fazer alguma reportagem.
A Copa é a mídia; e óbvio, sem a mídia, a Copa seria mais uma sucessão de jogos pra ver na tardinha de um final de semana, ou se não sabático, ou de domingueira, seria sem direito à folga do trabalho para se esgualepar gritando lá vem gol, lá vem gol, lá vem gol, junto à voz douta do Galvão .
A lavagem cerebral beira o ridículo dos seres que tinham a chance de ficarem calados e icólumes à queimação de filme. E como é triste ver esse planeta dos macacos carente de bananas. Tupi or not Tupi? That´s the question. But now, the answer is Tupi, bananas e Ronaldanas.
Enquanto os outros países contam com 60 ou um pouco mais de jornalistas, o Brasil está com 160, todos ébrios de seus peitos cinco estrelas valerosos, socados em salinhas, transmitindo as bolhas que vão e que vem de Ronaldo, preferências entre meias azuis ou brancas para a estréia, comparações entre as gerações da camisa 10 de ontem e hoje, amontoados, febris, fazendo enquetes de "quem chuta melhor? o destro ou o canhoto? ", ou então, falando abobrinhas de casualidades ou superstições, dando pitacos antes mesmo do juíz apitar a partida... e tudo isso, preclaros, com a farda cor côco de pássaro envergada num lombo que sustenta uma cabeça que deixa a boca rir sozinha de um não sei quê.
O resultado no placar, às vezes, importa menos do que aquilo que rolou na imprensa antes ou depois do jogo, e fazer clipe clichê é vanguarda inegável- assim como o pretinho básico está para todas as mulheres que saem à noite, o clipe dos machos dominantes em campo e seus bíceps femurais em movimento está para a estampa da camêra nesses dias de junho ...
Bom, pelo menos, no randevous desse woodstockball ideológico, o Fenômeno voltou a mostrar que faz jus ao título, e aliás, deu um belíssimo drible no chefe da nação, justamente na grande área das metáforas futebolísticas e auto-estima. Revidou com firmeza a insinuação de que estaria acima do peso e comparou-a às fofocas sobre as pujanças alcoólicas presidenciais. Lula, o goleiro-presidente, poderia ter ficado sem esse frango.
Ué, talvez, o Führer da Silva absteve-se de dar o troco, porque a mídia poderia colocá-lo contra os jogadores; e, neste momento, se existe algo intocável neste país, não é a Constituição. É a Seleção. Enfim, já sabemos, já sabemos de todos esses truques cíclicos que vão e vêm em nossas telas - é necessário entronizar seres, já que, dificilmente, conquista-se reconhecimento por algo bom, made aqui.
É, quem nunca come azeite, quando come se lambuza.

segunda-feira, junho 12, 2006

que dia é hoje?

hoje é dia de abraçar, dar beijo bom e ficar em silêncio
porque a voz lá de dentro quer a palavra
silêncio, a voz de dentro é juíza togada
ela bate o martelo - e a sentença do dia é fazer poesia!
o bulbo, na quietude do inverno - TUM-TUM-TUM no peito
e tu, veja só, nem pisca direito
um olho no outro olho agora demora
pois não é que é a hora?
sim, é hora
de brincar com palavra amora
separa, não chora
eu não vou embora
brinca, ora!
é só amor - a
em amor há
e há?

domingo, junho 11, 2006

pega e cola na cara

óculos, occuli, mishkafaim, sunglasses... será que em todo o mundo existe esse muro da veste ocular?
ah, se todas as pessoas usufruíssem da luna de olho para ver o mundo mais ao cerne de sua essência... provavelmente, coisas tantas e inesperadas seriam reveladas; aliás, as mesmas coisas, no mesmo cenário sob outro viés, tal qual um vivo negativo ao vivo.
e, tu, que está lendo, aí? já percebeu a vantagem de ter uma luna pegada na cara?
pena que à noite é piegas sair de cara velada.
o olhar por olhar, o olhar sob o ímpeto do interesse pelo diferente, já reparou?, não pode demorar-se pousando, e mesmo sem pretensões segundas ou centesimais, quando dá vontade de ficar analisando cada pedaço de um alguém interessante ou nem tanto pelo ante, não dá pra ser assinte declarado. que pena. é tão bom ver a fundo o tudo do mundo.
de onde vem esse instinto do não delongar o olhar? provavelmente, preceitos mezozóicos dos primórdios, cuja fixidez da retina na outra, convite era ao desafio corpo-a-corpo.
parar para fitar mais tempo aquilo que sem o óculos seria mais um olhar disfarçado de seguir protocolo de conduta, é ver lá mais lá dentro da coisa toda e em todos os seus pormenores.pocotó, pocotó, pocotó com ferradura nos protocolos!
o fitar radiográfico pode trazer muitos significados a respostas de perguntas não perguntadas. afinal, é tão ímpar ver as imagens humanas, encaradas de perto e quando o outro não percebe! justamente! justamente! vê-se mais porque não vêem que a gente vê.
enfã, seja na itália, seja em pequim, ou lá na vila jardim, o óculos é um pára-quedas de acrílico, uma veste durona que permite vôo sem sair do chão - pode-se, no exato foco do interesse, congelar as vistas e não quedar ao belo sem conferir poder ao seu detentor, rir do ridículo disfarçando que é da revista; e, claro, podemos alçar vôos outros com as coisas loucas e esdrúxulas dessa vida, embriagando os sentidos da lucidez com aperitivos, que não seriam aperitivos quetais sem a luna.
em tempo, não é bom alimentar egos com o olhar - um olho alimenta um outro olho; e nem sempre aquele vistado é merecedor. o bom é deixar sempre a dúvida do porquê do não-olhar!
luna una, luna duna e tu, toda tapada - e o mundo, ali, desnudo, de frente, em todos os seus matizes.
pega. te apega e cola na cara.

