sábado, junho 12, 2010

o segredo

Para a Amanduca, a mana guerreira do alvorecer forçado. então, força. força! antes que por sua falta venha a nossa forca.




as castanhas vítreas

tão belas, fulminam

que medo, que sina!

entonces nem ouso

mirar lá muito não

porém basta um adulo

elas se aconchegam redondas

como as dos gatos felizes espreitando no escuro

mas ô vixe! tem horas que não tem explicação

intrigam, estranham!

os iriologistas de escol até lá do velho mundo

e mais! ainda mais!

imanta os muitos passantes na rua

querem todos saber o segredo

por que lutam tuas pálpebras

nesse tremido de bolita cai-não-cai

mergulha a íris, e de baixo já volta de bóia

afinal, que bóia bácea é essa?

um "hei de subir" de caixa d'água?

os cílios, um eterno adeus que não se decide

vão, vem. delongam-se dançantes

haja resistor! nunca, nunca descansam

uai! o que é isso?

seria uma gravidade de lua?

ou de Terra alfinetando no empurro?

seria tristeza? o fardo nosso de cada dia?

ou tua sedução mais incontida?


pode ser, pode ser.

contudo, de uma coisa eu tenho certeza

são teus olhos, Amanda

uns olhos-de-sono.

segunda-feira, junho 07, 2010

homenagem ao blá-blá-blá

eu estou tão cheia; mas tão cheia que chego a estar gorda. gorda de fartura.
cansei das pessoas, de todas. e sem nenhuma exceção.
dos seus discursos colados, de suas mascaritas de queridos enquanto precisam, de suas balelas repetitivas, desse gênero amigos-coisíssima-nenhuma do blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá.

blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá.

blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá.

blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá-blá.

então, utilizo esse espaço e oportuno ensejo para fazer-lhes uma singela homenagem bem bonita, from the deep of my heart:



FODAM-SE, MEUS CAMARADAS COITADINHOS.



FODAM-SE, porque agora essa máscara aí está sem cola e definitivamente grude não me agrada.





p.s.: se, por ventura, ocorresse um 'blecaute' no mundo, essa palavra eu trocaria por benção.

quinta-feira, maio 27, 2010

a rocha


pessoas, eu ando absurdamente sem nenhum tempo, que novidade, néam? pois essa é a constância que pontua, mais do que nunca, os últimos dois anos da minha vida.


todavia, o descaso não é tamanho assim; ontem mesmo, apesar das pálpebras arenosas, tentei estoicamente compor algo sobre minha última viagem, com algumas fotos e impressões que se deixaram ficar a ferro e fogo; porém, o computador estava demasiado lento, dando erro atrás de erro; e, no final das contas, ainda acabei perdendo o texto original. well, nessas horas, o que me resta, além de suspirar com ressaibo de azia, é repetir crente: que maravilha de sensação. que maravilha.
bom, quanto ao resultado de quando isso acontece...

um desânimo inexorável. uma quase morte. um verdadeiro rochedo caído sobre o cérebro. e o residual dessa tragédia do desencanto?
a mais sincera falta de forças de removê-lo para seguir morro acima a escalada da montanha dos sentidos.


então, apenas para não ficar com o sítio tão empoeirado, coloco essa pérola que achei no blog Sarau Elétrico, do Fischer, que creio valer para todos os anônimos que aqui me seguem e buscam saber como, ou melhor - onde andará mariana veiga?

Dez motivos para blogar

1. Você pode (quase) tudo. Quando faltar inspiração, escreva uma lista de dez motivos para fazer alguma coisa. No final, acabará se divertindo.

2. É bom ter audiência, mesmo sem fazer idéia de quem são os leitores. Você apenas precisa aprender a lidar com essa relação meio íntima com leitores tão anônimos.

3. Com o tempo você percebe que sobrevive sem comentários. Segundo as estatísticas, apenas 1% dos leitores deixa um. Então pare de implorar pelos comentários dos amigos.

4. Blogar ajuda a organizar as idéias, exercitar a escrita e você ainda corre o risco de escrever algo realmente bom.

5. Amigos distantes, ou distanciados, se sentem próximos ao ler o seu blog. Você não precisa de orkut para se relacionar, e só se expõe se, e o quanto, quiser.

