quinta-feira, janeiro 27, 2011

menininhes da história



nesses últimos dias, um pouco antes antes de conhecer a marina, sinto que os essenciais instintos estão mais soltos do que nunca, - rédea às largas, nenhum freio e sequer boleta pra travar.
sabe, gostei dessa tensão esticadinha do fio vital da gravidez. fio de um trapezista experiente. de quem não pode errar, porque já nem arrisca quem sabe não haver pit-stop nas alturas. ah, e se eu falar da bendita justeza certeira no pisar mesmo com os ossos moles? troço pra macho mesmo. salto alto?
jamé, bebé.
mas, enfim, sinto-me muito viva, alerta, sagaz, sempre pronta pro bote antes de qualquer rápido piscar.

viva a natureza! e, tenho dito: pra parir tem é que ser macho. então, nesse instante própício, reflito sobre a espécime legitimada como tal pela ciência; infundadamente, é claro. pois, caramba! olha lá! vê se não é? são tudo-tudo menininhas ticudas; menininhas medradas, passarinhos temporãos, famélicos, de boca aberta, esperando a mamãe voltar para enfim viver e ufa - arriscar um bater de asas.



sim, vocês não sabiam? houve um equívoco semântico dos graves na história das palavras: meninos são meninas! meninas são meninos!

sábado, janeiro 22, 2011

samuca braunstein



9 meses! ufa. ufa.
a nina mexe muito, faz calombos na barriga,
verdadeiras dunas do saara,
massageia a bexiga, faz fom-fom no pulmão
dá apertões no esôfago
arriscando até um sapateado flutuante...
nessa organicidade tocante
a curiosidade explode!
será moça comportada?
ou moleca gurizinho?
marinaaaaaaa!
como é você, aquariana doidivana?

sexta-feira, janeiro 21, 2011

dedinho amiguinho

sabe, é um curioso caso essas pessoas que não tem um puto furado no bolso e, ainda assim, gostam, precisam ostentar, - comprar quando não tem, ou pior: quando já tem! se o caso em questão fosse só comprar, podem ter certeza, a crítica sequer estaria aqui. entretanto, os macambúzios beiçudos gostam de comprar um artigo, mesmo já o possuindo, apenas para ter uma corzinha diferente, pra combinar com a parede e então fechar todas com a lua nova que surgirá, segunda-feira, no céu de marte.

nessas horas, eu só tento entender, - de onde vem essa cultura OCA, esse pé atoladaço no irreal?

ah, sim, evidente - justamente, por isso, não tem nada. não tem nada, nunca. viver de aparência, de superficialidade é oxigênio purinho no planeta ameba-burguês. e depois ainda reclamam: "ai, estamos lisas, não vai dar pra viajar esse ano. que pena." e, no outro dia, lá estão elas, comprando uma roupinha, com a conta no negativo. então, imagina se não?! logo, logo, encontram alguma desculpa para si mesmos, na vã tentativa de amenizar o ensurdecedor eco no oco:"ah, mas é no crediário. nem se sente."

então, com a devida licença, amebas, dedinho de lady pra vocês.




quinta-feira, janeiro 20, 2011

o horizonte da taipa


o horizonte lhe era tão sobremaneira estreito. todos os dias, ao chegar na esquina, topava de testa com ele.
no outro dia, sempre a mesma coisa. nunca lhe ocorria utilizar a memória para poupar analgésicos.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

respira. 1,2,3

fingir que não está acontecendo nada enquanto ao derredor o mundo está a enojar, sinceramente, é o exercício mais transcedental que já experimentei.

mas, pago o preço.

domingo, janeiro 16, 2011

vírgula

Muito legal a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).




Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.


Detalhes Adicionais

'SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.'
Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.
Uma vírgula muda tudo.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

domingo, janeiro 09, 2011

some ice is nice



passei meses reclamando dele
portanto nesses dias de calor sufocante
tenho de me redimir com o frio
porto alegre é uma caldeira
extrai-me as forças
então eu resto como uma sobrevivente
não diviso esperança no horizonte
os olhos sempre a meio palmo
coluna murcha
cara sugada
até parece dopada
ô autômata sem-graça
à toa veio ao mundo
xô pra lá, maria sem-braço!





* gosto muito da expressão 'joão sem-braço'; geralmente é utilizada para denominar a pessoa que não faz nada, é preguiçosas, escalada e cuja falta de pró-atividade faz com que os outros façam as coisas para ela.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

meu mundo amniótico

(se vocês não forem preguiçosos hoje, perceberão que a foto abaixo não possui combinação nenhuma com o teor do texto. todavia, sempre é bom dar uma quebrada no meu Marte ao lado de Júpiter, assim como é bom tomar um chimarrão e comer um chocolate, beber um vinho Merlot e tomar uma água mineral. uhhhhh. as quebras! tem de haver!)


tudo, mas tudo, ultimamente, parece tão idiota. as pessoas, seus jeitos, suas promessas que se dão ou, já nem sei - que se deram só por aquele micro-apenas preencher de silêncio circunstancial (bah, isso me enjôa muito, tenho que confessar).
me diz!? aquela bosta de facebook - de repente! todos cagando ao mesmo tempo pela boca - meu deus! quantas mentes rasas navegando no assoreamento da seca de Bagé! realmente, os circuitos neuronais estão algo - beirando a depressão do magma no núcleo da lava. o óbvio nunca jorrou tanto pelo modem e inundou, tão, mas tão à contra-gosto, a minha sala limpinha com Destak.
a humanidade jamais me encheu tanto de tédio, com seus despejos verbais monotônicos, como agora, como hoje, como ontem, como há muito tempo só que eu fingia estar tudo bem - fingia que o circo tava bom.
e por falar em bom, sem pensar em 'bomba' trazendo um belo Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva (já leram?) - o lado bom, o que não me leva AINDA ao divã é que dou um jeito de envergar the diplomacy mask, maskemerda, mas tudo parace um blá. um blá pastoso - de chiclete colado no calor - ecoando seu som difuso num meio líquido, onde as ondas sonoras parecem gravações distorcidas, de demônios, graves, daqueles sonhos estranhos, que a gente quer mais é passar pra próxima cena. próxima! próxima! próxima! (e, no final, - esquece - nunca fica interessante, tem mais é que tentar sonhar outro dia; acorda, vai! bota um som alto (mesmo que seja brega! inventa que combina com aquele estado dos ânimos), varre a casa, espana os ares pra disfarçar os diabos em volta).
É engraçado, é curioso, os seres preferem falar, falar, falar e não, nunca ficar em silêncio, - talvez, pra 'não ficar chato'. humpf, mal sabem eles o quão bom é quando ninguém fala nada e apenas estão. ah, eles não sabem o que é isso. o "isso", amiguinhos da Boza, é o vide a esfinge lá no Egito; vide o gato velho que sabe curtir a tua companhia; vide a árvore dançando no vento; vide o entendimento pelo olhar, vide a apertura do botão do foda-se, sem medo das consequências que podem vir, que certamente virão e ainda assobiando ária, como se inexistisse um amanhã. "Isso", isso é ESTAR. É ESTAR PLENO.

