domingo, março 13, 2011

enfim, a chegada

(nossa, como foi difícil formatar esse post. mais de dez dias, para que através das homeopáticas debruçadas por falta de tempo, não deixar morrer o que vivi. enfim, aqui se faz o que se pode.)



no dia 23, lá pelas 2:30 da manhã, eu comecei a sentir as contrações. e, como uma ferrenha obstinada ao parto natural, sabedora de que a hora certa para ir ao hospital era somente quando as contrações ficassem regulares, - de cinco em cinco minutos, por mais de três horas - aí sim, aí era chegado o momento de pegar as malinhas e finalmente bater a porta de casa. entonces fui driblando os reveses durante o dia todo, fazendo as respirações, os movimentos aprendidos na yoga para gestantes, para amenizar a tortura "das ondas" dolorosas. anotava, de modo doentio, com o lápis na mão, toda e qualquer onda, curta ou longa, absurdamente cega, focada no sonhado parto natural. agora, imaginem vocês - fiquei mais de um dia escrevendo os horários e o tempo de cada uma das dores e delirando, sempre.


porém, antes de rumar ao hospital ainda havia um desejo, um último desejo de grávida: precisava comer aquela tijela de açaí, do Moinhos shopping (preço módico e quantidade vasta!). e lá me fui com a Marina batendo na porta e tudo. côsa de lôco esse concílio entre dor versus desejo, um embate incessante a endoidecer os sentidos.

e o interessante é que as pessoas notavam que eu estava parindo. olhavam-me preocupadas, às vezes, disfarçavam e, outras, nem tanto. o lance é que eu chamava atenção mesmo - uma tigra lôca, solta no shopping com a nenê quase pendurada pepeca abaixo. tudo, t-u-d-o por um açaí com granola e banana.



o paroxismo da dor foi às cinco da manhã, do dia vinte e quatro. Aí, eu já estava muito mais que lôca. estava completamente out of control. ninguém podia me perguntar nada, porque tudo - absolutamente t-u-d-o me irritava, me tirando do sério. ao lembrar desse momento, creio que a personagem do Exorcista e eu apenas nos dissociávamos pela falta de arranhões no meu rosto. doidaaaaaaaaaaa! doidaaaaaaa pura.

cheguei no hospital às 6:30. O Fábio foi um grande companheiro, colocou músicas lindas no trajeto para o hospital. e, como isso foi bom! aliviou, além de deixar uma trilha sonora como O legado da grande hora.

o enfermeiro muito atencioso me recebeu na porta do carro,- perguntou se eu necessitava de uma cadeira de rodas, porém, preferi ir caminhando, porque ficar sentada doía mais ainda. peguei o elevador, e credo! as pessoas circunstantes com os olhos pregados em cima de mim. coisa bem chata, essa. mulher parindo é atração! não adianta!
depois sucessivos exames de toque de enfermeiras estranhas, a minha médica chegou. livrou-me daquela vivência horrorosa - das outras mulheres afundando os dedos dentro de mim até a goela! sentia-me uma Coisa, e o desalento é que não havia escolha - tinha de me submeter aquela situação. havia outra saída?!

essa sinuca de bico de dedadas invasivas na marra foi uma das piores sensações da minha vida: o exame de toque da finaleira oficial da gravidez. doeu muuuuuuuuito. mas muuuuuuito mesmo. confesso, depois dessa dor nasceu um macho dentro de mim. agora só falta eu deixar crescer os bigodes, porque não falta mais nada; pois, conforme já relatei em outro texto: pra ser homem não precisa ter tico: afinal, meninos são meninas e meninas são meninos.


quando a médica rompeu a minha bolsa, de imediato, avisou: o parto natural até daria pra fazer, mas precisaríamos de, no mínimo, 18 horas para que eu obtivesse os dez dedos de dilatação. e, naquele momento, - pasmem! - apesar das mais de 24 horas de pródimos, estava apenas com 1 dedo! já estava muito piradona para suportar mais todas essas horas que ela previu, ainda mais sabendo que teria um árduo trabalho pela frente, afora que a água da bolsa já estava com mecônio. enfim: fui pra faca, não teve jeito. preferi, obviamente, não arriscar o bem-estar da nenê. todavia, frustração foi pouco. me senti um nada, um nada sem forças, muito embora concensiosa por uma grande causa, mas, acima de tudo, esvaziada da expectativa gerada, uma coisa menor, dependente dos bisturis e agulhas; impotente frente ao destino que não oferece escolha; e não mais aquela mulher poderosa, cheia de forças para enfrentar cobras e chacais que de praxe habitam em mim. então, naquele momento broxei por muitos e muitos dias. acho que broxei até hoje!


a cesareana é uma coisa meio sem graça mesmo. a peridural deveria ter outro nome: deveria ser pedreira. afinal, uma fincada na coluna sempre será uma fincada na coluna, e apenas um ínfimo errinho pode deixar lesões irreversíveis. não nego: arreguei. não nego: detestei. não nego: sempre vou odiar.

tantas luzes, aventais, lençóis azuis, luvas, tilintares rápidos de instrumentos cirúrgicos ao derredor, bipes eletrônicos do eletrocardiograma, e eu tentando assimilar, gravar todas as cenas em minha mente. prestava atenção nas pequenas falhas do teto, nos sons todos, na naturalidade das enfermeiras vendo aquela sangueira, na trama do tecido que tapava a minha visão da cena e então, de repente lembrei de que não havia aprendido a tecer no tear por pura preguiça. como eu havia ficado preguiçosa depois de terminar a faculdade! aliás, nesses últimos anos, o corpo, a mente estavam tão devagar. para emagrecer estava devagar, para fechar um trabalho era slowmotion e... no encadeamento de tantos pensamentos vãos sequer senti a marina vindo ao mundo. a Dr. Ana foi quem me avisou, às 08:53: "- óh, a marina tá nascendo!" então redargui: e por que ela não está chorando? (porque quando a água da bolsa já possui mecônio, eles primeiro aspiram as sujeiras do nenê e depois dão a palmada.) a Nina saiu voando nos braços dos tantos médicos e eu nem a vi engolesmada! quer vivência mais sem graça e burocrática?