6. Você está deixando um registro histórico, da sua vida ou da sua época, embora isso pareça uma grande pretensão agora.

7. O fato de blog não dar dinheiro não é motivo para parar. Pense bem: você realmente não começou porque havia essa possibilidade.

8. Provavelmente você terá mais leitores do que se publicar um livro.

9. Você pode terminar uma lista de dez com nove itens e nenhum editor vai chamar a sua atenção.

Marta Barcellos, no

terça-feira, maio 18, 2010

cara ignara




eu nunca ignorei a minha ignorância. e, hoje, mais do que nunca, estou me ocupando em me desocupar disso. agora não me preocupo com esse peso. trato de ocupá-lo.

domingo, maio 09, 2010

mão na mão, pé no chão

a mão da mão


um afago nos cabelos
o balanço do berço sob a lua
o preparo do lanche na lancheira
o cosimento míope da roupa rasgada
a ingestão amarga do meu esquecimento
uma palmada vermelha que estala no remorso calado
no telefone, a discada com gastura até obter a resposta que não vem
a espera insone até que os passos sejam ouvidos de novo
a mão que sempre segurou a outra para que este corpo não quedasse.
agora percebo - cheguei até aqui por ela e descobri uma coisa:
mão, é na tua que está o teu coração.










quarta-feira, abril 28, 2010

pó de vidro



ontem, voltei à casa antiga. que atmosfera fantástica. tudo assim, - meio hermético - plastificado e fantasmagórico, escondido com lençol por cima dos móveis; as outras coisas, menos importantes, bagunçadas sob uma neblina cristalina, quase um pó de vidro aderido na superfície; tudo bem, eu aceito sem negaças - o tempo age e não precisamos fingir que não.

contudo, queria ficar ali, no meu lugar que foi tão morno, tão receptivo um dia. então, deslizei os lençóis a minha volta retirando todos os entulhos que estavam sobre a cama e depois deitei-me. (ahhhh, ela ainda vem pra mim) essa gatinha véia - que bafo acre e, de repente - eis que propício o revival: ela, ali, sempre minha, sobre a minha barriga e eu alisando o seu pêlo macio que ia se soltando sem resistência em minha roupa; e se quer me importava, como me importei um dia- com feio das sobras da pelagem em mim; e, nessa atmosfera de amareamento da memória, comecei a reviver mentalmente a minha vida de outrora - pós partida do vôo sem volta dessa morada, tudo de novo, um pouco antes de pegar no sono. o lá fora agonizava em tambores a diesel - os motores dos carros da rua ainda ruminavam a madrugada, e então como me lembrei tão nítido dos vinte e poucos, das altas horas estendidas aos gigantes do breu, com risadas sem-fim e o gosto de álcool na boca rosada louca para beijar e beijar e beijar. ei! o surdo eco das gargalhadas, o descompasso sem vexa das pernas trocadas, das tonterias à toa e tão dignas - por que mesmo cessaram?
perdi o fio da meada.

sensação tão boa - mágica! voltar no tempo.

eu quero isso - reviver sempre, sendo o "isso" uma verdade fresca a recém nascida materialização mental rebobinada, porque simplesmente não se apagou se quer uma centelha do que foi.

para sempre.

um alto preço eu pagaria com gosto para ter a eternidade do amor que ainda há ali. que ainda há aqui, nessa casa que me recebe agora e guarda minhas coisas como se um dia eu ainda fosse voltar.

para sempre. me diga, me repita dono do mundo, de todas as verdades absolutas! - será assim e que eu não cansarei da existência.
sim! eu topo - acredito no diabo, numa força descomunal, pro mal, e sei bem de feitiçarias; contudo, eu, por enquanto, apenas não mato galinhas. mas q...

quarta-feira, abril 21, 2010

segurando o xixi

hoje. tão bom. pé na terra, deitar na grama.
vou me esbaldar. mais chimarrão.
drinques e mais drinques telúricos e a arma bem escondida.
tomara que ninguém veja...
não me güento com essa tal bruxaria tecnológica:
click.