ah, e as "outras pessoas", então? as que não tem vida própria e nossa! como podem depender tanto de esmolas?! de ferrinhos paupérrimos que só os sovinas se agarram com suas manias de Segunda Guerra Mundial - dependem do mínimo suspiro alheio para animar seus circos dominicais com tela faustina no background da monotonia a&b, b&a, A&B, B&A, A&b, B&a. me diz?! esse oco mental galático seria por conta de não encontrarem razão ou simplesmente por desconhecerem m-e-s-m-o a arte, a possibilidade de contemplação, a quimérica alienação que instintivamente nossos olhos podem congelar-se viajando gratuitamente e além, ou então não saberem entregar-se a outras atividades manuais, mentais, ou simplesmente esquecerem de vez das sexuais e suplantarem-nas senão por fofocas, invejinhas maquiadas de piada leve, revivals repetitivos que já se sabe mil vezes o final da história e dããããããã - uma sorvetada na testa de presente, quer?
é nessas horas que invoco o Rappa: "me deixááááááááá, que hoje eu tô de bobeira, bobeiraaaa..."




sério. a bossalidade humana me deprime. me comprime. e, eu, embolado êmbolo, refén. só vou.
ei! tu, aí! me dá uma esmola de vida-verdadeira-que-eu-procuro e pronto. ou, tranca a injeção com a ponta do dedo e explode com tudo. assim, vem a liberdade - da mudança. da morte.

terça-feira, janeiro 04, 2011

minuzzo máxima


(não é questão de falta de memória... mas mesmo, ora, padecendo deste mal, - oras-bolas - gravidez chapante! os artifícios são sempre mais instigantes, mais instintivos! pois que nunca os adormeço.)






eu falei pra ela. falei que foi por causa das Formosas.
nos outros anos, pensei serem sempre as Azaléias, no auge da floração rosa-moça, a avisar do seu aniversário!

sábado, janeiro 01, 2011

quinta-feira, dezembro 30, 2010

inevitável chave de cadeia

eu acho engraçado essas pessoas que fumam maconha escondidas, colocando panos em baixo da porta, trancafiando janelas, vedando frestas e acendendo incensos horrorosos, como se gostassem daquele aroma guerreando com o da Canabis.
ah, se isso pelo menos bastasse para impedir que o cheiro de capoeira, do zumbi dos palmares não reencarnasse rua à fora...
das duas, uma: ou fuma-se escancaradamente, e o cheiro é denso; ou, às escondidas, sendo a fragrância sutil, mas, igual: presente.
ok, a segunda opção é a predominante, não adianta - manter a máscara faz parte dos protocolos da grande farsa humana, mas não se iluda na ginástica do ocultar: as pessoas sabem do teu telhadinho de vidro.
não há o que fazer! é o preço: o banzo do troço tem santo forte. não dá pra desdenhar.
;)

sexta-feira, dezembro 24, 2010

suddenly...

de repente! surpresas!
deliciosas surpresas.



e, só pra variar, a Micheli nos pegou pelo estômago.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Burnout do peixe

tenho vivido dias que me lembram meu estado de espírito, em Israel, há 14 anos atrás, quando eu costumava riscar pauzinhos na agenda ao levantar. mas, graças à excelsa juventude, o pensamento divagava nos sonhos de reencontro com os amigos, ao longo do dia e, então, eu conseguia suportar, romântica, aquela saudade apertada demais.
"um dia a menos. um dia a menos." a sensação de vitória se dava no barulhinho curto do lápis a riscar. estava doente por voltar ao Brasil e simplesmente não aguentava mais nada que se apresentasse a minha existência por lá.

hoje, novamente. a mania aquela, de presidiária, só que agora os pauzinhos são mentais, e o pensamento é sempre fixo, (there is no romance at all) randômico no mantra de teleprompter - "preciso de paz, longe, bem loooonge de lá."
então, me pergunto, nessas horas de desespero: serão os hormônios os causadores desta síndrome, de não querer encarar a labuta?
e a resposta mais instantânea que consegui encontrar é que são eles apenas a ponta do ice-berg do meu asco. quando se é um peixe de água doce, não adianta forçar. lá, sou um peixe fora d´água, do mar morto daquele lugar.

sábado, dezembro 18, 2010

46 anos depois

O Mário nem acreditou que 46 anos depois de deixar sua Porto Alegre (cidade que por mais que falemos mal sempre deixará uma raiz profunda enterrada na alma da gente ) não só estaria aqui, (aliás, isso seria fácil demais) mas ele e toda a família! Pois que travessaram o Oriente Médio rumo ao paralelo 30º, da América Latina! E então pode mostrar, enfim, onde começou a sua história.


