well, excetuando as minhas frustrações tantas, o importante é que a Nina nasceu com saúde, com 3Kg 350gr, 49 centímetros e com o índice de APGAR 8 e depois 9. um índice ótimo para uma mãe que ficou mais de 24 horas com contrações.


quando o Fábio entrou na sala, com a Marina no colo - nossa! inegável! foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. chorei. chorei de tanta felicidade, chorei por tanta coisa. todo aquele esforço, todas aquelas noites mal dormidas, toda a abstinência de vinhos, cervejinha gelada, saídas, viagens, mijadeira descontrolada, enjoos, vômitos... e, ela, finalmente, ali, comigo. conosco. e nós conhecendo o seu rostinho. como imaginamos esse momento!
uma mãe grávida passa meses a fio, volta e meia, presa, na arapuca teimosa da imginação de 'como será que o nenê vai ser?'- imaginando, chulhando, delirando em meio a medos de coisas ruins, fazendo encaixes aleatórios de supostos rostos, formas!") e opa! aquelas bolitas dela eram azuladas! que legal! ela parecia meio japa, tão delicada e feminina mesmo nanica e com apenas alguns minutos de vida fora da barriga! bem que me avisaram: "Mari, depois que nascer e tu olhar o rostinho da tua filha, tu vai que vai compensar cada revés que tu passou..."



o primeiro pensamento
quando a peguei no colo o primeiro pensamento que passou na minha cabeça foi: "- será que ela é a minha filha, mesmo? e se por ventura trocaram ela?" indaguei o Fábio veementemente se havia ele absoluta certeza de que aquela nenê era mesmo a Nina e que não haviam colocado outra menina no lugar dela. ele, com o inexorável ar leonino - inabalavelmente convicto, - disse-me que desde o momento do nascimento ficou ao lado das enfermeiras e que ela havia sido a única menina a nascer naquela hora.

ufa. que alívio. mesmo assim, a pulga insisitia em permancer atrás da orelha. delírios. delírios reais.

(sim! isso é uma piração muito pontual na cabeça da mães, oras!)


na sala de recuperação colocaram-na junto a mim. ficamos nos estudando, nos conhecendo melhor uma a outra. uma vasta mistura de sensações invadiram meu ser prostrado: de incredulidade, de estranheza, de amor que nasce orgânico - das vísceras, sentindo os ventos da mudança soprando, escravizando o tempo... tudo isso entremeado de dor, de imobilidade corporal e hipersensibilidade pós-parto.

a anestesia já começava a perder o efeito... e eu sentindo frio, um frio de massa polar do Ártico, uma tremedeira espasmódica, dor nos tantos cortes das sete camadas de pele cortada; sede, muita sede, abandono, invalidez. ninguém ali. não conseguia mexer as pernas, levantar o pescoço, puxar a campanhia. tudo doía. viver doía! eu queria comer gelatina de abacaxi! tomar água! sair dali '- tem alguém aí, pelo amor de Deus!???!'

nesta sala permaneci das 9:15 às 16:15, sozinha, com algumas enfermeiras me auxiliando, apenas vez que outra. O Fábio raramente aparecia e então me sentia sobretudo só.
só. só. só.


a torcida do lado de fora era esfuziante. disso eu já fazia idéia antes mesmo de Marina vir ao mundo. seu nascimento desencadeou um festival de auês que me afetaram psicologicamente. precisava de paz. sobretudo de muita paz e descanso. e, ao contrário do meu desejo, recebi diversas visitas quando não estava nas mínimas condições suficientes para fazer salas e prosear depois da magnitude de tal cirurgia.

portanto, presta atenção: se um dia você não conseguiu visitar no hospital uma amiga parturiente e crê que isso foi uma falta grave, - tranquilize-se. a sua presença não fez a mínima falta. a sedação, o cansaço, a dor e o momento delicado demandam descanso, silêncio e acima de tudo PAZ. PAZ, SENHOOOOR!





pérola existencial
sim, esse é um momento de paz. um raro momento de "finalmente, sós."



DIVINE.
o café da manhã dava gosto. do quarto havia uma vista esplendorosa. tive que fotografar pra não esquecer esse presente. lá no fundo, o morro da Embratel, na Glória. nem parecia Porto Alegre.


momento-rótulo
não sou dada a carimbações futebolísticas a priori, mas... a Nina, por ora, ainda é colorada. depois ela decide se virará a casaca, como fez a mãe, aos nove anos de idade, quando trocou, sem dó, o azul pelo vermelho.



OLHA A BALDAAAAAA!



acampamento
essa guria adora um colinho. detesta um bercinho, um carrinho. talvez não goste mesmo é da solidão. ela quer morar em cima da gente. e isso é tão ruim - o acampamento abdominal escraviza os genitores. eles não conseguem executar mais as suas tarefas, agilizar o cotidiano, oras! ahhhh, esses pais velhos, inexperientes, não sabem nada. mas, contudo, tentam acertar caminhos... aos poucos.





vovô simão. vovô babão.



amamentação: é, tem que querer.
geralmente a cesareana faz com que o leite não desça de imediato, e, justamente foi o que ocorreu no meu caso. até que o colostro viesse... outro parto!

depois das contrações, o corte, depois do corte, a enxurrada de visitas, depois da enxurrada, as mandíbulas famintas de marina... e nesse momento pensava: eu tenho que conseguir, eu hei de conseguir... mas, me diz! por que mulher sofre tanto, hein?!

