sexta-feira, março 20, 2009

olhe

visitantes noturnos, detetives dos ares, amigos queridos ora distantes, se vocês soubéssem... tenho tido tão pouco tempo, e por isso mesmo,- em virtude do espaçamento entre minhas publicações, vejo-me obrigada a confessar em segredo: fracos ventos de inspiração em algumas noites que alguma brisa há, ainda aparecem antes de eu pegar no sono...
e, nesses momentos, entre o torpor e a vigília, essa bendita dança louca de pestanas! me pergunto sonhando - será que um dia, toda aquela vontade de aqui estar a criar esse mundo bom, voltará... (sempre penso assim: "amanhã, eu prometo, vou voltar a sentir aquelas dores de criar, de criar alguma coisa com letras.")
e sei, nem sei se sabendo tanto assim, que um dia, minhas tardes, hoje, ocupadas pela necessidade da sobrevivência, serão floridas como foram e, como de certa forma, ainda o são mesmo que em micro-pólens aqui dentro! e, então, igual aqueles anos de dois mil e seis, dois mil e sete, quando eu sabia mais do que como nunca pintar o sete, sem um tostão furado no bolso, as flores brotarão em mim, enfim, tatuadas.



"olhe nos olhos do cavalo e verás a tristeza do mundo."

Guimarães Rosa

segunda-feira, março 02, 2009

bolinha de gude

voltar a tua casa

é redescobrir toda riqueza

de quando eu nada tinha e tinha tanto

como é bom voltar no tempo...

formidável sabor

hoje secretamente

abrir aquela caixa toda enfeitada

que te dei com chocolates suíços

ver as bolinhas de gude da tua infância

algumas foscas, outras ainda com um breve rutilar

misturadas com os pequenos côcos

que eu catei quando corria pelo pátio da escola

só tu mesma pra guardá-los como tesouro!





então percebi que és eterna menina da Vasco da Gama

a desapegada comunista e filha do meio que sempre, sempre

me alertou:

não deixa que tu´alma seja ervilha diminuta

te expande! jamais deixa tua arte morrer

porque o que resta, minha filha

um dia já não estaremos aqui pra saber o quê

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

bocudo!

depois dos desabafos não sei se o que ele tem é tolice, infantilidade em demasia ou cegueira mesmo. esse meu amigo de infância ainda não aprendeu a diferença entre mentir e omitir...
coisas essas necessárias saber depois lá dos seus vinte e poucos anos, mas enfim, como um bom serafim cabeça-dura, acha o máximo querer ser um jesus amado, padim cícero do capinzal misericordioso, e em vez de ter benção e suspiro da amada, acaba por dançar o créu abaixo de rolo de macarrão. te liga, bico!



isso eu tenho que admitir, sabe. isso eu tenho que admitir: primeiro: a tua faculdade envernizou muito bem a tua mioleira fértil: tu sabe criar boas frases. publicitárias por excelência e em qualquer situação. segundo: o futebol te deu e ainda te dá um bom suporte não somente nessa carcacinha buena, mas no movimento verbal: o esquivo. sabes como ninguém sair pela tangente como um mestre dos mestres; mas o papo, Armandinho, agora é outro, não para enaltecer teu ego cheio de esquemas e é o seguinte: cara, tu falar pra tua namorada os troço, e depois não querer que a guria pire geral e infernize tua vida é querer que exista uma nota de meio dólar, né!?
tu fala tudo, tu fala até a que horas tu peida, e na real das reais mais reais de todas as realezas é que tu sempre foi um baita boca de jacaré e nunca aprendeu noção nenhuma de conveniência. e isso eu falo, honey baby, sentadinha na cadeira da máquina do tempo, em ala cativa na Geral da nossa infância. ô bocudo, tu tropeça é pela boca!