quarta-feira, junho 07, 2006

suada pele de álcool

continuando a nossa conversa que nunca iniciou, confesso que tenho sentido muitas saudades da infância e do tempo quando tudo era mais verdadeiro e não havia essa hipocrisia aos cântaros, vertendo a ladeira da existência. com licença, dalvinha, vou acender um charuto em meio ao incêndio que enegrece a tua imagem.
would like some drink? tem cachaça, tequila oro, martini, vinho cavalleri e cachaça de itapuca.
bah, pena que deixei a máquina do tempo na casa antiga. ah, máquina do tempo... só ela poderia voltar atrás e estabelecer a minha consideração genuína por ti. mas a escolha foi tua, trocaste uma parceria de data por uma suada pele de álcool. acontece. as escolhas são caminhos intempestivos, mesmo... e de repente! pum! caem de pára-quedas dois porteirões estaqueados e verdejantes, - duas trilhas de uma vez só piscando um alerta intermitente com a purpurina do Laffon. se apresentam como relógios-cucos, tic-tacs loucos e alegres, sempre pontuais abrindo portinholas convidativas a celebrar o tempo... pena que a gente sempre escolhe aquele cuja mola é mais fálica. pena essas escolhas fast food com molho branco. a gente confunde tudo. eu sou a pequena brincalhona da mola soldada, não tenho um molão, não bato um bolão, mas sou amiga acima de todas as coisas.
- mais um martini?

segunda-feira, junho 05, 2006

aliens na escolinha

aqui, quem redige é miriam wordsworth, e segue nas linhas abaixo, a entrevista bombástica com uma das aluninhas que tem a camiseta suja de vômito em virtude de acontecimentos estranhos que ocorrem em sua escolinha de gente crescida.
esse vômito, Mariana, de onde vem? o vômito vem da minha verdade mais pura. a coisa é incontrolável, e eu sofro cada vez mais por ter que ficar com a camisetinha colada com peptina gástrica no peito.
e tu não tem vergonha de ficar vomitada andando por aí? vergonha eu tenho, né, mas na verdade, essa sopa que sai de mim é uma manifestação assintomática quem vem sempre quando estou na aula de sexta.
mas afinal, quais são os dias que andas vomitada? sexta-feira.
por que logo nesse dia tão out? ah, depois que uma nuvem começou a entrar pela janela e largar uma chuvinha em microgotas por toda a sala... eu comecei com isso e, talvez seja um dos motivos que está me deixando assim.
mas tu não tenta te limpar? tentar eu tento. mas o vômito volta quando eu entro na sala de aula e vejo as coisas que têm lá dentro.
que tipos de coisas? nuvens, monstros, muitos monstros que gargalham exalando um ar ácido por todo o ambiente. eles fingem que são alunos, mas quando a professora vira de costas, eles voltam a forma que têm no planeta Pata Medalha. bem, pelo menos foi isso o que me falaram na última aula. disseram que gostam de coabitar o espaço com seres que se julgam superiores. e o que me amedronta, Miriam, é que eles pegam essa energia dos pretensos déspotas pra ficarem mais fortes e, então, continuar a exalar o ácido pra fazer com que os alunos mais fraquinhos andem vomitados passando vergonha. é horrível ver o ácido saindo daquelas bocas. e pro ácido sair é só dar uma risadinha.
explica melhor? é isso aí mesmo, quando mais besteiras galopantes o professor fala, mais fortes eles ficam, e mais gás é exalado pra deixar as pessoas abobadas e vomitadas.
mas quem é esse professor que atrai os monstros? não posso citar nomes, mas te asseguro que é a configuração mais perfeita do homo imbecilis galopante e, inclusive, demora segundos para dizer clichês monossilábicos; e , puts, é nesse contexto que os monstros largam o ácido. e pra piorar o quadro do meu pavor, quando começa a citação do sem-número de publicações das revistas mausoléu e tutankamon, eles largam uma geléia em baixo da cadeira. o que me apavora cada vez mais é que o professor nunca vê o que está acontecendo, pois dá aula de olhos fechados! os montros estão ficando mais fortes... eles crescem de tamanho a cada repetição de vício de linguagem! e o profi de sexta, tem isso, essa mania de repetir os sons de zoológico quando quer linkar um pensamento ao outro. o "ããã", "ããã", "ãããã" dele, tá fazendo os montros crescerem! e eles chegam a crescer de 10 a 15 centímetros em cada aula!
tá me dando raiva essa situação, sabe, porque só eu e mais uma colega enxergamos isso! se, pelo menos, o professor falasse menos ãããs, eles não cresciam tanto e não espraiavam geléia pro nosso lado.
e por que tanta raiva, mariana? não é raiva, dona repórter, é uma questão de intolerância, mesmo. intolerância por não entender como é que seres medalhões, papagaios do óbvio, ocupam os bancos de docência e deixam os montros crescerem tanto e largarem mares de geléia em nossas roupinhas tão limpas!
e agora o que tu vai fazer? eu? eu não tenho nada a fazer, sou uma reles acadêmica, uma refén de alienígenas. apenas aprendo exatamente como não ser, pros monstros de amanhã serem apenas bolotas de um sorvete derretido.
Não percam a próxima entrevista com a outra aluna que se vomita e ainda regurgita!Miriam Wordsworth, diretamente para a tribuna ócio mental.