Certamente, essa visita ficará guardada no baú raro das lembranças Muito Boas.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

30ª semana


quero essa bariga pra sempre!

domingo, dezembro 05, 2010

o chá, a vida

tanta coisa atropelada, esquecida, ora anotada, pronta pra ser escrita, mas puft! puft.





domingo, dia 28 de novembro, foi o chá de fraldas da Marina. Eita festinha trabalhosa. O Fábio editou um filme-documentário que durante os quase sete meses da gestação fomos gravando. Ficou bacana. Agora a Nina tem uma história de vida. A história de Marina. Não tenho intenção de parar com as filmagens. Quero mais. Quero tudo, todos os detalhes que estão acontecendo em derredor: as danças, as músicas que coloco pra ela escutar, os bons e maus dias ora pesados de sono, as novas dobras de gordura corporal, meu novo ser que nasce de minha transcedência à Terra.




As pessoas mais importantes da minha vida apareceram e, isso, inegavelmente, foi o maior dos presentes. Logicamente faltaram aquelas outras, do convívio mais cotidiano e, que, inclusive, confirmaram a presença no evento; fato xarope que insuflou uma mágoa amarga, dessa que se precisa de um teeeeempo para digerir a falta de consideração inesperada; mas já perdoei. apenas não engoli direito o quadrado, que, dentro em pouco, certamente dá um jeito de ir arrendondando as bordas pontudas. Minha barriga é por demais pesada, não tenho condições de carregar mais pesos, ainda mais os mortos; por isso, preciso perdoar. justamente - para me livrar de cargas! cargas extras. Afinal estou com 11 kilos acima do que costumava empurrar no dia-a-dia; não é barbada. O caminhar é muito lento, sinto uma sensação de torpor, chapação lisérgica mesmo. Obviamente essa é a parte boa e linda, linda de morrer.




pela manhã, levantar para o trabalho, parece-me, cada vez mais, uma tarefa pra lá de odisseica. tenho de enfrentar cobras e chacais pra envergar o uniforme xexelento da empresa, passar a maquiagem (que nem surte mais efeito) para disfarçar o desgosto que se derrama pelos olhos e cara a baixo quando a questão é ir para a labuta. Essa tem sido a parte mais difícil, verdadeiro martírio: trabalhar. trabalhar me é um malefício - o que aniquila profundamente e me faz questionar - "até quando? até quando, meu dellllls?" Vontade verdadeira de passar os dias comendo melancia gelada, de pernas pra cima e me preenchendo com silêncios, pássaros cantantes da rua e paz. paz. Longe de pessoas hipócritas e que vertem feito baratas sôfregas em dias de temporal. E, nessas horas de asco, não é caso de por veneno, Baygon, essas coisas ruins da Bayer pra se livrar a curto-prazo; Isso é palhativo apoucado pro meu vasto sentimento de vácuo espiritual dentro daquela merda. quero apenas me livrar. enfim, ter um planeta novo para habitar. sumir. surgir.


quarta-feira, novembro 24, 2010

Sakineh Sakaneada

ultimante, em virtude de nossas mútuas preguiças, a mãe e eu temos nos visitado mais por telefone. ontem, lá pelo vigésimo minuto de conversa surgiu o comentário sobre Sakineh Ashtiani. momento aquele em que, só pra variar, estávamos bem animadas falando mal de alguns homens, da insenbilidade bossal frente a tantas situações a que sujeitam moralmente a mulher, das escolhas torpes e atitudes ridículas, que, de um modo geral, a testosterona é a maior responsável por lhes provocarem as impulsões mais agressivas e imediatas sem reflexos mentais mais detidos; então, a mãe comentou comigo que havia escrito sobre isso, mais especificamente sobre Sakineh.


amigos, sinceramente, excetuando os caras legais, com um bom coração e cérebro mais desenvolvido, que eu sei que há! de um modo geral, os homens são muito tacanhos, machistas, tarados, destruitores e doentes. são eles, sim, a chaga da humanidade. e hoje, grávida, tenho sentido mais engulho do que nunca em relação à espécime. não tenho gostado que se aproximem de mim com seus timbres, com seus papos, com seu ser xy. se isso vai passar? provavelmente. mas preciso de um tempo.




Já fui contra a pena de morte. Aliás quase toda a minha vida. Não sou mais. Debulhava um a um os argumentos já conhecidos de todos e com profunda crença.
Mas com 7 bilhões de pessoas no planeta e do jeito que a violência campeia, acredito que o Estado tem o direito de tirar a vida daqueles que cometem crimes brutais. Isto mediante julgamento, juri, promotores de acusação e advogados de defesa. E que a forma de matar essas pessoas seja a mais rápida e indolor possível. Ponto.
E qual foi o crime brutal imputado a essa mulher?
Trair o marido já morto com um outro sujeito? Não. Depois arranjaram mais outro sujeito. Adiante, imputaram-lhe o assassinato do marido. Ou seja, primeiramente traidora de um cadáver, depois, fazedora desse cadáver. Os filhos a defendem. O advogado foi obrigado a fugir.
E me vem com a lenga-lenga de que há pena de morte em outros países, principalmente no odiento Grande Irmão do Norte.
Céus! O que não faz a paixão ideológica com a faculdade pensante dos que se tomam por racionais! Melhor esses indivíduos, que não veem nada de mau em castigos bíblicos, plantar couve nos cafundós do judas. Poupariam nossos arrepios de indignação.
Querem a barbárie? Mudem-se para essas abençoadas plagas que asfixiam a nós, mulheres. Afinal lá valemos a metade de um homem.
Contudo esses bravíssimos defensores da não ingerência em julgamentos fajutos em terras arcaicas até podem estar certos: afinal, não chegarão a matar um homem inteiro. Apenas a metade.
Acordem, anestesiados da silva: o que se quer é trazer alguns países pro século XXI!!
Sakineh, além da crueza de seu sofrimento, é o paradigma do que muitas nações praticam contra as mulheres, inclusive, aqui mesmo no nosso lindíssimo país tropical.
Uma injeção letal, choque elétrico ou romper uma criatura a pedradas até a morte?
Tenho dúvidas se a nova presidente brasileira priorizaria conveniências geopolíticas ao custo de ratificar ou omitir-se ante a barbárie.