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

protocolo do beijo

aquele dia quando eu passei por ti, tu me deu um beijo protocolar. sim, beijola protocolar que no final foi mais um protocalar.




beijo pra bater o ponto. o ponto de encontro que o tempo bifurcou em duas estradas... each one of us walking in two roads. you are in the one I didn´t take, but it´s close, very close to me. and perhaps, who knows, in the end of path I´ll find yours. and, why not, you´ll find mine...

quando tu passar por esses caminhos do coelho natalino, não esquece que tem pedágio,-tem que deixar um oi, uma estrela do shift número oito, um arroba, pode ser parênteses com segredos em morse dentro, acentos chapéuzinho de vovô, chapéuzinho de chuva pra fazer estampa, pode ser apenas isso, e eu já vou entender que não foi silêncio. que o resto de tudo não foi silêncio.


quinta-feira, janeiro 22, 2009

a trégua (?)


querido tio, mesmo que através dos intervalos do meu silêncio, compactuo contigo o "até quando?".




"com pompas e fanfarras declaradas em Sharm Al-Sheik, uma trégua em mais um capítulo sangrento das relações entre judeus e palestinos.
toneladas de palavras despejadas, toneladas de artefatos bélicos usados, milhares de feridos, mortos, traumatizados…
a máquina bélica e a insanidade humana cobraram seu dízimo até o pagamento da próxima prestação.


quanto tempo vai durar esta ilusão de "trégua"?


voltam à bainha a espada, machete, os arcos e flechas. os estoques bélicos serão renovados e as razões para o próximo round já estão sendo colhidas, deixando a parte qualquer patriotismo local, e então me pergunto: até quando seremos esta bolinha de ping-pong que é jogada de um lado para outro neste jogo em que não temos mais controle nenhum?
será que estamos condenados a uma eterna luta sem fim?
será o desdém, a raiva, o ódio, nosso legado às futuras gerações? "



mario nisemblat
Israel, 19 de janeiro de 2009.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

nos caminhos do tempo


é engraçado essa coisa demasiado urbana de se ser tendo sempre pouco tempo, porque o otimizamos como infalíveis administradores de empresas; e nesse ínterim logístico da ponta do lápis, encontrar, mesmo que em brevíssimos instantes, e literalmente nas esquinas do tempo, as pessoas queridas da nossa vida, percebo como ele realmente existe numa linha histórica, dessas desenhadas com giz em quadro escolar para melhor visualizar sua transição; porém, contudo, muito embora ele atue, implacável, sem ponta de dó sobre nós, pelo menos fica um bônus- a essência boa e genuína que, ao revê-las, lembramos que existia,- como se tudo fosse ontem, ainda morninho, - aquela época marcante, das pessoas lindas e mágicas... e é justamente com esse pensamento que me dou conta: não, elas não foram um passado. são uma presentificação.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

para você



"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,

a que se deu o nome de ano,

foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança

fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dãopara qualquer ser humano se cansar de entregar os pontos.

Ai entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez

com outro número e outra vontade de acreditar

que daqui para adiante vai ser diferente...

Para você,

desejo o sonho realizado,

o amor esperado,

a esperança renovada.

Para você,

desejo todas as cores desta vida,

todas as alegrias que puder sorrir,

todas as músicas que puder emocionar.

Para você, neste ano novo,

desejo que os amigos sejam mais cúmplices,

que sua família esteja mais unida,

que sua vida seja bem mais vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas,

mas nada seria suficiente...

Então, desejo que você tenha muitos desejos,

desejos grandes e que eles possam movê-la à cada minuto,

ao rumo de sua FELICIDADE!"



(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, dezembro 20, 2008

carteira assinada

no fundo, bem no fundo
o sorriso sempre pode existir
de um canto bem esticado a outro
prontinho a cumprimentar orelhas
mas aquele residual de tristeza há!
e é açúcar salgando o café na hora
em que tenho que sair

segunda-feira, dezembro 01, 2008

o menino luminoso


sempre que te vi, prometi
vou fazer uma poesia da criança que tu és
ah menino luminoso
pelas tuas mão o sol levanta
dos cabelos em fios de ouro
pendem pulseiras de sereia
em pólen a pele ilumina o rosto
dos olhos vêm cores da primavera
miraculoso cristal é o sorriso
que vem vibrando em sons de seda
e mediante o mundo grande que te olha
por que, menino luminoso, derramas lágrimas?