por todos os lados, a vida pulsa tão bela.

seguro o xixi. não, não posso perder sequer um momento.






agora silêncio.





sim, estamos eternamente vivos.

segunda-feira, abril 12, 2010

pour vous

um drink especial
aqui em casa
servido aos domingos
para quem
quiser beber
ou apenas deixar-se ver...


apareçam os sumidos
e, claro...
reapareçam os inimigos!



saudades do box.

quarta-feira, abril 07, 2010

baianas outonais


As baianas outonais desembarcam em grande estilo em Porto Alegre para passar uma rápida temporada. Sem embargo, a cidade as acolhe com chimarrão e canjica com canela.
Durante alguns dias elas gingam, espalham os pés, faceiras, por entre as folhas dos plátanos espalhadas pelo chão dos parques. Porém, passando o sexto dia já suspiram em resfolêgo - não agüentam muito o clima temperado; os gaúchos são muito bairristas com coentro e grosseiros em colher de sopa de tabaco.


Então, logo, logo, refazem as malinhas e saem de cena para talvez nunca mais voltar...



É sim, estava passando por elas quando escutei um cochicho: "-aqui", disse a dupla: "- é lugar de negro triste. E eu, ô, sinházinha, quero mais é rasgar a boca de alegria, sabe".

quinta-feira, abril 01, 2010

this is my life





na minha vida, as críticas mordazes sempre foram são as maiores responsáveis pelo fim do tédio e dos insistentes brotos de esperança no lar doce-lar cheio de pó atchim!
isso pode, num primeiro momento, até ser interessante; porém, atrás, desse estado que suscita uma certa curiosidade no leitor, naturalmente, há uma onerosa parcela paga com dor e mudez do escrevinhador.



mas tudo bem, levo na esportiva as críticas de dona Cecília Kid, o terror da vizinhança II. porque, se acaso, eu levasse nas esporas, ela estaria ferrada.






1º de abril.
te amo.

sábado, março 20, 2010

os trinta e poucos





ela apareceu!
cresceu...
ah, esse teu suspiro sempre suspenso.


/
talvez
quisesse voltar.
voltar a ser criança.

terça-feira, março 16, 2010

eternal still we can

hei! já imaginou o que é isso?



ora, são 14 anos de parceria.

domingo, março 14, 2010

sempre haverá


sempre haverá uma foto, dentre as disparadas em centenas, que valerá por todas as narrativas.

sábado, março 13, 2010

intimate friends


quando um amigo me diz que tem raiva ou que não suporta alguém, eu sempre desconfio.
a pulga atrás da orelha sempre vai existir; afinal, a pessoa a quem eu mais odiei, um dia, de repente, virou o meu grande amor...


sexta-feira, março 12, 2010

he has a green heart

coisas da vida


o Rafa descobriu domingo que o coração fica do lado esquerdo;
mas o dele não é igual ao de todo mundo!
bateu o pé e afirmou ter um de cor verde...

quinta-feira, março 11, 2010

windy socks

já faz mais de seis meses. eu ainda não costurei as meias.
seria uma queda por esse arejamento power flower?

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

la langage de la folie




coisa mais difícil atualizar este blog! é, a vida vai mudando, outras necessidades mais importantes vão surgindo e, fatalmente, o canto aqui fica bem empoeirado.

hoje, deixo o registro da bateção do cartão-ponto da amizade, ixi! essa é de longa data - idos de 97, quando ainda éramos duas garçonetes empedernidas a servir as mesas dos frequentadores burgueses da cervejaria Dado Bier. e, desde então, apesar da insana correria da vida urbana, uma vez por ano, a gente dá um jeito de atualizar a parla e brindar à madureza da vida.


a Adriana apareceu ontem aqui em casa com um vestido todo floriado; e eis então que realizei um sonho antigo de fazer umas fotos assim. quem acompanha o meu flickr, em breve, poderá ver alguns dos cliques feitos durante a folia.




por ora, deixo uma mostra, a mais simples de todas, apenas para vocês terem uma idéia da foto que há um bom tempo eu estava muito afim de fazer. no entanto, há outras bem mais legais...