Cecília Nisemblat

domingo, novembro 21, 2010

mágica!

é interessante esse aspecto humano: de repente, todo mundo some. simplesmente se desfaz, que nem fumaça misteriosa no horizonte.


e assim... nesse mesmo piscar, de repente, aparece! do nada, que nem fumaça quando há fogo.

ai, humanidade, livra-me, livra-me dessa tua mágica.

segunda-feira, novembro 15, 2010

morando no vazio


o projeto "morando no vazio" continuaria se não fosse...

finalmente estou edificando a minha biblioteca; vou juntar todos os livros da antiga casa, os que fui adquirindo desde quando vim morar aqui, e lá vou eu separar o gêneros, as capas duras, os para restaurar, doar, esquecer...

e essa sensação de ficar juntando coisas, (por mais que a palavra livro jamais seja uma "coisa" sob a minha percepção - permisso - agora o é) me deixa louca de dó. dó! de preencher essas prateleiras tão lisinhas das lixações com esmero e ora cheias de perspectiva para os olhos percorrem sem se deter. dá pena. eu gosto de vê-las assim, vazias; é tão bom a casa ampla, sem muita coisa, minimalista.

e, depois de tudo arrumado, perfeitamente organizado, livro por livro, ah, não fica bonito pela inércia em si. vem o pó, mais livros, mais vida fúngica, mais espaço para arranjar entre eles... e, claro, mais coisa pra limpar e escravizar as barbas. até quando essa submissão e acúmulo, hein?


ver, sentir a casa mais abarrotada me compunge de agonia que toma nervos. well, por ora, não há outra saída. o materialismo do meu ser exige de mim. então, enquanto o espírito de Thelma & Louise não baixa neste corpo, deixo-lhes o registro do tempo em que o projeto "morando no vazio" durou. durou e teve a intenção de ser, pelo menos, alguns dias. e, embora já esteja tudo pronto, resisto. acreditem. protelo a arrumação; ativamente penalizada de prosseguir contra o meu sonho, contra a verdadeira vontade de me desfazer de tudo sem olhar pra trás.



ah, se não fosse... esse meu jeito terráqueo de ter.

segunda-feira, novembro 08, 2010

essa onda pega


opa!
alto lá!
há um clima de procriação por aqui. hoje, a casa amanheceu mais habitada.
é, essa vida é mesmo um milagre; até argila está dando cria.

terça-feira, novembro 02, 2010

o laranja




- fábio, por que tu tem poros de casca de laranja?
- ué, pergunta pra eles, oras.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Serafim Jr.

Acompanhando Serafim em seus desgostos...


"ontem fui muito social. não fui quem eu sou. caramba! já não basta que tenho de ser ético o dia inteiro? ah, no meu lazer, eu não quero.
sou que nem gato, - é só me dar o que eu quero que fico faceiro e ronronante. do contrário, sou independente, e, se a coisa não agrada, dou logo um jeito de achar um escape."

quarta-feira, outubro 27, 2010

domingo

domingo, publiquei uma foto lá no facebook, e a dona cecília nisemblat comentou assim:
"não entendo muito bem o fenômeno. Penso em falta de valores maiores na vida das pessoas como causador."

posto que respondi, de imediato, pra doidila da minha vida:
"é verdade, tudo isso aqui é o mais alto grau da falta de "valores"; todavia e igualmente, na mesmo mais alto grau de...

amores!"

então, só pra variar, ela puxou sua rebeldia atávica da manga; afinal, nunca quer entender o que verdadeiramente não lhe interessa:
"Sou mais o Cazuza: ..."ideologiaaaaa. preciso de uma pra viver..."
Torcedores fanáticos, provavelmente são os que não costumam pôr a cabeça pra fora do buraco, sacô, bicho?"



bueno, como vocês podem ver, aqui, eis uma nítida divisão da emoção: trabalhando, e ora sorvendo dribles de um clássico. um olho lá, o outro cá.
viu como a gente não é fanático?

domingo, outubro 24, 2010

Amanduca e o novo condão


eu sempre costumava chamá-la de velha bruxa. porém, depois de muitos embates travados com sua luta interna, finalmente ela conseguiu! livrou-se, de uma vez por todas, do pior dos feitiços do caldeirão de Porto Alegre. então, eis que a magia aconteceu:
virou uma fada. ah, mas só 'fada' fica sem graça; então, agora ela será a fada bru.
fa´da bruma!

quinta-feira, outubro 21, 2010

sou mandriona, eu confesso

toda manhã é a mesma coisa, me é um verdadeiro martírio só de pensar que eu tenho que acordar e encarar a casa todo o dia. aquela louça, - lembretezinho do tédio, aquele chão... sempre tem coisas, aquele fogão, aquela geladeira com comida estragada que sempre esqueço e vou adiando colocar fora, aquelas roupas pra lavar, pra dobrar; todo o dia tem alguma coisa. ai, coisa mais desagradável. por isso, eu queria morar no vazio, no mais pleno vazio. ter quatro peças de roupas, algumas almofadas, um colchão, duas cadeiras. apenas não abriria mão da geladeira. e esta, eu certamente continuaria a ter que limpar...
é, mesmo no mundo vazio não dá pra ter o nada absoluto.

sexta-feira, outubro 15, 2010

diz "tchau" pra eles, Nina!