quinta-feira, junho 01, 2006

aviso aos queridos navegantes:

não estou com preguiça de escrever, apenas estou sem computador e não tenho previsão de retorno.
placa mãe queimada e um monte de tempo para conseguir arrumá-la. vamos ver o que será de mim.
por enquanto estou out da vida virtual. perdoem-me, queridos, em breve retorno com muitos outras estóurias loucas e quase reais....

quarta-feira, maio 24, 2006

notívagos olhos teus


bom dia, morcego. já é hora de dormir. o ar matutino começa a enrigecer as tuas asas e obstruir o sonar. e quando a aurora rompes, são as fendas das cavernas que estão estreitas para entrar.
não mais à mesma colônia pertences, e teu segredo, é que buscas outra a cada troca de luar. eu sei. eu sei desde um tempo em que voava rasteiro sob a lua. mas mudei o eu voando o breu. o escuro e as asas implumes no inverno não mais em mim estão. agora o tudo de antes são penas de um livre colibri tropical. não mais vejo estrelas e corpos celestes empoeirados. nuvens fofas e deslizes por sobre o mar é a nova vida. meu mundo novo, nem melhor nem pior - apenas distante das corujas.

apartados foram os amigos-cúmplices por serem espécimes de morcegos inimigos. foi feitiço. feitiço forte de muralha protetora da terra santa. a vontade de voar juntos resiste, agora atravessada por um muro. um murro no muro - eles ainda querem voar juntos. e voam - na distância das vidas paralelas, quando um é sol, o outro é lua. mas ainda estão juntos. encontram-se a cada novilúnio, em breves intervalos do amanhecer. porém, o súbito descompasso das asas não deixa prosseguir a cadência. o morcego tem as vistas feridas pelos raios vindos da quinta grandeza estrelar e, cada vez mais, é difícil continuar o breve encontro no ar que espalha o ar.
o pássaro empresta-lhe, então, um dos seus olhos para que juntos possam ver a aurora nascer no mar. um novo panorama da vida preenche a retina do morcego e, ao vislumbrarem juntos o bravio atlântico, o colibri entôa a voz:

- não seduz nem consola essa inércia abandonada - o alembrar das coisas tantas lá de trás, ou ver o agora de nós - o brando sossego, enquanto as árvores crescem, as águas correm e as vidas nossas simplesmente passam sem chegar. assim vivemos. assim estamos - num estar separados juntos.
bom dia, morcego. já está quase na hora de dormir. aqui é o outro mundo onde teus olhos notívagos necessitam de acalento às pressas com compressas de romã. não existem româs onde o atlântico vem banhar. quero entoar um cântico com voz de fada que exale um hálito balsâmico e, ao cantar, atenue o emaranhado de pensamentos noturnos nascidos na caverna fria que deixaste. mas não há tempo para cantorias. não há. ela ficará apenas na vontade. já está quase na hora de te ir. deixo-te. vôa pra lá, só não esqueça: eu falo a tua língua, mas aqui é difícil de entender. as cortantes ondas sonoras de ti são como fios de lã de escondidas pontas enleadas. me diz, me diz como, como então desenlear? se não há tempo!
agora é tarde, morcego. não há nada que se possa fazer. vai-te.
bom dia, amor cego, agora é hora de dormir.

sexta-feira, maio 19, 2006

hoje

a chuva inesperada é boa pra sentir a levada vida lavada. o tudo lá fora se modifica com as gotas do céu. o dentro da gente também. o dia não é o mesmo dia das brisas mornas. um amor imaculado o coração amolece, o pensamento deseja refúgio e principia a emergir das profundezas da alma uma saudade sem explicação direita. a garganta é invadida por um amargo, e a saudade do nada, que no fundo a gente sabe de onde, é aguçadamente salgada pelo refletido brilho da rua.
nas calçadas, movimentos de corpos nebulosos são distorcidas serpentes amorfas mexendo nas poças e, abandonadas, convidam o outono a cobri-las com o manto que voa. vai ver que as chuvas outonais são pra tecer manto no coração dos homens também. pra tecer, lavar e fazer voltar um tempo bom abaixo de chuva.
jaz no chão um colorido vindo das copas das árvores. as folhas multiétnicas misturam-se em pé de igualdade e, na simplicidade de suas formas, dão luz ao belo em cima das lajes. nascem filhas da beleza na água - e mortas dão um sentido vivo aos olhos. os cabelos caídos das árvores dão beleza à vida. então por que insistir em varrê-las no outro dia?
escondam as vassouras dos varredores depois que a chuva passar! o vento sopra depois.
as entapetadas ruas sem os homens parecem finalmente revelar-se mais inteiras no vazio do silêncio, e longe do papel de cumprir o ir e vir dos passos, são o túnel mais poético para o amor proibido se encontrar às escondidas.

quarta-feira, maio 17, 2006

susserana

hoje sou uma personagem susserana
uma escrava suja de vômito por causa da marola do templo abc.
preciso da arte mais perto de meus olhos. não vejo nada daqui.
o aqui tá grey. quero ser um desenho e viver rodeado de cores.
não mais o cinza.
não mais.
o cinza dos sorrisos dos professores cansados
me deixa com medo da vida como ela é.
eu preciso fugir de tudo aquilo
e o tempo não passa
e as algemas estão cada vez mais apertadas.
as chaves?
onde estão?