gira baiana!










p.s.: agora só está faltando aparecer a dona ane minuzzo , né?

quinta-feira, janeiro 21, 2010

once a year

como vocês podem ter reparado, uma enorme preguiça se apoderou de mim nesses últimos meses; inclusive, uma interminável canseira de brincar de blog. anyway, não sou de abandonar nada, muito menos desistir de algo; contudo, preciso de férias do mundo virtual.






então, para marcar o mês de janeiro, deixo umas fotos da visita da Fárida, amiga dos tenros tempos de adolescênscia, que não mora mais aqui, no canto alegre, mudou-se para a ilha da magia; todavia, uma vez por ano a gente ainda bate uma canastra.


















quinta-feira, dezembro 17, 2009


sexta-feira, dezembro 11, 2009

entre les mots et l´image



esses meus caminhos paralelos...
o que acontecerá quando quando chegar a hora
e bifurcar?



haverá o lamento eterno à esquerda?
ou a indecisão inquietante à direita?
[the road not taken]



bem, entre uma coisa ou outra
por enquanto eu fico com o nada
à deriva
esperando o Messias




e ele vem?

quarta-feira, dezembro 02, 2009

grito de gaya


Por incrível que pareça, assim se passaram quatro meses da minha vida - entre diárias e insalubres baldadas de café colombiano, leitura ininterrupta na sala até afundar o sofá no canto da luminária; enquanto em outros dias, menos gélidos do que esse julho tapa-na-cara, a inclemente chuva descia ladeira abaixo da rua do meu edifício. Não sei como pude. Eu me prestava, aliás, eu tinha de - saía de casa de chinelo, guardava sapatos secos e outra muda de roupa numa bolsa e então, quase levada pela correnteza, eu encarava o batente não sei com que coragem ou se por boleta. Porém, como o tempo – esse mano, pai, padrasto, bisavô, melhor amigo da infância que eu nunca mais revi - desliza sem atrito, tratou logo de seu encargo floral - despontou, em final de agosto, os primeiros sinais primaveris, que, ufa! finalmente não tardaram em chegar.
Alguma coisa, oras, tem de mudar! Troquei o lado de sofá; sim, fiz esse esforço para diluir o gato louco, de fixidez de superbonder que sou e resolvi ir mais pro lado, deslocar o meu peso, que aumentou em seis, na outra espuma, do lado esquerdo e ... nossa! como pode?! com apenas uma almofada de distância tantas coisas modificar?
E, com essa ânsia de ver, de viver o novo, mesmo que seja a uma bundada de distância da velha e boa almofada enxovalhada, dias amenos vieram – e redundou ele... todo mágico -, num explodir colorido de emocionar até andróides desativados.

Esse ano de 2009 foi um ano à parte - sofri muito com o inverno mais rigoroso da minha existência, pois a estufa não bastava para preencher o frio que mais parecia o grito de um morto, um morto que não sabe estar morto e mais do que nunca está apegado a sua vida, e nem adianta esconjurar! ele não entende que já morreu porque quer ficar! quer viver! quem não quer?!
Agora tu entendes esse meu frio? Foi duro; ainda com o céu cinza, um cinzento deprê esmaecido do final de tarde, ir me recolher mais cedo, (que sensação horrorosa, não queiram saber; só sabe mesmo quem é gaúcho) para passar o frio que era uma aberração desalmada, vingança irada lá de cima, vá saber.

Depois de muito praguejar e, inclusive, infantilmente escrever não só em twitter da vida, na agenda, no vapor do banho e até com a caligrafia mal ensaiada - "vai embora frio, eu não te agüento mais", para, jamais em vão! tentar exorcizá-lo, - dias de inclemente chuva e temporais furiosos nunca vividos em décadas vieram para varrer a ponta boreal do meu país. Triste. Muito triste. Pensei que as ruas ficariam nuas. As árvores precisavam de ganchos fortes naqueles momentos de tormenta. As sexagenárias do parque, paineiras de tronco amazônico, ipês roxos foram arrancados, - assim - em apenas poucos segundos de um sopro insano.