A viagem da canguru completou 22 semanas, na quarta-feira. a paz, finalmente reina no lar. acabaram-se os enjôos, as ânsias, as iras ferventes, os sonos embriagantes e a má vontade de ir trabalhar. por ora, nunca me achei tão bem! comprei alguns vestidos - três vestidos! - um com flores, outro azul da cor do mar, para combinar com o nome da Marina, e, outro, com listras de céu outonal. decidi abandonar, de uma vez por todas, os abrigos e moletons engordantes emprestados pelo papai Fábio. Agora somos duas princesas, no reino encantado da primavera!

quinta-feira, outubro 14, 2010

parem, agora!

sabe, eu vejo todo mundo tão inflamado, levantando bandeira à Dilma, outros, ao Serra (eita que homem que não convence); o fato é que realmente nem um, quanto o outro empolgam. então, eu penso assim: cara, é muito bom estar absurdamente imersa em hormônios, na minha situção de gravemente grávida, e se lixar pra esse movimento todo.

há uns dias, li uma frase, num muro lá da UFRGS: "se votar mudasse alguma coisa, seria proibido." Então, preclaros, neste momento, bocejo e volto com meus olhos de peixe-morto ao meu tricozinho com a excelsa linha Vera-verão, da Pingouim, pra minha filhota. Agora, por favor, amigos, parem! sou apartidária. cansei.

sério, por favor, parem com esses e-mails que mais fazem eu perder meu escasso tempo abarrotando a minha caixa de mensagens, dizendo que a 'Dilma é dilmais!', porque isso, sinceramente, além de ser uma rima essencialmente pobre, não sensibliza o meu hipotálamo e definitivamente não, não mudará a minha opinião.
ah, oras, se ao menos mandassem Homens nus...
afffff.

sexta-feira, outubro 08, 2010

sessão túnel do tempo


ladeira da fapa. sinceramente, não sinto a menor saudade.



de subir.



só de descer...



e encontrar.

sábado, outubro 02, 2010

dia de maria


despertar desperta.



preparar, mirar, encarar...



desisto.






preguiça!

sábado, setembro 25, 2010

Marina! a Nina da Mari



Estou há dias para fazer a atualização desse blog; mas, como vocês já sabem, a preguiça cresce junto com a minha barriga e, isso, fatalmente, impede que eu o faça como antes - tranquila e de olhos fechados. Bem, nesses dias de setembro que veio como uma benção varrendo de vez o inferno inverno, tenho ficado com os pensamentos em mente apenas por poucos minutos; então, tentei anotar algumas coisas para que não se perdesssem de todo, mas esqueci. Esqueci onde coloquei o papel rascunhado, embora tenha prometido colocar na sacola das listas a serem escritas, mas não cumpri. Esqueci de tudo mesmo, até onde está a tal sacola. Desculpem. A amnésia tem ocorrido para as coisas mais triviais. É uma vergonha, passo até por burraca. Todavia, o meu alento - conforme já me explicado pelas amigas que já são mães - isso é bem normal durante a gravidez. E, como na hora de sentar para escrever, ato que não mais priorizo por ora, ponho o foco nas coisas que me exigem pensar de menos - logo, não escrevo e, nossa! como isso tem me feito bem. Pensar de mais, me deixa deprê. Então, mais feliz do que nunca com o meu novo papel - sou a parva da Barca, de Gil Vicente, toda resignada e sem receios de ter oco mental.

Bueno, pois que muitos ainda não sabem, mas a Marina, a Nina pros chegados, já está com cinco meses, dentro do ventre. Minha intuição estava certa - seria uma meninhê de cor rosa. Mas isso não significa que ela será dessas gurias frescas. Não, ela vai ser artista, bailarina, escritora, musicista, sionista, sei lá. Afinal, será ela quem escolherá o seu caminho, oras! Mas que vai torcer para o Inter, ah isso já está decidido. Ou que vire a casaca, como fez a sua mãe, aos oitos anos - quando trocou o grêmio pelo colorado, inarredavelmente, e no auge do fracasso do clube rubro (aliás, isso daria uma boa estórinha). Eu queria era saber do vermelho. Aquele vermelho me chamava como um ímã na tela da tevê, enquanto, cada vez mais, ia sentindo que aquele azul - por quem a minha mãe, o tio, o avô, a melhor amiga diziam-se do time - era uma cor fria, muito fraca para minha paixão pela vida. Não era pra mim, uma escorpionina das vibes elétricas.


Desde a última postagem, tanta coisa aconteceu, já até perdi o foco e o pensamento que tinha para colocar neste espaço. No entanto, o mais interessante fato desses dias tem sido a minha eletrocutante descarga hormonal de lôca varrida. Penso ser eu, hoje, uma outra Mariana que está nascendo, talvez pela macumba de um Deus baiano; o desfolhar da maternidade está me descascando, como um caule de goiabeira em vias de renascimento - e resiste, bravo, flexível, às intempéries todas; sou uma goiabeira que se chama leoa. Apenas espero, quando a minha filha nascer, já não estar tão nervosa como agora e, que dessa inusitada troca pele, advenha muitos, muitos frutos doces!


Então, deixo um texto real, relato do que aconteceu hoje, apenas pra vocês me conhecerem na atualidade, "um pouquinho melhor..."





HORMÔNIOS . PROGESTERONA. QUE DONA.

Só para vocês terem uma idéia da ferveção hormonal inacreditável... hoje, às seis horas da manhã, acordo sentindo um cheiro forte de cigarro. Pensei que era daquela velha chata da minha vizinha, mas achei estranho, porque ela dorme até o meio-dia. Então, ciosa de algum vestígio mais claro, sacudo o Fábio e pergunto: “-quem tá fumando? Quem tá fumando?” Bem, como homens não acordam fácil se tu não está com uma calcinha bem entalada (isso é casamento, baby, Yes.), desisti. Levantei segurando a barriga e fui para o corredor do prédio, de meia e tudo e fungando, pois o edifício incendiou há dois anos e o trauma fica, ah se fica. Fui descendo as escadas, fungando, fungando, feito um cão perdigueiro enfiando a fuça no friso das portas alheias e nada. Por ali, a atmosfera estava amena.