domingo, maio 14, 2006

câmbio, comunista

minha doida comunista
crítica rebeldemente idealista
sempre me corrigiu os escritos
me achou pedante e exibida um dia
disse que eu dava voltas no texto
pra mostrar ao mundo coisas sabidas
nos intervalos daquelas novelas chatas
me ajudou a construir sentido às quase crônicas
impunha regra para lapidar as composições confusas:
entrar no quarto fumando
e daquele teu jeito de cowboy poderoso
de cigarro gangorra no canto da boca
encarava meu barroquismo
o parquet sujavas com as cinzas ao me ler
teu duelo era aniquilação dos meus excessos
e engraçado
teus pitacos não precisavam do cinzeiro
pois tu, uma pomba-gira de terreiro
nunca ligava pro braseiro
a escrivaninha virava um incensário
como eu odiava aquelas cinzas do teu free desnecessário
mas tinha de me submeter - era uma troca
as cinzas pelos teus eflúvios mentais
hoje vejo
melhorei na lição que tu tentavas me transmitir enésimas vezes feito uma autista
até virar uma música
bem chata, por sinal
a música, lembra?
era o teu repetir robótico das minhas asneiras escritas
até eu sentir que eram absurdas
me diz uma coisa hein?
valeu a pena ?
te deixo o gancho, camerad.

quinta-feira, maio 11, 2006

manancial

a preguiça que sobrepuja o espírito
é como um cavalo que trotanto o bosque em velocidade
cai sem querer na areia movediça
e seu magnânimo corpo lentamente vai indo prum fundo
vai se indo profundo e sem fundo
o vigor das patas de guerra agora é um pedalar de astronauta perdido
não consegue fugir
nem vencer o cansaço
não há fundo no nada que puxa

já não consegue mexer
nem subir para a grama
fazer o tropel retumbante dos cascos
voltar a pisar à terra
as heras rasteiras
não há fundo
apenas seus olhos ainda são livres
percorrem os lírios da mata
brilham como quando veio ao mundo

está tão quentinho ali
um imenso cachecol amorfo se entretece envolto ao pescoço
a densa lama emoldura um quadro
onde as crinas voadoras são disfarçadas algas contorcidas
nesse instante o derrotismo é bálsamo que liberta
as testemunhas do mesmo lodo
são efêmeras bolhas explodindo gordas
e não viverão muito
porém celebram no manacial
o vôo de um cavalo alado

terça-feira, maio 09, 2006

domingo, maio 07, 2006

alienígenas na modorra

as alienígenas de um condado longínquo
não fazem parte do feudo normótico
a modorra dos seus dias sem arte é orvalho de estriquina no entusiasmo poroso
o fastio do templo nocturno esvazia
esgota a tolerância
eleva os níveis da náusea
faz a boca viver em bafos de suspiro
são seres em ponto de transição histórica
não estão lá
nem aqui
vivem o dilema do errante
porém sabem onde querem chegar.

quinta-feira, maio 04, 2006

o medo

o medo quando nos acompanha, pode roubar oportunidades. por ele, dilaceram-se alguns dos verdadeiros amores da vida. o medo é o guarda de trânsito que por acaso foi apitar no asfalto, quando na verdade, era pra ser aviador. sua frustração transforma-se em um autoritarismo desviador de espírito pra rotas outras.
ele existe como um audacioso rei dos ácaros e faz uso capião no velho carpete que tão cedo não será trocado.
o medo começa mais ou menos como uma repetição de um pensamento negativo que por má-programação do axônio, perde-se no labirinto da cabeça. depois de o medo se perder, Ele, por ser o medo, tem medo de pegar outra rota, então, começa a fazer sempre o mesmo caminho nos sulcos dos neurônios, tornando real o que era pra ser apenas um lapso do mal.
o medo cava buraco no cérebro tal qual assoalho gasto de patrimônio público. e não adianta chamar s.o.s-sinteco. sinteco novo não dura onde tem muitos pés. pode testar. é mesma coisa que nada. o medo é como um hóspede bandido fugitivo, que faz as malas da hospedaria por medo de sirene da ambulância. o medo é bem medroso. o medo só pode ser pego com algemas especiais - as da consciência.
e não é que o danado é como raça de bandido mesmo?
depois de capturado sempre tem um outro rondar por aí.

terça-feira, maio 02, 2006

ponto de vista

ponto de vista
pontudo
agudo
no ponto
não morto
afiado
na lata
assinado
na ata
odiado
me mata
se incompreendido
não ata
motivos
pra constar
na errata

meu ponto de vista
são listras
de zebras
azedas e ébrias
que fogem
das sendas
e pousam
em moendas
não medram
ao ataque
mas temem ao Iraque

nãoháque !
nãoháque !
nãoháque!

meu ponto de vista
é um porto seguro
desliza no duro
masnuncaemcimadomuro
o ponto de vista
é de uma trapezista
sob viés anti-hitlerista

resista!