Bem, esquecer não dá; contudo fica a mágoa dessa voragem, - clareiras abertas a ferro e vento, deixando raízes cuspidas, imensas árvores sem copa, buracos esbugalhados sem dó, agora a esperar por novas mudas. Pelo menos, hoje, a chuva está cálida lá fora, sempre dando o ar da graça -, dia sim, dia não, permitindo ao verde desbotado do ano passado ser um escuro fosforescente, seja na grama fofa ou nas heras da parede e... que bom, mais um ano da minha vida e as azaléias ainda estão nascendo, tímidas, como sempre, essas feministas de pendor real! já despontando, as sem-vergonhas, os seus primeiros botões, para, tchãn-tchãn-tchãn-tchãn! num súbito, (como se eu já não conhecesse os seus ademanes sedutores) exibir cãn-cãn com suas saiotas rendadas; ah, claro, estou sempre de olho, elas são meu melhor marcador botânico. Lembrei! capricórnio chegando. Amigos! Amigos tantos! Eu os amo no meu silêncio.

segunda-feira, novembro 30, 2009

terça-feira, novembro 24, 2009

la maison de l'enfance



existem muitas casas espalhadas pelo mundo, de todos os tipos e para todos os gostos. e, se acaso enumerar todas, a contagem fica besta; mas só para mostrar que é verdade o que digo, - então vamos lá:
casa da moeda; casa civil; casa bancária; casa pra casar; casa de aviamento; 'casa para viajar' - casa de campo; casa para infernizar - casa decimal; casa de saúde ou casa de ataúde? casa de tolerância - da casa´cuda! casa de purgar - casa de chachorro, das pulgas; casa dos milagres na casa-de-nagô; casa da misericórdia - ô Santa casa! aonde você for, sempre ela haverá.
mas, ô de casa! se o teu lar ainda não tem teto, 'casebre' - por assim dizer ... fica ruim de chamar, e casamata também não é; então denomino agora - quando uma criança dizer que tem uma casinha, essa vai se chamar casinhota! onde possa, ao crescer, caber suas pernotas na casca que não perdeu o segudo "c".

domingo, novembro 22, 2009

transcending by the word


como não poderia deixar de ser, uma homenagem às Letras, essa magia, essa benção por se deixar levar, tendo a palavra, - o pão - tão presente em minha vida.

quinta-feira, novembro 19, 2009

nova era, um sempre só meu



Há muito tempo a fotografia além de ser uma questão de amor é algo sempre presente na minha vida; possuo uma relação de obsessão passional por imagens, e, desde os 11 anos, acho uma sensação transcedental eternizar momentos. E, nesse afã de tornar o agora para um sempre, um sempre só meu, todos os dias, dedico, no mínimo, uma hora ou mais para um simples folhear de páginas fotográficas virtuais ou não. Sei muito bem que 'nada em excesso é bom',- aforismo esse que já virou cantilena e pelo qual muitos vêm me criticando, dizendo: " - vem pra rua, vem beber, vamos dançar, mariana, sair, viver! sai dessa cachaça de Flickr, de foto, foto, foto, guria! a vida é mais, e bem mais do que isso aí."


Chegado o momento oportuno, agora replico aos amigos, aos amigos que amo e justamente por isso mesmo aproveito a deixa pedindo algo simples, - simplesmente para que entendam: não posso. Não posso mais saracotear em vão, ainda mais na idade de cristo; prefiro ficar aqui, narcotizada, no meu mundinho da salsicha. A paixão de se deixar levar por flashes, por clicks, eita barulho delicioso esse, é muito mais que forte. É questão de alma e vá lá saber por que razão se entranhou de vez por aqui.



E, justamente em razão desse clima de desabafo sobre as fotos, dedico a presente postagem a uma pessoa, que, provavelmente, sente, se não a mesma, uma quase idêntica vibe do que eu, dedico-a ao fotógrafo Eduardo Amorim, artista 'gaulês irredutível', que traduz, como ninguém, o orgulho gaúcho pela terra pampeana, dos cavalos Pingos a la pucha sandeiros de seus, de nossos amores - através de uma das armas mais poderosas do mundo.