Voltei me puxando pelo corrimão, feito uma anta que vasculha o território em busca de algo; todavia, o cheiro continuava. Resolvi escancarar a sacada e o quê vejo para o meu deleite depois de perder a viagem que definiria a minha semana? Hãm?
Uma névoa esbranquiçada adentrando diretamente a minha casa, vinda de um monte de lixo com papéis, plásticos, folhas feito por um homem grisalho que sempre varre as ruas, talvez por pura tara de mover os braços que não abraçam mais nada nessa vida. Uma fumaceira, uma fumaceira que não dava pra tolerar; então eu enchi os pulmões e soltei um grito com toda a reverberação de fêmea lôca por proteger a cria:
“ – me diz uma coisa, hein meu senhor! Por acaso tu tem MERDA nessa cabeça? Só pode. É merda, é titica, ou é o quê que tem aí? Sabia que eu to esperando um filho? Tu tá querendo matar a minha filha? Hein? Tá querendo? Então espera aí."

A passos largos fui na área de serviço, peguei um baldão, abri a torneira na vazão máxima fazendo um chafariz na minha roupa e pelo chão todo, movida por uma fúria incandescente e. em ato-reflexo, desci de meia e tudo lá embaixo. Fui arrastando aquele balde pelo corredor, com dificuldade, tava pesado, e aquilo ainda fazia uma ondona quase saindo pra fora – pra lá e pra cá pelas bordas, ah santo desequilíbrio de trapezista aposentada. Atravessei a rua, cega, fui chegando bem perto, nem olhando pra ele. Quando cheguei na borda da fogueira, de súbito - TCHÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁA!

Pronto. joguei o balde com água na sua fogueira matinal. E voltei. Voltei calma, voltei Mariana da Nina. E fui dormir tranqüila e serena.

Horas mais tarde, o Fábio me revela enquanto eu escovava os dentes:
" -Mariana, sabia que eu espiei pela janela quando tu atravessou a rua para apagar a fogueira do velho? Tu parecia um guri, com a cara toda franzida e caminhando feito um julinho play."

quarta-feira, setembro 01, 2010

ver enxergando?


ver enxergando nunca é a mesma coisa quando os olhos estão atrás das lentes - são as escolhas: ou viva ou robotiza. então, convicta, abro mão para eternizar.

sábado, agosto 28, 2010

que preguiça!


Eu ando tão preguiçosa, tão dorminhoca, que apenas penso em chocar o meu ovo na santa paz de Deus. E, se acaso sento em uma cadeira, ali fico, por muuuuitos minutos, talvez mais de hora se assim não ocorrer algum evento que realmente me obrigue a mudar de posição. um, dois, três... estátua! e brinco assim ao natural. Ficar dormindo, então? Dispensável seria contar-lhes sobre os meus últimos recordes de meio turno de puro R.E.M intervalado apenas por uma xixizeira danada. Dá uma pressão na bexiga e eis aqui que surge a oportunidade exata de confessar sobre o meu dó de dar tanta descarga - sei que a água anda escassa no mundo. Tenho consciência e sou paranóica com desperdício. Imagina! oito litros a menos a cada vinte minutos só no xixi?

Tenho muita dificuldade de prosseguir com as leituras e fazer trabalhos acadêmicos - resumindo: pensar demais, não. Talvez o sangue esteja irrigando menos o cérebro e esta seja a chave do meu emburrecimento consencioso.
O fato é que o foco principal de agora é me despedir das longas horas de sono, da solitude tão apreciada, que, ultimamente, dediquei à fotografia e ao nadismo. Tenho preguiça de conversar e verdadeira intolerância a temas polêmicos; e o que mais tenho gostado por esses dias (que novidade!) é de silêncio e horas, h--o--r--a--s a fio de sono imperturbável.

Completaram-se quinze semanas, praticamente quatro meses de gestação, e, tamanha é a acomodação do ser rola-bola, que sequer mexi o esqueleto para descobrir o sexo de menininhê que aqui flutua. Enfim, não importa. Não importa. Apenas pressinto que será menininhê de cor rosa, mas ainda não tenho confirmação. Será que meu instinto estará certo?
(provavelmente. ele raramente falha.)

terça-feira, agosto 10, 2010

I´ve got some news from iceland

a minha casa é tão fria que ultimamente sou obrigada a passar as tardes deitada embaixo de cinco camadas de cobertor. o ar condicionado finalmente está no conserto, e, começo então a sentir novos sopros de esperança de sobreviver a este inverno.

os enjôos da gravidez passaram - uma benção. ao contrário do que imaginava, perdi três quilos com meus vômitos diários; as ânsias súbitas, sumiram também. a barriga - atrevida - já sorri para fora da calça, e, volta e meia, quando olho no espelho essa redondice toda, me pergunto: será certeiro o meu palpite sobre o sexo desse filhote tão quietinho?

bem, enquanto a resposta não vem, eu acho que será menininhê!


quarta-feira, agosto 04, 2010

lui et moi

sempre fomos tão diferentes;
contudo, sempre contentes
com nossos planetinhas a contrastar.