domingo, abril 30, 2006

avoue hou la hou

a gente pode tudo
tudo qui quiser
é só fechar os olhos
imaginar bem forte
i as coisas acontecem
vôe
i se algo seu for embora
vôe
si o sentido de tudo desaparecer
vôe
avoue hou la hou
vôe pra conquistar
vôe
lá de cima tudo é pequeno
e vilanias são cabeças de alfinete
que dentro da caixinha
amontoam-se em desordem
esperando a vovó Não-Volta pra arrumar
vôe
vai!
avoue hou la hou
chama o vento
pros cabelos
vôe
e de lá
jogue estrelas de algodão
aos dissabores
sorrisos
aos que invejam
avoue hou la hou
vai

quinta-feira, abril 27, 2006

tirinha de rafael sica









sem mais tanto tempo pra compor minhas idéias como antes, hoje deixo um quadrinho muito especial de rafael sica, que ilustra perfeitamente a realidade de muitas salas de aula do mundo. eu sei - eu sou professora e aluna... conheço as duas faces da moeda!

especial pra demônio

vai um santinho aê?
vai, pega
é pro teu bem
pega demônio
tu é um demônio
teu truque é a língua
e gemidos bem falsos
finge bem o céu
e está lá no bebeléu
pra caralho se acha
e nem é tanto assim

tem lá o seu charme
e um garfo em brasa
um cheiro de asa
mas é um demônio
um demônio que arrasa
em piscina sulfúrea
na raia ilusão
prega até o alcorão
nada em ingratidão
e o teu futuro cão
é voar num balão
BUM

segunda-feira, abril 24, 2006

lutar com palavras

perdi minhas escrituras de hoje quando a manhã raiava. e que raiva, era pra vocês.
volta e meia rumino a sensação deletéria de perder palavras. e perdê-las é um injusto assalto à mão armada sem direito à queixa policial. não existem provas do ocorrido, não há álibis e muito menos cópias do que já se foi. tudo, tudo vai embora, assoprado prum não sei onde, e gente fica assim, à toa, com cara de panaca embasbacada com a morte de um nascimento, ou lá sei eu, se com o nascimento de uma pequena morte.
e eu te pergunto agora - quem é o culpado?
a máquina erra?
não, máquina não erra, senhores. pifa.
humano, sim - erra. erra, pifa e caga fora do pinico também.
phoda perder palavras como cinza ao vento. ai, Hiroshima... lembro de ti. Enola te arrasou sem volta. Tibbets confessou que foi um merda ao pilotar o B-29. ele admitiu, se tremendo no alzheimer, dia desses, prum repórter, que voltaria no tempo e faria um CTRL Z na resolução do comandante .
as palavras perdidas por erros tecnológicos, incondicionalmente, me levam até ti, Hiroshima. até ti, Nagazagui. nações zeradas, aniquiladas pelo não pestanejar do extremismo nacionalista sem CTRL Z salvador. é matar ou morrer. perder palavras é um embate silencioso com a memória. é a consciência de inalcansavelmente poder voltar atrás e reestabelecer o antes.
perder palavras é castigo manso de deus sem raiva. dói, claro, mas se güenta. se lamenta, mas se levanta noutro dia já nem lembrando tanto assim. por isso, faço de Drummond, minhas palavras: “lutar com palavras é a luta mais vã. no entanto lutamos mal rompe a manhã”.

post lacost

sem tempo para comprazer os espiões
hoje ela será ególatra
hoje será photoshop girl
vejam a pele de garota burguesa
os dentes de garota navalha
o corte de madame fifi
o brinco de cristal falsificado
fez uma pose qualquer
e fingiu o transe revista caras
estava apenas tudo bem
mas fingiu o a mais
a Mrs. nisem será hoje o avesso do costume
laconicamente confessará
as idéias que dentro da cabeça
são pautas rota-santiago
e ao final da travessia

chegam até vocês
e fazem cócegas por alguns instantes
na seriedade dos lábios ainda não côncavos

pra tudo isso aqui é necessário tempo
e depois da jornada out
descobre à contra gosto que o aqui é o depois
ela não está esquecendo
essa é a sua vida em fim de abril