(coragem, mulher. coragem.)




visita, visita! visita do tio Israel.



um 'v' só.
na segunda manhã após o parto já estava começando a voltar a mim. ou melhor, estava indo. estava indo para uma outra vida, para um outro corpo, outro planeta. adeus, Mariana! adeus planeta Sem-Filhos. a partir deste momento, me dei conta - estava começando A Outra Vida. e, se, de repente alguém passasse me perguntando se eu estava pronta para a tal mudança, - sem negaças - responderia: "- não, a gente nunca está pronta pra nada." mas que não tem como voltar mais, ah, não tem. a viagem tem um 'v' só. as coisas simplesmente acontecem. o destino é pé na porta, mesmo; não tem embaixada, nem carteira diplomática.




as manhãs tardias
as flores da vovó cecília. estão vivíssimas até hoje aqui em casa. alegrando as manhãs que na verdade são tardes. (durmo praticamente a manhã inteira, pois, na madruga, a marina faz valer a vibe do ascendente em áries e a lua em escorpião.) aos poucos estou tentando estabelecer uma rotina. impor algumas regras a mim mesma. e quem disse que é fácil?



o pai que é mai. a mãe que é pãe.
o Fábio se revelou, aliás, está se revelando a cada dia um ótimo pai. ajuda pra caramba, revesa nas solicitações minhas e da nina, nos turnos, nas fraldas e incrível! sempre pronto pra dar o banho! quem te viu, quem e vê, Mr. Rosenfeld. well, quanto a mim, sem maiores presunções, apenas sinto o instinto como uma semente de feijão dentro de um algodão seco. então é só molhar que...
vem o broto.



primeiro momento família feliz.
a foto revela um pai maduro, porém, ainda sem prática, embalando no sufoco a filhota. a minha a carita, por sua vez, ainda bem inchada pros lados, dos soros e da própria gravidez. hoje, dia 13 de março, estou quase dez quilos mais magra. nariz e rosto mais afinados e abstêmia das costumeiras taras por melancia, pêra e mu-mus. sinceramente: saudade da sensação de êxtase proporcionadas pelas papilas gravídicas! :P

nunca comer foi tão bom. tão prazeroso. nunca. e isso VAI fazer falta.



MÃE, só de falar já dá uma coisa boa
sempre que olho pra essa foto, eu me emociono. desnecessário dizer o motivo, não?

mãe é AMIGA, é o suporte; não é visita. mãe é aquela Alguém que está ali, do teu lado PRA TE AJUDAR, te estender a mão e não encher o saco, como as centenas de mortais em série.


a vovó Tzipale toda boba. grande amiga, grande mãe, grande cérebro ímpar, parceira da minha vida, essa dona Cecília fodalhona.




visita! visita! visita! da tia Bela. beijos, abraços. abraços, beijos. beijos, abraços.
abraçosbeijosabraçosbeijosabraços.


lego - bom assim seria...
ufa! quase deixando o hospital. tudo parece um sonho, - essa nova vida, esses novos corpos, meu Deus! como vai ser?

e para que tudo ficasse redondamente perfeito só faltaria eu ficar magra novamente num piscar; enfim, desencaixar essas peles penduradas que sobraram. bah... bem que eu poderia ser uma peça lego, nessas horas... apenas desencaixar o que desagrada e pronto. basta de lástimas e desviadas do espelho.


visita! visita! visita! dos primos enlouquecidos por conhecer ninoca bolota.
" -ahhh, eu quero pegar! ah, eu também quero segurar!"


ah, essa pigméia minha... me desarma com sua naniquice.




o ascendente em áries - no galope sempre adiantado
dona de uma voz...
poderosa. os vizinhos adoram. principalmente as intervenções das 2:00 e das 4:30 da manhã. é que ela só quer dizer 'bom dia, antes do galo!'

momento zen. relax total. ok. ok. a mamãe o papai já sacaram a onda: já que o teu sangue é quente, guria, - as tuas águas de março tem de serem certinhas nos 36º graus. não repetiremos o erro dos 38º. ahh, e isso faz uma diferença...


é isso que eu temo
simbiose incontrolável. grude de piche a chiclé derretido - taí, a balda pura.


por ora, como diria, o bom Pernalonga: "that´s all folks". despeço-me numa espécie de The End forçado. afinal, essa história não tem fim. na verdade, ela recém começou...

terça-feira, fevereiro 22, 2011

HELLO-ÔU!

retirado do post de Lígia Sávio. taí - gostei. gostei, porque estou precisando dizer exatamente isso para um certo alguém mui blind.
ACORDAAAAAA BRASIL!


"O seu castelo, minha princesa,
tem torres muito altas,
só que todos os príncipes viraram sapos,
e você não viu. "


(De Jussara M. para Carolina S.)



domingo, fevereiro 20, 2011

hummm




dois novos vícios em meu mar de ócio: maracujá e Carrol.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