terça-feira, julho 20, 2010

o queixo caído que ainda não voltou pro lugar

Esse semestre passou rápido, numa fluidez incrível, envolto de surpresas, que, de sobejo, trouxeram um festival de bem mais do que decepções. Creio, ainda hei de escrever uma lista das farsas mui humanas demasiado humanas a que assisti gratuitamente - assim mesmo - à toa - como haveria de ser, oras! na inércia mais pura e cabal do bem-viver. Pena que não há espaço nem tempo hábil para todas serem narradas; porém, quero deixar registrada, pelo menos, uma pérola rara... dessas que, por mais que o tempo passe, sempre ficará aquele indelével brilhinho dourado, na lembrança que não pediu pra ser marcada. Trata-se da jóinha da minha estupefacção mais contundente de todas frente a um acontecimento que doeu sentir na pele - caso antissemita, digno de um desabafo sem medo e tranqüilo, como se houvésse todo o tempo do mundo para lixar as minhas unhas em pontas de águia para fazer valer alguma contudência verbal que o valha. As palavras, afinal, servem muito! não só para mitigar dores, mas como também para mostra-lhes que sei atualizar blog sem enrolações vivaldinas. Por isso, hoje, quero falar sobre o comportamento, o qual, não compete mais a mim denominar o calão; senão, acabo desnecessariamente no lodo. E, convenhamos, leitores, não fica bem uma grávida chafurdar em angústias conflitantes em meio a uma gestação que ora desabrocha linda. Gravidez combina com coisas boas, sonhos, enfim, outras preocupações menos lastimosas, ao contrário dessa aqui, que pode até causar mal a um bebê, mesmo ainda tão pequenino. Bem, mas dessa eu preciso falar. De todos os lixinhos varridos para baixo do meu tapete, o único entrave ao que o filtro da mulher de aço, aqui, não aspirou bem foi uma memorável frase dita, há umas três semanas atrás, durante a apresentação de um trabalho meu, sobre o conflito no Oriente Médio, na UFRGS. Se, por ventura ao menos fosse essa um julgamento emitido por uma pessoa desconhecida, numa platéia de um acaso qualquer, sem dúvida, deglutiria a sujeirinha como uma genuína Arno 1976 e seguiria a minha vida em frente, como se nenhum sopro de vento houvesse balançado o cabelo; afinal, trocar o filtro e enfrentar a realidade circundante é tão trivial, tão simples. Ainda mais que tudo, tudo ultimamente anda passando tão batido - meu cartão-ponto, as pessoas que atendo, meu olhar artístico meus bom-dias vazios e mentirosos, minhas varridas sem empenho no lar-doce-lar. Contudo, ainda resta uma esperança de humanidade aqui dentro; e que não morre fácil. E nem 'tudo' assim - passa-passará - está se dando direto e reto pra mim. Assim como a linda frase de um caríssimo colega, lá das longínquas terras do Neverland, e que merece, mais uma vez, um lugarzinho bom ao sol: " - me diz, Mariana, o que eram aqueles sionistas que chegaram em Israel, em 1948? Um baaaaando de assassinos!"



Ah, mas essa dita intempestiva dele simplesmente só não desceu, como entalou. Entalou e ainda, pra completar a sua finesse invejável de lord inglês, me deixou de queixo caído e completamente sem chão; astronauta perdida para finalizar a minha parla e fincar a minha bandeira. E essa minha afetação só ocorreu porque eu o considerava uma pessoa chegada, legal, com quem, de certa forma me identificava durante há algum tempo e com quem, inclusive, muito me correspondi trocando idéias, influências em outros idos, e, portanto, jamais esperaria ouvir algo desse gênero, principalmente durante a minha apresentação final, e mais: sabendo ele da minha condição judaica.



Hoje, passadas já algumas semanas do ocorrido, quando lembro da situação, da pessoa dele, enchendo aquela boca pra falar a sua verdade tão ímpar, gesticulando as mãos em ondas explicativas, típicas do professor sabe-tudo - óh, tão interessante nas suas ponderações de sapiência justa, pesquisada e bem lida - o residual do meu sentimento é simplesmente um nojo. Um mar de nojo mais puro da cara, que só de lembrar - sobe uma onda de vômito. Não um qualquer. Um vômito pastoso, como se fosse só de miolo de pão, sem que nenhum líquido houvesse sido juntamente ingerido e que entala e sufoca justamente por não verter da epiglote. Fica ali a pasta grudenta. Colada. Tira até o ar. Ou seja, FAZ MAL MESMO E CHEGA A MATAR UM POUCO.


Talvez, um dia, isso passe; contudo, uma coisa nessa vida é certa: Israel tem a pecha de ser o carrasco da humanidade. A "verdade" midiática escrita pelos jornalistas e historiadores, simplesmente desconhece o que de fato lá aconteceu quando os judeus compraram as terras, por preço dobrado dos palestinos. Não acho que Israel seja santo. Longe disso. Todos merecem críticas e sou da opinião de que o Estado tem muito a repensar sobre suas ações político-externas. Apenas não me furto de assumir de peito aberto que me tapo de asco com gente que bombardeia Israel de maneira agressiva, propositalmente avessa, na onda do mainstream, quando é sabedor de ser eu descendente de uma família de sionistas. E outra: existem maneiras de falar as coisas. Não estou acostumada com pés-na-porta das pessoas consideradas amigas. Então, nesse ínterim de recordação pesabunda, contudo, ainda assim importante de seguir verbalizada, apesar de muito tamanco esmocado aqui dentro antes de decidir se o faria isso ou não, me dou conta de que sim, eu sou sim uma completa idiota, pois não seria um absoluto contrasenso de minha parte esperar mesuras de um rinoceronte travestido? Rinocerontes são imprevisíveis. Aparentemente está tudo zen em sua calmaria cotidiana; mas, de repente, do nada, saem correndo para bater suas cabeças duras em troncos de árvores ou paredes de cimento. Porém, a pergunta que não quer calar é se seria isso para talvez sentirem algum gozo mental esdrúxulo, ou pior, mesmo não querendo ser pessimista - uma tendência suicidal de um ID traidor?
De qualquer maneira, tanto uma, quanto a outra resposta não faz a mínima diferença no que já está feito; desculpas, ou simplesmente buscas de motivos para situações irreversíveis não fazem rewind em leite derramado; contudo, vamos combinar, néam... Freud, provavelmente, questionaria-se, sem custos, e acotovelado em anais sobre natureza do rapaz.


que esperança mais vã a minha.


sexta-feira, julho 16, 2010

se eles pudéssem...

Freud afirmava que as mulheres tinham inveja do pênis; então Nisemblat rebate: se eles pudessem, embarrigariam em nosso lugar.






ele se propôs a fazer a barriga de aluguel. quer experimentar a dor e delícia de carregar a vida no balanço dos passos.

sexta-feira, julho 09, 2010

minha cegonha sem-vergonha!


Estou feliz com todas as felicitações e mimos que surgem de todos os cantos; a última vez em que senti algo parecido foi na formatura; porém, confesso a todos - a ficha não caiu; acho que só cairá no momento de um soc-pow sentido dentro de mim. Nesses últimos dias, encontro-me redondamente mais gorda, sem silueta, a carita diferente - alargada - com maçãs mais proeminentes e o sorrir mais relaxado. Sim, sinto-me feia ao ver minhas fotos, mas desapego, já fiz diversas vezes esse exercício, e, justamente por isso lhes digo - transcender é divino.