pronto
não foi mais lacônica
no post
ela é lacost




quinta-feira, abril 20, 2006

o mega escroto

em virtude deste texto tuuuuuudo a ver de aryza lopez , uma mulher douda, numeróloga, cabeçuda, vanguardista, professora dos anos 90, mística, procto de outras vidas, costureira, hackerzinha te mete, bailarina abaladora, mãe de dois grandes amigos de infância, terei de publicar essa pérola suprasumo da sátira über sem precedentes contemporâneos a nós, cibernéticos em dó maior. literatura é isso - é fruição, é gozo de poder rir alto sem se importar se a risada é de vila ou gasparotte, é nem sempre saber de onde vem o produto final do autor e tentar adivinhar os elementos circunstantes... mas agora, a essa hora, já não importam os motivos sobre o nascimento da presente composição. não questionem, não julguem, apenas dêem asas às suas imaginações oceânicas.
tudo isso, a seguir, é mais do que estória, é lição pra ratos de crítica literária das bibliotecas mofadas do brasil, é virtuosismo pra mestrando pau-mandado de academia-beletrista analisar em sala de aula e tirar lições do agora que acontece.
então, especialmente pra vocês, seus espiões do grande clube secreto, trechos que farão, finalmente, tônus nessas barrigas dobradinhas tipo abóbora. coragem mandriões! sigam em frente! sim, encarem mais de cinco minutos a tela, se forem capazes! e será que são?
Ele tinha aquela mania nauseabunda de coçar o saco e depois cheirar as pontas dos dedos; mais precisamente as unhas grandes, usadas meticulosamente para tocar violão nas rodas de baladas. Um dia ela reclamou dessa mania nojenta, mas ele sempre tornava a fazê-lo quando achava que ela não estava olhando.
Porém, ela sempre via com o rabo dos olhos e ficava com vergonha de repetir a dose de reclamação.
Ela não sabia que saco fedia, mas ele esclareceu: ele tinha micose na região escrotal.
E, assim, foram se somando outras tantas pequenas misérias.
Ela não sabia como agüentara cinco meses aquela criatura e os seus acessos de grandeza, estes com certeza para compensar a escassez peniana (o que nem de longe seria um defeito, quando bem usado), mas nem quanto ao seu uso ele possuía algum dom que pudesse compensar.
Sua limitação peniana era tão proeminente que se tornava difícil manter o pênis no lugar adequado; ele escorregava e o seu excesso de pele ajudava a dificultar mais ainda a penetração. Por várias vezes, ela tivera a leve sensação de estar ao lado de uma mulher na cama, ainda mais com aquele cabelo comprido e o indefectível rabo-de-cavalo.
A configuração escrotal também não deixava de ser chocante! Ela descreve magistralmente que ambos pareciam ser uma mini-pizza e do meio da banha surgia aquele botão incipiente chamado pênis!Ela, uma morena linda, alta, com uma encaracolada cabeleira negra, deveria ser um contraste gritante com aquela figurinha esquálida "em todos os sentidos".
Fê gosta de relembrar dos dentes da figurinha - onde não havia um espaço, havia um podre! Bem, o bafo nem precisa descrever!
E foi só depois de algumas semanas que ela descobriu que o impecável apartamento da criatura, na verdade, era de sua irmã. Que dele não havia nem um radinho de pilha daqueles de camelô mesmo!
Hilária mesmo foi a história da "Divina Comédia"! Ele comentava tudo como se tivesse lido todas as obras de Dante, Dostoievski, Ibsen, até que um dia ela descobriu que o único livro que ele lera fora uma obra umbandista emprestada de um parente!!!
Aí, eu acho que finalmente ela caiu do cavalo! E resolveu apear!
Ah, ia esquecendo o lado "místico" da criatura! Era seu costume tecer comentários aleatórios, instigantes que faziam o pessoal da "roda de baladas" imaginar que estavam à frente de um novo guru do segundo milênio. O que ele dizia fazia a gente matutar nas profundezas do inconsciente...
Bem, uma coisa devemos considerar - ele tinha classe pra enganar tanta gente. Ou memória! Juro que eu não tenho uma memória tão privilegiada a ponto de ouvir uma frase de efeito de algum perito e depois repeti-la enfaticamente, deixando todos boquiabertos!
Logo de início, o Mega contou de suas viagens a Portugal e das cinco vezes que fora a Cuba.
Como ela adorava viajar, ela inquiriu detalhadamente sobre Portugal, e é claro, ele se perdeu, e ela sacou, e ele desviou remendando: conhecera Portugal em "outras vidas"!
Como ele tava sempre "duro" ( de grana , é óbvio!), ele inventava assaltos. Os impiedosos ladrões levavam tudo – cartões, cheques...e a grana!" Um dia, ela perguntou: "Mas e o violão? Por que não o levaram???
- É imantado! Respondeu ele com aquele olhar misterioso conhecedor dos truques mágicos...
Fora marcado um show pra ele. O Mega programou uma megaprodução - 400 incensos seriam distribuídos na porta do teatro e 400 velas iluminariam a noite. Celestial, não?
Compareceram nove pessoas, sendo que oito eram da família!
Mas a parte mais hilariante eram as visões que ele tinha na madrugada! Costumava contar que via espíritos guerreiros à volta da cama e o embate ocorria inevitavelmente com estes personagens. E ele descrevia fielmente estas lutas: quando ele estava perdendo a batalha para estes seres fantasmagóricos,surgia uma outra figura benemérita para salvá-lo - o Cacique Beira-Mar!
Quando o conheci num churrasco na cobertura do apê da Fê (até que rimou!),achei uma coisinha estranha nele - ele não olhava nos olhos da gente!
A segunda vez que eu o vi foi lá na Lancheria do Parque; eu estava com meu amigo Stefan pra curtir uma ceva geladinha. Fiquei na dúvida se o cumprimentava ou não.
Optei pelo não. Preferi o silêncio inteligente do meu amigo.
Acertei.
PS: Se você encontrar um escroto ambulante nas ruas da Cidade-Baixa, caia fora! Ele é envolvente, boníssimo e toca violão.
Mas, mas amiga, caia fora.

Marisy D´López
2001

quarta-feira, abril 19, 2006

alma ao meio

a bem da verdade universal, pósto o estandarte-bela estampa, a original e representativa do meu grande tudo nada existencial emanado da crença de ser uma cindy crawford não descoberta pelo nariz de batata. deus não é o jason, mas fez cá uma justiça meio postiça. ao invés da pinta sexy me ofertou uma pseudo-onipontência e alguns contornos de anti-heroína de faca na bota. mas só se eu usar a bota. e a bota tá no sapateiro, e ele não voltou do feriado.
ah... rema, rema remadora. vai lá, vai contra tudo, o dia só tem 24 horas mesmo. toma. toma gostoso. toma por acreditar que pode tudo. e estampa aqui e agora através desse traseiro de lua enfarada, o atropelo e a rasgação da alma de uma mulher com jornada dupla que é ser mariana. foi tudo culpa do cogumelo de 95 . o basidiomiceto que me fez acreditar que eu podia tudo e era a preclara cara com as velhas botas da harley davidson. e eu era.