40 semanas e meia de amor


AVISO IMPERIOSO AOS NAVEGANTES


a nina não quer nascer. é esta a impressão que tenho. meu colo está fechado, posterior e resta que afine mais uns 60%; ainda há uma longa distância entre a cabecinha dela e a região do nascedouro, ou seja: dona marina ainda flutua, não está encaixada e as contrações simplesmente pararam de vez.
ainda tenho mais alguns dias até que complete a 42ª semana. mas confesso: esta fase final está me deixando louca. louca de angústia, de intolerância, de cansaço, de dor na barriga já rasgada, de falta de posição para dormir, e, afora que não suporto mais ouvir palpite, ouvir blá-blá-blá rançoso de torcida, questionamentos incessantes a orbitar minha santa paz de deus.
pra resumir a quem gosta de uma sessão my dear diary: EU QUERO ESPERAR. QUERO E VOU ESPERAR PELO TEMPO. PELO TEMPO DELA. QUERO PARTO NORMAL. PONTO.
não, porque tem gente que quer que eu vá pra faca, vá pra faca com hora marcada: "- pra quê sofrer se tu pode não sentir dor?"
tem gente, que, provavelmente, deseja fazer algumas combinações de mapa astral pra se abanar com calhamaços de papel místico e então, de acordo com as riscalhadas coloridas do astrólogo, deixar agendada a arrancada do ventre, no melhor posicionamento do sol, da lua ou do caralho a quatro.
por favor, não me escrevam: "vamu mari, vamu mari! vai caminhar, vai subir escada, vai fazer faxina, vai andar de carro em rua esburcada, vai trepar mais que ela desce! só falta tu!" - porque eu não me furtarei em responder:
vão à merda.
vão à merda de barco.
e que la nave vá...
e tenho dito.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

porto seguro


agora com mais tempo e longe do inferno, me debruço sobre os arquivos memoráveis.
'engraçado', - fico eu a pensar...
na hora em que se vive as coisas mais legais a gente nem se dá conta de seu brilho!

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

do que retumba



essas duas figuras me são muito caras. cada qual a sua maneira.





AMNÉSIA


hoje, estava vasculhando velhos arquivos com o intuito de terminar textos que não se findam justamente por aquele instinto de saber que a produção ainda não atingiu o seu ponto ideal - de "tocar a musiquinha", - e também, por incrível que pareça, tentando lembrar no que havia mesmo pensado ontem à noite, um pouco antes de dormir, quando geralmente sempre fluem as ondas de sinapses mais sutis, mais leves e dignas para aqui poderem ser colocadas senão os meus destemperos e extravios sentimentais de praxe. mas não adianta, a amnésia é um fato concreto na minha vida; no day after nunca lembro das coisas enesimamente pensadas e sulcadas com formão no côco. isso já é normal. já é rotina. e por mais que eu repita a ideia feito taboada para não esquecê-la, basta um simples fechar de pálpebras, ou um acordar que se delonga a mais que... adeus. adeus mesmo, seara. o ideal seria levantar correndo da cama, fazer as anotações, assim, como compulsivamente fazia Caio. porém, comigo não cola e mesmo como inveterada amante de Caio, caio. caio na armadilha: "dessa vez, certamente vou lembrar..." "dessa vez, vou lembrar sim, oras, como não?" e lá se vão mais de cinco anos, das vezes sem conta, em que não salvei um único pensamento frutífero que nascera e que hoje poderia ser cidadão.



#


bueno, depois de diversas tentativas vãs de relembrar o ontem, abandonei o caso; resolvi, então, reunir algumas fotos recentes das duas doidivanas de apreço e relembrar de uma fala atravessada, que ecoou en el cabezón de ane, no chá de fraldas da marina.



Anica, recém chegada e já sentada em sua mesa, ainda adaptando os seus mecanismos sociais ao meio, entabulando lá uma conversa amena com os convivas, quando, na cruzada de um desvio ocular despretensioso, seus olhos imantam-se com o da dona cecília kid. oras, esta, prontamente, quando a reconheceu no relance desavisado, atravessou o salão de festas aproximando-se de ane e apertou-lhe as bochechas inquirindo a la maga clarividente:

- e então, Ane, tu estás criando?
- ...
..
.

findo o ecoar mental prolongado de sua pergunta, a resposta então sobrevém em ondas da consciência provavelmente tocada:


- nãããããããão. não estou criando.


mudaram de assunto e não sei mais o quê continuaram falando. o fato em questão é que um louco sempre reconhece o outro louco. a cecília quando não cria, opera numa vibe baixa, fica com uma cara estranha e a acorda cedo. a ane quando não cria, suspira mais, seus os olhos abrem menos e parece flor murchinha, no calor.


A CULPA


então, ontem (29/01), durante sua visita, a ane comenta (isso eu não esqueci! chove agora):


"bah, no dia do teu chá, aquela pergunta direta-e-reta que a tua mãe me lançou está reboando aqui dentro até agora, como um trovão. e, desde lá estou sempre pensando nisso, - nessa coisa de não estar fazendo nada com a minha aptidão; de ser uma especialista naquilo que eu não gosto de fazer. é preocupante! além de perigoso, também. bem, a partir disso, tento ter idéias. idéias novas. buscá-las, ao menos! ah, mas que a perguntinha da tua mãe foi uma flecha que me atravessou ao meio, ah isso foi. tá sempre aqui dentro, de viés, de uma ponta a outra.


OU SEJA, AGORA TRAGA CERVEJA!
(elocubração típica para um barzinho ao ar livre, na sexta-feira, depois de duelar o dia todo com cobras e chacais.)



existem certos espíritos que necessitam da criação para manterem-se vivos. e esse processo atua como uma necessidade fisiológica. e, independente desse papo de "sou artista" pra lá de manjado, o assunto exige seriedade. a arte como modo de sobrevivência psíquico em meio ao mundo real é inegavelmente uma forma de se tentar estar a salvo da crueza com que a realidade nos achata, nos alfineta, nos esvazia à completa murcheza existencial. e a ilusão e não a verdade é a condição de sobrevivência do homem (não nos iludamos ao contrário - o que salva é o sonho!). não digo necessariamente a arte como instituição e Obra, mas uma atividade propriamente criadora, envolvente, uma força artística presente não somente no homem, mas em todas as coisas.


então, nesse caminhar íngreme de acordar 70% do tempo para que protocolos survivers sejam cumpridos, vamos vivendo a constante luta contra vida. e ao considerar essa perspectiva, eis à tona o grande sofrimento do homem racional: sua total incapacidade de lidar com sua dimensão estética. em outras palavras: "nós sofremos de arte." isso será até o fim. enfim. sim, não há cura.



quinta-feira, fevereiro 03, 2011

photofobia




a razão do título?