O cabelo de leoa balzaka quase e meia está pedindo um corte, aliás, seriam mais poéticas as melenas com uma leveza short cut; as calças, mais do que nunca, pedem cordões ao invés de botões ou zíper; os sapatos, a diminuição urgente dos saltos; os passos, antes ousados no prevalecimento da certeza, agora deixam de o ser. Lentos, tão lentos e calmos - quem diria! esse dia existiria! cortaram relação - deram um tempo, espero que não irrevogável, com a aceleração. A competitividade pelo espaço na calçada, agora, mansa, permite aos outros suas micro-vitórias. Só agora eu sei - as grávidas sabem perder ganhando. Ai que sono. Muuuito sono. Portanto, não falem muito – monólogos alheios, adeus por ora. Fastio por fastio, então não dê um piu.


Doutrinação mental da maestra nisemblat da goela pra não vomitar constantemente. Porque haja vontade mais perturbadora! E sim! os desejos não são meros caprichos míticos como eu pensava ser para chamar a atenção – eles são reais! Emerge uma vontade de sentir os sabores inusuais – aqueles que sempre passaram batidos, bem longe do palato, e A Hora da delícia é comer o que nunca foi dado bola.

Receber um carinho na barriga, ah, verdadeiro cafuné triplicado de sensação máxima - e isso me faz lembrar direitinho, sempre que alguém me dizia estar grávida, eu ficava com vontade de passar a mão na barriga da mãe pra sentir aquele ventre redondo, duro, desafiador! encaixar na palma da mão (como pode né? mãe sempre rima com mão?!), mas ficava com vergonha. Portanto, hoje, compartilho algo simples; todavia, de grande descoberta pros que não sabem ainda: não tenham medo de fazer carinho na barriga de uma grávida. É muito, muito reconfortante, a mumy sente-se menos repelida e com sensação de bem-querer! Ah, sobre o sexo? Bah, é. Aquilo é tudo verdade...

segunda-feira, junho 28, 2010

pedido urgente



amigos que sei que lêem o meu blog, estou reorganizando minha biblioteca e dei por conta de que estão faltando vários livros meus; portanto, peço aqueles que por ventura tenham algum, algdois, algtrês exemplares meus - me enviem, ou passem aqui, ou, se não tiverem na pilha da visita, na casa da minha mãe com o regalito... não tenho tido muitos caprichos ultimamente, estou abrindo mão de muita coisa, mas gostaria de tê-los de volta. sabe como é que é... muitos deles são raros e não se encontram mais... fazem falta por aqui; afinal, são insubstituíveis na minha licenciosidade desapegada pela confiança, graças a deus. mas sim, deixaram um buraco na estante - suportável - claro; apenas por mais de um ano... mas agora meu coração anda saudoso e mais apertado do que nunca.
desde já, agradeço a lembrança na agenda e partilha enriquecedora que se deu.

quarta-feira, junho 23, 2010

culpado Minuano

confissão ao Rauber, em uma noite de densa neblina, quando sequer uma viva voz na rua foi ouvida desde as sete horas da noite.


hei! o que é esse frio? mordaça forçada pra deixar qualquer um excessivamente silencioso de si, distante há léguas de sua felicidade existencial e de sua tímida glória matinal que insiste em despertar mesmo abaixo de quatro graus! afinal, a beleza existe nos cristais do alvorecer.


ontem, sofri um dos piores dias da minha vida, sentindo uma opressão que vinha de um não-sei-onde, logo eu! tri cara limpa da vida, comendo grãos, lendo coisas sãs, fazendo o bem e não saindo da linha (seria talvez por isso a gênese oculta do tal motivo?); mas, como uma boa escorpionina, tratei logo (eu preciso tratar logo, senão a vida me engole) de tirar da manga um mecanismo de defesa das teorias psico quetais - hoje, trancafiei o quarto, deixei uma fina fresta mão-de-vaca pra lagartixa passar e liguei a estufa - foda-se a conta! agora quero conforto. o mínimo dos mínimos depois da descoberta do fogo, eu posso me dar, né? coloquei umas polainas do tempo em que fui cossaca, fiz um milho verde derretendo uma manteiguinha com sal por cima, e pronto - encarei de frente a nuvem. e, nesse ínterim de enumerações reveladoras e um tanto triviais, chego à fatal conclusão de que o meu problema... o meu problema é não saber lidar com essa frase bonita de se dizer e que, inclusive, pode-se até encher a boca articulando um blasé entendido - como bem sabem fazer esses guris que pensam tocar alguma guitarra distorcida que o valha - meu bloqueio sensaborrão adstringente é não saber lidar com a 'Estética do Frio', de vitor ramil. nada de milongas. foi-se o tempo. foi-se o tempo em que achei legal assoprar vaporzinho pela boca enquanto "bacana" era estar elegante com mil voltas transidas de lã grossa no pescoço, besuntada de manteiga de cacau e louca de preguiça de encarar o banho.


não quero, contudo, desprezar a magia que o outono tem, não! isso jamais; isso seria ir contra o voo das folhas, seus matizes em guerra no penduro, seu estrelar no chão gramado e todo o charme mais que há em colocar um casaco sobre os ombros; todavia, o frio já não me cai bem, assim como uma moça-velha que finalmente se dá conta que não adianta colocar mais a sua provocante minissaia e ficar na porteira para atrair olhares pidões... passou o tempo da admiração acotovelada.
enfim, faço então no meu íntimo, simpatias, os rogos sinceros para que o sol - essa grandeza de tão inominável divindade - gire. gire mais depressa, os revoluteios celestes tomem redbull locos de faceiros e a massa polar se vá, de uma vez, de ré! ao Andes e ao seu fiel escudeiro - Pacífico devorador de almas bravias.

sigamos, corage mi compañieros.