domingo, maio 14, 2006

câmbio, comunista

minha doida comunista
crítica rebeldemente idealista
sempre me corrigiu os escritos
me achou pedante e exibida um dia
disse que eu dava voltas no texto
pra mostrar ao mundo coisas sabidas
nos intervalos daquelas novelas chatas
me ajudou a construir sentido às quase crônicas
impunha regra para lapidar as composições confusas:
entrar no quarto fumando
e daquele teu jeito de cowboy poderoso
de cigarro gangorra no canto da boca
encarava meu barroquismo
o parquet sujavas com as cinzas ao me ler
teu duelo era aniquilação dos meus excessos
e engraçado
teus pitacos não precisavam do cinzeiro
pois tu, uma pomba-gira de terreiro
nunca ligava pro braseiro
a escrivaninha virava um incensário
como eu odiava aquelas cinzas do teu free desnecessário
mas tinha de me submeter - era uma troca
as cinzas pelos teus eflúvios mentais
hoje vejo
melhorei na lição que tu tentavas me transmitir enésimas vezes feito uma autista
até virar uma música
bem chata, por sinal
a música, lembra?
era o teu repetir robótico das minhas asneiras escritas
até eu sentir que eram absurdas
me diz uma coisa hein?
valeu a pena ?
te deixo o gancho, camerad.

11 comentários:

priscila mendes disse...

tá matando a pau guria loca

Minuano disse...

Todos parecem ter amigos comunistas hoje em dia, um mal necessário? ou nem tanto?
Ao menos, em meio a borracheira, me divirto com eles.

Fábio André disse...

brilhante como sempre!
gostei do "cigarro de cowboy com gangorra no canto da boca".

juca disse...

matou a pau

andrechilipepper disse...

Uau! essa abalou!

renato meireles disse...

só um pouquinho minha amiga, aqui tu matou a pau!

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