. . .



terça-feira, fevereiro 01, 2011

tumblr


o tempo está curto. isso é certo. todavia, empolguei. e, no afã de colonizar outras paragens, resolvi criar um novo espaço virtual para espraiar os meus eflúvios que aqui não conseguem encontrar vazão. well, ainda não sei ao certo qual perfil este lugar possuirá.
no entanto, vocês já podem acessar o meu tumblr. ah, o link já fica aqui, e ali também, nas 'pontes válidas', para o caso de próximas visitas.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

menininhes da história



nesses últimos dias, um pouco antes antes de conhecer a marina, sinto que os essenciais instintos estão mais soltos do que nunca, - rédea às largas, nenhum freio e sequer boleta pra travar.
sabe, gostei dessa tensão esticadinha do fio vital da gravidez. fio de um trapezista experiente. de quem não pode errar, porque já nem arrisca quem sabe não haver pit-stop nas alturas. ah, e se eu falar da bendita justeza certeira no pisar mesmo com os ossos moles? troço pra macho mesmo. salto alto?
jamé, bebé.
mas, enfim, sinto-me muito viva, alerta, sagaz, sempre pronta pro bote antes de qualquer rápido piscar.

viva a natureza! e, tenho dito: pra parir tem é que ser macho. então, nesse instante própício, reflito sobre a espécime legitimada como tal pela ciência; infundadamente, é claro. pois, caramba! olha lá! vê se não é? são tudo-tudo menininhas ticudas; menininhas medradas, passarinhos temporãos, famélicos, de boca aberta, esperando a mamãe voltar para enfim viver e ufa - arriscar um bater de asas.



sim, vocês não sabiam? houve um equívoco semântico dos graves na história das palavras: meninos são meninas! meninas são meninos!

sábado, janeiro 22, 2011

samuca braunstein



9 meses! ufa. ufa.
a nina mexe muito, faz calombos na barriga,
verdadeiras dunas do saara,
massageia a bexiga, faz fom-fom no pulmão
dá apertões no esôfago
arriscando até um sapateado flutuante...
nessa organicidade tocante
a curiosidade explode!
será moça comportada?
ou moleca gurizinho?
marinaaaaaaa!
como é você, aquariana doidivana?

sexta-feira, janeiro 21, 2011

dedinho amiguinho

sabe, é um curioso caso essas pessoas que não tem um puto furado no bolso e, ainda assim, gostam, precisam ostentar, - comprar quando não tem, ou pior: quando já tem! se o caso em questão fosse só comprar, podem ter certeza, a crítica sequer estaria aqui. entretanto, os macambúzios beiçudos gostam de comprar um artigo, mesmo já o possuindo, apenas para ter uma corzinha diferente, pra combinar com a parede e então fechar todas com a lua nova que surgirá, segunda-feira, no céu de marte.

nessas horas, eu só tento entender, - de onde vem essa cultura OCA, esse pé atoladaço no irreal?

ah, sim, evidente - justamente, por isso, não tem nada. não tem nada, nunca. viver de aparência, de superficialidade é oxigênio purinho no planeta ameba-burguês. e depois ainda reclamam: "ai, estamos lisas, não vai dar pra viajar esse ano. que pena." e, no outro dia, lá estão elas, comprando uma roupinha, com a conta no negativo. então, imagina se não?! logo, logo, encontram alguma desculpa para si mesmos, na vã tentativa de amenizar o ensurdecedor eco no oco:"ah, mas é no crediário. nem se sente."

então, com a devida licença, amebas, dedinho de lady pra vocês.




quinta-feira, janeiro 20, 2011

o horizonte da taipa


o horizonte lhe era tão sobremaneira estreito. todos os dias, ao chegar na esquina, topava de testa com ele.
no outro dia, sempre a mesma coisa. nunca lhe ocorria utilizar a memória para poupar analgésicos.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

respira. 1,2,3

fingir que não está acontecendo nada enquanto ao derredor o mundo está a enojar, sinceramente, é o exercício mais transcedental que já experimentei.

mas, pago o preço.

domingo, janeiro 16, 2011

vírgula

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).




Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.


Detalhes Adicionais

'SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.'
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
Uma vírgula muda tudo.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

domingo, janeiro 09, 2011

some ice is nice



passei meses reclamando dele
portanto nesses dias de calor sufocante
tenho de me redimir com o frio
porto alegre é uma caldeira
extrai-me as forças
então eu resto como uma sobrevivente
não diviso esperança no horizonte
os olhos sempre a meio palmo
coluna murcha
cara sugada
até parece dopada
ô autômata sem-graça
à toa veio ao mundo
xô pra lá, maria sem-braço!





* gosto muito da expressão 'joão sem-braço'; geralmente é utilizada para denominar a pessoa que não faz nada, é preguiçosas, escalada e cuja falta de pró-atividade faz com que os outros façam as coisas para ela.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

meu mundo amniótico

(se vocês não forem preguiçosos hoje, perceberão que a foto abaixo não possui combinação nenhuma com o teor do texto. todavia, sempre é bom dar uma quebrada no meu Marte ao lado de Júpiter, assim como é bom tomar um chimarrão e comer um chocolate, beber um vinho Merlot e tomar uma água mineral. uhhhhh. as quebras! tem de haver!)