Não e à toa que sou fã de seu trabalho, pois sempre achei, sempre senti, visceralmente, uma ligação muito forte, sim, isso mesmo, - creio ter sido cavalo em outra vida; e, hoje, tenho certeza, de que se não fui um, certamente um dia o serei. E, é isso - por mais repetitiva que eu possa ser, e que os leitores e amigos do peito saibam decor essa minha já agastada frase, - sinto em lhes informar, - eu continuarei sendo a maquininha da frase do cavalo. Simplesmente, porque ela Vive, ela corre como elemento plasmático no estuar do meu sangue a cada dia em que levanto: "olhe nos olhos do cavalo e verás a tristeza do mundo. olhe nos olhos do cavalo e verás a tristeza do mundo. olhe nos olhos do cavalo e verás a tristeza do mundo."



Até quando, Guimarães Rosa, eu lembrarei da tua confissão? Será até que a minha caveira seque e levante a poeira dos ossos céu acima?!
Que assim então o seja, mal não há, porque assim é a minha natureza apegada. Ah, e dói, pode ter certeza,- eu vejo! eles falam pelas retinas baças, oleosas janelas do grito surdo vindo de uma profundeza despida de qualquer alegria; e aposte, nunca encontrarás uma nesga ou sombra de little of joy sequer nos olhos de um cavalo seja aonde for. Experimenta. Vai longe, caminha pelos arados do Cerrado, desce o Chuí, percorre o mundo, varre os haras de Dubai, e então finalmente saberás que quem vos escreve agora está com a mais pura razão.





É chegada a hora,- eis o momento oportuno,- uma poesia em tua homenagem, fotógrafo da nossa terra boreal abençoada:




tu e teus cavalos domados, assustadiços e ora pintalgados com respingos de tinta estelar
confesso, apesar de amá-los acima de todos os homens
e das coisas terrenas
nunca, jamais para mim os teria
e sim para longe dos grilhões
dos garrotes de seus donos libertaria
assim os fazendo alados
e se acaso pudesse isso ser verdade
uma verdade verdadeira
sonho mais puro meu!
eu, uma heroína seria
e Eduardo Amorim não mais mostraria ao mundo
o pampa rio-grandense encilhado

porque sou prenda
a altruísta dos revoluteios
não medro agora!
sou dona da palavra que vive
a ferro e fogo solto as rédeas
as rédeas da liberdade
e na minha soltura desprendida
o mundo vivencia a era dos unicórnios!






"não podemos se entregar pros home de jeito nenhum, amigo e companheiro"

* fotos do álbum Bombador, de E. A.

domingo, novembro 15, 2009

[ ]


dia das mães, chegada em Bogotá.
atrás da minha redoma, eu estava imune.
até que ponto?
eu ainda não sei.

quarta-feira, novembro 11, 2009

novo mundo



nesse novo mundo
a árvore dançarina é
a árvore do beijo
e quando sopra o vento
espalham-se estalos
e são tantos que há susto!
vão beijando
os gomos fofos
os andarilhos perdidos

aos que escolheram a solidão
dos galhos ondulantes a dançar
ganham abraços
não há motivo pra não crer!
agora embalam os seus sonhos
de encontrar algum lugar

o rumo! teu rumo!
o nosso! do mundo!
uivam os galhos galhardos a girar:
é amur! é amuuuur de vento ao contrário
dos que decidiram abandonar sem medo
de recomeçar

sábado, outubro 31, 2009

a seco pra viver


hoje, ao chegar em casa, encontrei dentro da bolsa um bilhete anônimo (provavelmente daquela abuZada da Amanda [ainda bem, que, por onde passo, há sempre um anjo tirânico a cutucar) com duas frases que constavam assim:
"- mariana, o que tu tinha hoje? me conta, o que é que tu tem de uns dias pra cá?"
então, em vista da curiosa circunstância, pus-me a pensar no assunto...