segunda-feira, abril 17, 2006

inovando no relax

vamos começar bem a semana?
investe em ti, caramba. compra uns peixinhos pequeninhos em uma casa de aquários e corre pra tua toca. coloca o conteúdo adquirido em uma bacia e depois mergulha tuas bases metacárpicas; só não esquece de lavar os pés de trabalhador assalariado antes de mergulhá-los em água filtrada. tenho certeza que vai te fazer bem. afinal, são outros tipos de contatos imediatos.
um hotel japonês abriu hoje um novo serviço de relaxamento, que consiste em uma banheira com algumas centenas de peixes. os hóspedes colocam os pés dentro da água, recebendo uma "massagem" dos animais. na foto, a técnica ficou aparentemente interessante.
será que as massagens também são?
pra quem está acostumado só com abraços tentaculares e puxadelas no escalpo, acho difícil.

sábado, abril 15, 2006

quarta-feira, abril 12, 2006

espiões on line

quem não é um pouco espião nos dias de hoje?
o orkut veio para aguçar nosso espírito de descoberta sobre a vida alheia, e se você é um dos que afirmam que não bisbilhoteia, eu contraponho que duvideodó. dar uma espiadinha na vida das pessoas que gostamos, desgostamos ou, que simplesmente desconhecemos, está virando algo de praxe. e o interessante de tudo isso, é que antes de inventarem essa vitrine egótica revolucionariamente acessível a todos, levávamos muito tempo para conhecer sobre gostos, preferências e relações de algumas pessoas próximas ou nem tanto de nosso círculo. e sobre os desafetos então? nossa, é um prato cheio para nos nutrirmos de tudo aquilo que achamos o ó e aguçar mais ainda o desprezo ou a indiferença peculiares a todos nós, mortais.
antes do turco ter essa grande sacada de oportunizar a colagem de figurinhas humanas em uma única conta, descobríamos muito pouco das pessoas, e o que nos restava para saber além era estar mais engajados socialmente em algum núcleo, e mesmo assim, precisávamos nos expôr ou fazer mil malabarismos para obter informações extras. hoje, com um cliquezinho banal a gente pode vir a ter mais curiosidade, informações e descobertas sobre os conhecidos ou, claro, uma náusea ainda maior daquele ser que a energia sempre foi ou tornou-se o oposto da nossa.
meras dedadas no mouse nos permitem descobertas colombianas. o funcionamento do álbum egótico é mais ou menos como puxar uma ficha policial, deslindamos muito ou quase tudo sobre a personalidade e as ligações das pessoas que andam por aí. está tudo ali - no contraste dos azuis mais ou menos calcinha do scrapbook - ações, reações, intenções veladas ou nem tanto - lavradas como em um documento de cartório. portanto, acautele-se para não deixar rastros de seus repentes ou inclinações particulares. as palavras escritas na vitrine sempre ganham uma conotação diferenciada quando da interpretação alheia... é mais ou menos como assistir a jogo de futebol na tevê - só existem duas dimensões e não possuímos franca precisão da direção da bola. já no orkut, inexiste a tonalidade de voz do narrador. portanto, palavras mal interpretadas por bisbilhoteiros podem vir a custar caro à sua imagem. claro, tem quem não se importe, mas ante a dúvida ... prefira as mensagens em off.

terça-feira, abril 11, 2006

vaginas dentatas

os tempos estão mudando. já não sei mais se pelo aumento em alto grau do gênero feminino no planeta, mas o grande fato é que as mulheres estão jogando mais pedras que os homens. falo, não por preconceito, mas por ser realista e enxergar um palmo a frente sem precisar de óculos. antigamente tudo era diferente, havia uma certa demência no agir das mulheres, e se não era demência, era uma espécie de recato disfarçado pelas circunstâncias. esse papo de que "os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor" já não cola mais. o jogo está empatado, e se duvidar, a brasa ainda é puxada pro plantel das vaginas. vaginas dentatas que arrancam pedaço de tubarão de fazer bordado na carne alheia.
o mundo mudou. fez um 36oº comportamental e tanto. cada vez mais as mulheres estão trocando os papéis com os homens e, eu cá, num impulso de clarividência futurista, arrisco palpitelas prêssagas de que, dentro em breve, os homens estarão engravidando também; e não só isso, preclaros leitores, disputando conosco o direito à maternidade.
bom seria revezar as potencialidades ímpares entre os sexos. será que o mundo ficaria mais humano depois que os xy experimentassem dar à luz a outro ser? afinal, rasgar-se ao meio é uma maneira inconteste de se tornar um ser mais intuitivo e menos egoísta. não é viagem, não! é a chamada previsão dos tempos outros, oras bolas. se é bom, se é ruim, eu já não sei. apenas tento me moldar frente a tantas mudanças.

segunda-feira, abril 10, 2006

condicionamento


o que chamamos de realidade não passa de uma construção social e,
por este viés, só conseguimos ver o que estamos socialmente condicionados a ver.
só para exemplificar a minha viagem de hoje: o que para nós é descrito como "branco",
para um esquimó corresponde a um conjunto complexo de mais de cem cores.
tem muita coisa que existe e a gente não vê.
e tem muita coisa que inexiste e a gente vê.
úúú, que profundo que tudo é.

sábado, abril 08, 2006

ai, como eu sou linda daqui

é isso aí mêmo que rola nos fotologs da vida - a ode constante ao belo.
já tá ficando sem graça todo mundo maravilhoso como se as pessoas fossem bonitas o tempo inteiro.
vem cá, hein? por que a coisa tá assim?
eu não tô. e tu?