tudo, mas tudo, ultimamente, parece tão idiota. as pessoas, seus jeitos, suas promessas que se dão ou, já nem sei - que se deram só por aquele micro-apenas preencher de silêncio circunstancial (bah, isso me enjôa muito, tenho que confessar).
me diz!? aquela bosta de facebook - de repente! todos cagando ao mesmo tempo pela boca - meu deus! quantas mentes rasas navegando no assoreamento da seca de Bagé! realmente, os circuitos neuronais estão algo - beirando a depressão do magma no núcleo da lava. o óbvio nunca jorrou tanto pelo modem e inundou, tão, mas tão à contra-gosto, a minha sala limpinha com Destak.
a humanidade jamais me encheu tanto de tédio, com seus despejos verbais monotônicos, como agora, como hoje, como ontem, como há muito tempo só que eu fingia estar tudo bem - fingia que o circo tava bom.
e por falar em bom, sem pensar em 'bomba' trazendo um belo Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva (já leram?) - o lado bom, o que não me leva AINDA ao divã é que dou um jeito de envergar the diplomacy mask, maskemerda, mas tudo parace um blá. um blá pastoso - de chiclete colado no calor - ecoando seu som difuso num meio líquido, onde as ondas sonoras parecem gravações distorcidas, de demônios, graves, daqueles sonhos estranhos, que a gente quer mais é passar pra próxima cena. próxima! próxima! próxima! (e, no final, - esquece - nunca fica interessante, tem mais é que tentar sonhar outro dia; acorda, vai! bota um som alto (mesmo que seja brega! inventa que combina com aquele estado dos ânimos), varre a casa, espana os ares pra disfarçar os diabos em volta).
É engraçado, é curioso, os seres preferem falar, falar, falar e não, nunca ficar em silêncio, - talvez, pra 'não ficar chato'. humpf, mal sabem eles o quão bom é quando ninguém fala nada e apenas estão. ah, eles não sabem o que é isso. o "isso", amiguinhos da Boza, é o vide a esfinge lá no Egito; vide o gato velho que sabe curtir a tua companhia; vide a árvore dançando no vento; vide o entendimento pelo olhar, vide a apertura do botão do foda-se, sem medo das consequências que podem vir, que certamente virão e ainda assobiando ária, como se inexistisse um amanhã. "Isso", isso é ESTAR. É ESTAR PLENO.

ah, e as "outras pessoas", então? as que não tem vida própria e nossa! como podem depender tanto de esmolas?! de ferrinhos paupérrimos que só os sovinas se agarram com suas manias de Segunda Guerra Mundial - dependem do mínimo suspiro alheio para animar seus circos dominicais com tela faustina no background da monotonia a&b, b&a, A&B, B&A, A&b, B&a. me diz?! esse oco mental galático seria por conta de não encontrarem razão ou simplesmente por desconhecerem m-e-s-m-o a arte, a possibilidade de contemplação, a quimérica alienação que instintivamente nossos olhos podem congelar-se viajando gratuitamente e além, ou então não saberem entregar-se a outras atividades manuais, mentais, ou simplesmente esquecerem de vez das sexuais e suplantarem-nas senão por fofocas, invejinhas maquiadas de piada leve, revivals repetitivos que já se sabe mil vezes o final da história e dããããããã - uma sorvetada na testa de presente, quer?
é nessas horas que invoco o Rappa: "me deixááááááááá, que hoje eu tô de bobeira, bobeiraaaa..."




sério. a bossalidade humana me deprime. me comprime. e, eu, embolado êmbolo, refén. só vou.
ei! tu, aí! me dá uma esmola de vida-verdadeira-que-eu-procuro e pronto. ou, tranca a injeção com a ponta do dedo e explode com tudo. assim, vem a liberdade - da mudança. da morte.

terça-feira, janeiro 04, 2011

minuzzo máxima


(não é questão de falta de memória... mas mesmo, ora, padecendo deste mal, - oras-bolas - gravidez chapante! os artifícios são sempre mais instigantes, mais instintivos! pois que nunca os adormeço.)






eu falei pra ela. falei que foi por causa das Formosas.
nos outros anos, pensei serem sempre as Azaléias, no auge da floração rosa-moça, a avisar do seu aniversário!

sábado, janeiro 01, 2011

quinta-feira, dezembro 30, 2010

inevitável chave de cadeia

eu acho engraçado essas pessoas que fumam maconha escondidas, colocando panos em baixo da porta, trancafiando janelas, vedando frestas e acendendo incensos horrorosos, como se gostassem daquele aroma guerreando com o da Canabis.
ah, se isso pelo menos bastasse para impedir que o cheiro de capoeira, do zumbi dos palmares não reencarnasse rua à fora...
das duas, uma: ou fuma-se escancaradamente, e o cheiro é denso; ou, às escondidas, sendo a fragrância sutil, mas, igual: presente.
ok, a segunda opção é a predominante, não adianta - manter a máscara faz parte dos protocolos da grande farsa humana, mas não se iluda na ginástica do ocultar: as pessoas sabem do teu telhadinho de vidro.
não há o que fazer! é o preço: o banzo do troço tem santo forte. não dá pra desdenhar.
;)

sexta-feira, dezembro 24, 2010

suddenly...

de repente! surpresas!
deliciosas surpresas.



e, só pra variar, a Micheli nos pegou pelo estômago.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Burnout do peixe

tenho vivido dias que me lembram meu estado de espírito, em Israel, há 14 anos atrás, quando eu costumava riscar pauzinhos na agenda ao levantar. mas, graças à excelsa juventude, o pensamento divagava nos sonhos de reencontro com os amigos, ao longo do dia e, então, eu conseguia suportar, romântica, aquela saudade apertada demais.
"um dia a menos. um dia a menos." a sensação de vitória se dava no barulhinho curto do lápis a riscar. estava doente por voltar ao Brasil e simplesmente não aguentava mais nada que se apresentasse a minha existência por lá.