não, não tinha e não tenho nada. nada de mais, apenas resmungos, azedumes triviais e a casmurrice que se avolumam num crescente dessa às vezes quase sempre tola vida breve. no mais, a náusea volta e meia emerge, dá um tempo, boia um pouco, então, (creio que ainda sou aquela velha guerreira afeita ao ganhar ou ganhar) engulo, em ato voluntarioso do meu regente planeta Marte, (viva a guerra!) aquele a seco e com cascalho, e lá vou eu. volto à respiração de garganta incompleta, aquela básica anti-yoga, porque se fosse a profunda, não seguraria a onda, vomitaria até a rôpa colar no corpo. vomitaria da vida, dos seus ditames e leis de raposa, na qual e até quando?! sempre triunfa o homo-peido, que de sapiens só tem o papo cheio de veneno.


afora isso, bem loca, né. loca como sempre. delirando no delicioso silêncio das tardes solitárias, que dão cada vez mais margem ao eco dos pedantes e maravilhosos literatos - Hugo Friedrich e Emil Steiger, (com os quais e apenas mais alguns seletos naipes marcados [isso, me odeiem!] certamente, poderia passar todas as minhas ainda restantes) que uivam no cabeção mais inchado do que nunca. inclusive, acho que se agora caísse uma gota no meu copo seco, aqui do lado, eu me embebedaria de completude vazia cheia do nada. porque eu tô loca, lôca de feliz à tarde, e azeda de burrice na alvorada. e tu aí do bilhetinho ainda me pergunta porquê?
é simples, vivo entre bichos redomões, e meu dia, há mais de sete meses, começa às 3 da manhã. só por isso.

ah, ô grande nada da vida...

terça-feira, outubro 27, 2009

eu devagar vou, de vagar vôo

nunca sou puramente idêntica comigo mesma, por assim dizer, mas um ser sempre lançado pra frente, à esma, para além de mim lesma.


sexta-feira, outubro 23, 2009

acerca

que tolice! deixa de exagerar, quem disse que eu sou distante?

eu até te convido pra sentar bem do meu lado.

terça-feira, outubro 20, 2009

mulher casada

-ai, tu nem parece uma mulher casada.
-por quê?
-ah, por que tu coloca essas fotos, assim como esta no teu blog.
-hummmmm. e o que tem haver uma coisa com outra?
- ah, muher casada não bota foto assim.

-mas, eu gostei dos olhos, oras bolas - bem grandes, imensos, uuu janelões do terror a mirar em guerra, pôxa vida, mas afora isso, me responde uma coisa, hein: e homem casado? pode se comportar assim?
- assim como?!
indaga ele.
ela aponta uma montanha de roupas, principalmente camisas, camisas de colarinho branqueado a esfregue de mão, derreadas no sofá , ainda por serem dobradas há mais de duas semanas.
- não entendi. responde o ciumento.
-ah, deixa pra lá. encerra a madame, de uma vez por todas, o delírio macho alfa dominante até quando.

quarta-feira, outubro 14, 2009

domingo, outubro 11, 2009


sábado, outubro 03, 2009

a irremediável morte do fruto



AveMariacheiadegraça,oSenhoréconvosco,benditasoisVósentreasmulheresbenditoéofrutoem Vossoventre,Jesus.Santa MariaMãedeDeus,(?)rogaipornósospecadoresagoraenahoradanossa morte.Amém.
*
Santa Maria Mãe de Deus! como me explicam "mãe de DEUS", se em seu ventre havia JESUS?
então Jesus é irmão de Deus!?
é isso?
me traz uma cigarreira com ópio pr´eu abstrair



ALGUM TEMPO DEPOIS...


...


TÁ FUMEI. ENTENDI. O jESUS DA QUESTÃO É APOSTO.

MAS NÃO APOSTÓLICO ROMANO.
MAS AFINAL, TRAGAM OS COMPÊNDIOS!
JESUS ERA JUDEU, PÔRRA!

mais um dissidente em crise, cansado do papo dos outros.



[e outra: a Santa Maria era mãe de Deus ou de Jesus?]



ah, quer saber? cansei dessa cantilena braba.
às favas com esse circo chato.
se ao menos tivessem elefantes...

sexta-feira, outubro 02, 2009

autêntico haikai

sou eu a chuva



alfinete da pressa


lavando você