sexta-feira, abril 07, 2006

ossos pneumáticos

ossos pneumáticos
1% de inspiração
98% de traspiração
e o resto?
não sei.
diz tu aí.

mariana suflair


a corrida está louca
não há tempo aos amigos
a agenda lotada
a cabeça entupida

a paciência esgotada
o ímpeto vultoso
é tanta coisa a saber
e tantas outras a ensinar
preciso de alturas
da coragem de infância
se jogando sem medo
crendo no corpo
crendo na sorte
seja onde for
tudo sempre dá certo
o circo me chama
me chama de novo
o circo me molda
me molda e meu corpo
vai voltar pras alturas
com ossos de pássaros
chocolate suflair
mariana pneumática
teu lugar é no ar
no ar suflair da magia
onde a imaginação
bem contigo se cria

quarta-feira, abril 05, 2006

blue light

achei legal a idéia da Patrícia de alardear ao mundo a essência aromática preferida, e como sou bem original, resolvi copiá-la. esse perfuminho aí é algo arrebatador ao ponto de congelar momentos. já sentiram em algum cangote do planeta Vênus? ou de Marte?
o nome? ah, blue light de Dolce & Gabana. é algo soberbo, cítrico, envolvente, marcante, dá moral, e te deixa deus(a) da ilusão absoluta.
o preço? sei lá, acho que uns R$ 170,00 pila. sim, menestréis, as atmosferas inatingíveis custam caro. por isso são inatingíveis, oras, nada é à toa. quem pode, paga e quem não pode sonha. please, lexotan one more time.

o melhor palhaço

palhaço de três gerações, o grande mestre dos picadeiros e palcos do brasil se despede do mundo material. Carequinha, fez parte da constelação de estrelas do riso espontâneo. o melhor palhaço da minha infância foi embora hoje. presto essa singela homenagem porque ele sempre me inspirou coisas boas e sonhos de circo nas tardes em que eu ficava sozinha em casa assitindo televisão. foi o pioneiro a trabalhar com o público infantil na televisão brasileira e ensinou até a xuxa o beabá de lidar com a fantasia e o imaginário das crianças. trabalhar a primeira vez na TV foi difícil pra ele , pois só havia uma uma câmera, não tinha auditório e nem videoteipe. então, se ele errasse, estava errado mesmo. no primeiro dia de trabalho do seu programa, Carequinha disse para o diretor que estava acostumado a trabalhar com o público e precisava daquela resposta imediata do riso e do aplauso da platéia. então, no programa seguinte, arranjaram umas cadeiras e colocaram umas trinta, quarenta crianças e pais. desta forma, foi o primeiro a inovar com a idéia de programa de auditório na televisão; ele inventou botar crianças dentro da TV. Carequinha, do contrário que se pensa, também tinha tempo para os estudos, tendo estudado até o 3o ano da faculdade de direito. desde criança, sua mãe o matriculava na escola de cada cidade por onde o circo passava. foi o palhaço dos presidentes getúlio e juscelino e deixou marca indelével na história da comédia brasileira. enfim, foi o cara que passou por aqui, fez história e deixou algo mais.

segunda-feira, abril 03, 2006

meu lexotan

segunda-feira é brabo. sinto uma depressão enorme quando o domingo vai se esgotando depois das seis. tento organizar a agenda, adiantar algumas correções de alunos, mas tudo em vão - início de ciclo novo me pega de jeito e panos quentes nessa altura do campeonato são meros coadjuvantes. a luta, a batalha do pão diário não mete medo; mas gosto de me esconder da crueza do cotidiano no quentinho do quarto-útero que pintei de vermelho. não, eu não quero o lá fora, o tudo tão feio e agressivo. as ruas lotadas e o disputar mísero de calçada me arrancam suspiro de cavalo lôco. desejo mortes em série quando daquele descompasso em minha dianteira. eu não gosto de ficar atrás de quem tem costas feias. e o mundo tem costas de tijolos descascados. preciso ser a primeira, a primeira sem barreira, na frente máxima de todos, e não mais enxergar as costas de tijolos dos corpos que avançam prum não sei onde que sequer me interessa. e o cheiro? ai meu deus! o cheiro que outros deixam quando passam como um vento me causa estranhamento. eu não quero sentir aqueles cheiros invasores. hoje, até um pouco depois do meio dia, tudo que movimenta o ar à minha volta me transtorna. quero as estátuas vivas do brique preenchendo os espaços todos. hoje é segunda. um beijo na bunda e tu não está de sunga. não, eu não quero ver o oco, mas também não quero ver os sertanejos do mundo na rua da praia indo à guerra, que mais parece de lá voltando em plena sete horas da manhã. me permito, então, apenas por alguns instantes sonhar acordada sob torpor do enfrentamento inescapável. eu preciso sonhar a qualquer custo qualquer sonho que seja. três, cinco, sete piscadelas com delongas já me são suficientes para aplacar o desencanto envolto. e ganho na loteria ali mesmo, na frente dos muros humanos. um sonho de loteria xixi-de-criança-perna-abaixo. é só imaginar bem forte que a realidade muda. ai, coisa boa. enfim, alço um vôo bem longe e não vejo mais os tijolos de pano e pele. tudo fica melhor quando a gente sonha. ah, ilusão, meu doce lexotan constante.

domingo, abril 02, 2006

tá dominado!

semifotografiadorealdenovostempos. shhhhhhhtcalabocaporquieuseiquetugosta.