hoje, novamente. a mania aquela, de presidiária, só que agora os pauzinhos são mentais, e o pensamento é sempre fixo, (there is no romance at all) randômico no mantra de teleprompter - "preciso de paz, longe, bem loooonge de lá."
então, me pergunto, nessas horas de desespero: serão os hormônios os causadores desta síndrome, de não querer encarar a labuta?
e a resposta mais instantânea que consegui encontrar é que são eles apenas a ponta do ice-berg do meu asco. quando se é um peixe de água doce, não adianta forçar. lá, sou um peixe fora d´água, do mar morto daquele lugar.

sábado, dezembro 18, 2010

46 anos depois

O Mário nem acreditou que 46 anos depois de deixar sua Porto Alegre (cidade que por mais que falemos mal sempre deixará uma raiz profunda enterrada na alma da gente ) não só estaria aqui, (aliás, isso seria fácil demais) mas ele e toda a família! Pois que travessaram o Oriente Médio rumo ao paralelo 30º, da América Latina! E então pode mostrar, enfim, onde começou a sua história.


















Certamente, essa visita ficará guardada no baú raro das lembranças Muito Boas.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

30ª semana


quero essa bariga pra sempre!

domingo, dezembro 05, 2010

o chá, a vida

tanta coisa atropelada, esquecida, ora anotada, pronta pra ser escrita, mas puft! puft.





domingo, dia 28 de novembro, foi o chá de fraldas da Marina. Eita festinha trabalhosa. O Fábio editou um filme-documentário que durante os quase sete meses da gestação fomos gravando. Ficou bacana. Agora a Nina tem uma história de vida. A história de Marina. Não tenho intenção de parar com as filmagens. Quero mais. Quero tudo, todos os detalhes que estão acontecendo em derredor: as danças, as músicas que coloco pra ela escutar, os bons e maus dias ora pesados de sono, as novas dobras de gordura corporal, meu novo ser que nasce de minha transcedência à Terra.




As pessoas mais importantes da minha vida apareceram e, isso, inegavelmente, foi o maior dos presentes. Logicamente faltaram aquelas outras, do convívio mais cotidiano e, que, inclusive, confirmaram a presença no evento; fato xarope que insuflou uma mágoa amarga, dessa que se precisa de um teeeeempo para digerir a falta de consideração inesperada; mas já perdoei. apenas não engoli direito o quadrado, que, dentro em pouco, certamente dá um jeito de ir arrendondando as bordas pontudas. Minha barriga é por demais pesada, não tenho condições de carregar mais pesos, ainda mais os mortos; por isso, preciso perdoar. justamente - para me livrar de cargas! cargas extras. Afinal estou com 11 kilos acima do que costumava empurrar no dia-a-dia; não é barbada. O caminhar é muito lento, sinto uma sensação de torpor, chapação lisérgica mesmo. Obviamente essa é a parte boa e linda, linda de morrer.




pela manhã, levantar para o trabalho, parece-me, cada vez mais, uma tarefa pra lá de odisseica. tenho de enfrentar cobras e chacais pra envergar o uniforme xexelento da empresa, passar a maquiagem (que nem surte mais efeito) para disfarçar o desgosto que se derrama pelos olhos e cara a baixo quando a questão é ir para a labuta. Essa tem sido a parte mais difícil, verdadeiro martírio: trabalhar. trabalhar me é um malefício - o que aniquila profundamente e me faz questionar - "até quando? até quando, meu dellllls?" Vontade verdadeira de passar os dias comendo melancia gelada, de pernas pra cima e me preenchendo com silêncios, pássaros cantantes da rua e paz. paz. Longe de pessoas hipócritas e que vertem feito baratas sôfregas em dias de temporal. E, nessas horas de asco, não é caso de por veneno, Baygon, essas coisas ruins da Bayer pra se livrar a curto-prazo; Isso é palhativo apoucado pro meu vasto sentimento de vácuo espiritual dentro daquela merda. quero apenas me livrar. enfim, ter um planeta novo para habitar. sumir. surgir.


quarta-feira, novembro 24, 2010

Sakineh Sakaneada

ultimante, em virtude de nossas mútuas preguiças, a mãe e eu temos nos visitado mais por telefone. ontem, lá pelo vigésimo minuto de conversa surgiu o comentário sobre Sakineh Ashtiani. momento aquele em que, só pra variar, estávamos bem animadas falando mal de alguns homens, da insenbilidade bossal frente a tantas situações a que sujeitam moralmente a mulher, das escolhas torpes e atitudes ridículas, que, de um modo geral, a testosterona é a maior responsável por lhes provocarem as impulsões mais agressivas e imediatas sem reflexos mentais mais detidos; então, a mãe comentou comigo que havia escrito sobre isso, mais especificamente sobre Sakineh.


amigos, sinceramente, excetuando os caras legais, com um bom coração e cérebro mais desenvolvido, que eu sei que há! de um modo geral, os homens são muito tacanhos, machistas, tarados, destruitores e doentes. são eles, sim, a chaga da humanidade. e hoje, grávida, tenho sentido mais engulho do que nunca em relação à espécime. não tenho gostado que se aproximem de mim com seus timbres, com seus papos, com seu ser xy. se isso vai passar? provavelmente. mas preciso de um tempo.




Já fui contra a pena de morte. Aliás quase toda a minha vida. Não sou mais. Debulhava um a um os argumentos já conhecidos de todos e com profunda crença.
Mas com 7 bilhões de pessoas no planeta e do jeito que a violência campeia, acredito que o Estado tem o direito de tirar a vida daqueles que cometem crimes brutais. Isto mediante julgamento, juri, promotores de acusação e advogados de defesa. E que a forma de matar essas pessoas seja a mais rápida e indolor possível. Ponto.
E qual foi o crime brutal imputado a essa mulher?
Trair o marido já morto com um outro sujeito? Não. Depois arranjaram mais outro sujeito. Adiante, imputaram-lhe o assassinato do marido. Ou seja, primeiramente traidora de um cadáver, depois, fazedora desse cadáver. Os filhos a defendem. O advogado foi obrigado a fugir.
E me vem com a lenga-lenga de que há pena de morte em outros países, principalmente no odiento Grande Irmão do Norte.
Céus! O que não faz a paixão ideológica com a faculdade pensante dos que se tomam por racionais! Melhor esses indivíduos, que não veem nada de mau em castigos bíblicos, plantar couve nos cafundós do judas. Poupariam nossos arrepios de indignação.
Querem a barbárie? Mudem-se para essas abençoadas plagas que asfixiam a nós, mulheres. Afinal lá valemos a metade de um homem.
Contudo esses bravíssimos defensores da não ingerência em julgamentos fajutos em terras arcaicas até podem estar certos: afinal, não chegarão a matar um homem inteiro. Apenas a metade.
Acordem, anestesiados da silva: o que se quer é trazer alguns países pro século XXI!!
Sakineh, além da crueza de seu sofrimento, é o paradigma do que muitas nações praticam contra as mulheres, inclusive, aqui mesmo no nosso lindíssimo país tropical.
Uma injeção letal, choque elétrico ou romper uma criatura a pedradas até a morte?
Tenho dúvidas se a nova presidente brasileira priorizaria conveniências geopolíticas ao custo de ratificar ou omitir-se ante a barbárie.


Cecília Nisemblat

domingo, novembro 21, 2010

mágica!

é interessante esse aspecto humano: de repente, todo mundo some. simplesmente se desfaz, que nem fumaça misteriosa no horizonte.


e assim... nesse mesmo piscar, de repente, aparece! do nada, que nem fumaça quando há fogo.

ai, humanidade, livra-me, livra-me dessa tua mágica.

segunda-feira, novembro 15, 2010

morando no vazio


o projeto "morando no vazio" continuaria se não fosse...

finalmente estou edificando a minha biblioteca; vou juntar todos os livros da antiga casa, os que fui adquirindo desde quando vim morar aqui, e lá vou eu separar o gêneros, as capas duras, os para restaurar, doar, esquecer...

e essa sensação de ficar juntando coisas, (por mais que a palavra livro jamais seja uma "coisa" sob a minha percepção - permisso - agora o é) me deixa louca de dó. dó! de preencher essas prateleiras tão lisinhas das lixações com esmero e ora cheias de perspectiva para os olhos percorrem sem se deter. dá pena. eu gosto de vê-las assim, vazias; é tão bom a casa ampla, sem muita coisa, minimalista.

e, depois de tudo arrumado, perfeitamente organizado, livro por livro, ah, não fica bonito pela inércia em si. vem o pó, mais livros, mais vida fúngica, mais espaço para arranjar entre eles... e, claro, mais coisa pra limpar e escravizar as barbas. até quando essa submissão e acúmulo, hein?


ver, sentir a casa mais abarrotada me compunge de agonia que toma nervos. well, por ora, não há outra saída. o materialismo do meu ser exige de mim. então, enquanto o espírito de Thelma & Louise não baixa neste corpo, deixo-lhes o registro do tempo em que o projeto "morando no vazio" durou. durou e teve a intenção de ser, pelo menos, alguns dias. e, embora já esteja tudo pronto, resisto. acreditem. protelo a arrumação; ativamente penalizada de prosseguir contra o meu sonho, contra a verdadeira vontade de me desfazer de tudo sem olhar pra trás.



ah, se não fosse... esse meu jeito terráqueo de ter.

segunda-feira, novembro 08, 2010

essa onda pega


opa!
alto lá!
há um clima de procriação por aqui. hoje, a casa amanheceu mais habitada.
é, essa vida é mesmo um milagre; até argila está dando cria.

terça-feira, novembro 02, 2010

o laranja




- fábio, por que tu tem poros de casca de laranja?
- ué, pergunta pra eles, oras.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Serafim Jr.

Acompanhando Serafim em seus desgostos...


"ontem fui muito social. não fui quem eu sou. caramba! já não basta que tenho de ser ético o dia inteiro? ah, no meu lazer, eu não quero.
sou que nem gato, - é só me dar o que eu quero que fico faceiro e ronronante. do contrário, sou independente, e, se a coisa não agrada, dou logo um jeito de achar um escape."

quarta-feira, outubro 27, 2010

domingo

domingo, publiquei uma foto lá no facebook, e a dona cecília nisemblat comentou assim:
"não entendo muito bem o fenômeno. Penso em falta de valores maiores na vida das pessoas como causador."

posto que respondi, de imediato, pra doidila da minha vida:
"é verdade, tudo isso aqui é o mais alto grau da falta de "valores"; todavia e igualmente, na mesmo mais alto grau de...

amores!"

então, só pra variar, ela puxou sua rebeldia atávica da manga; afinal, nunca quer entender o que verdadeiramente não lhe interessa:
"Sou mais o Cazuza: ..."ideologiaaaaa. preciso de uma pra viver..."
Torcedores fanáticos, provavelmente são os que não costumam pôr a cabeça pra fora do buraco, sacô, bicho?"



bueno, como vocês podem ver, aqui, eis uma nítida divisão da emoção: trabalhando, e ora sorvendo dribles de um clássico. um olho lá, o outro cá.
viu como a gente não é fanático?

domingo, outubro 24, 2010

Amanduca e o novo condão


eu sempre costumava chamá-la de velha bruxa. porém, depois de muitos embates travados com sua luta interna, finalmente ela conseguiu! livrou-se, de uma vez por todas, do pior dos feitiços do caldeirão de Porto Alegre. então, eis que a magia aconteceu:
virou uma fada. ah, mas só 'fada' fica sem graça; então, agora ela será a fada bru.
fa´da bruma!