teu choro, seiva com pedrinhas
desliza ágatas e esmeraldas
na alegria a agüinha sai azul
e quando no rosto ondula o verde
é a tristeza que transborda...
e para isso fiz barquinhos
para colocar nesse rio tão puro

Ó, menino luminoso

de escondido rosto nas mãozinhas
essa timidez te desnuda!
desarma gladiadores
e embriaga a poesia!

sábado, novembro 29, 2008

dedo cruzado

Eduardo Marques pergunta: E aí Mari! Tudo bem? Como vão os escritos?


Olha, meu amigo Edu, as coisas estão indo naquele crescente mais pro sumindo do poético do que pro indo do patético. Eu, suportando com necessário estoicismo o mundo operacional, binário - passa-passa passará passageiro acolá em todos os momentos, sem o mínimo tempo para aprofundamentos intelectuais, (ai, como isso faz falta) apenas para execuções exitosas no câmbio operante do rádio da companhia. Mas, contudo, sigo com alguns planos em mente - de regressar ao mundo das letras, nada ainda definido com afinco, (só com meu figo ((de dedo cruzado)) preciso que pelo menos o ano encerre, e eu veja os fogos no céu para me decidir de vez...



Confesso, por ora, minha literariedade ou qualquer simples vestígio de verve à escrita foi soterrada. Acimentada. Tapada por completo com camadas e mais camadas espessas pelo excesso de pressão diária e muuuuito trabalho. Sinto que é algo tal qual como uma pessoa que perde a voz, ou um alguém que deixa de ouvir o som, e, no meu caso, eu perdi as palavras - meus ouvidos, minha voz interna. Ou, talvez, tenham elas sumido de mim com minhas orelhas e voz... vá saber... quiçá, o desquite foi tácito e numa boa, de repente um afastamento temporário para o amadurecimento da relação? Afinal, nem sempre, (aliás, quase nunca) as coisas são como realmente desejamos. Que pena, achava que estávamos tão bem, eu e elas, de vento em popa... C´est la vie, mon Chér.



*foto do meu quarto antigo, assim deixado - sem vazio, sem desfalque, na casa da minha mãe. Acho que ela sentiria mais a minha ausência se a parede ficasse sem Eles.

sábado, novembro 15, 2008

da míngua


para uma boa fome, não existe pão mofado.



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terça-feira, novembro 11, 2008

clandestinos

então aquele dia saímos da nossa cidade
deu na telha! e rumo a uma outra desconhecida
descemos num vilarejo colorido
caminhamos alguns passos, e, logo a nossa frente,
um lugar querido, com bancos e jardim
pareceu nos receber com sua alegria amarela...
bom fazer amizade com cachorros dóceis que lá cuidavam



a porta da varanda casa estava aberta
pelo visto, não se importaram nenhum pouco
com o nosso xixi e o escovar de dentes clandestinos;
parecia um sonho a Gabriel Garcia e Marquez estar ali.
só agora que percebi.


sábado, novembro 08, 2008

vertigem

o mundo gira


e tudo pira



contudo não medro
não lato
mas te digo
vomito no ato

sexta-feira, outubro 24, 2008

é assim

No fundo é sempre assim: se há asas desconfie; e, se no rabo houver setas, não se assuste, não se apavore, ou se quer ouse pensar que o mundo conspira contra você.



Simplesmente, é a tal da realidade da existência.

quarta-feira, outubro 01, 2008

I´m your mirror

...la-ra-li-la-lá...
todavia, na via, assovia a cotovia, talvez, feliz porque chovia...
baby - presta atenção - assim como tu, também tomo vacina pra ter casca de pedra, mesmo que alfajores eu tenha por recheio.





se acaso tu mudas, criança, eu mudo também. acompanho teus passos, e, sem nexo, sou o teu reflexo no espelho convexo ' do nunca nada a perder'; simplesmente, porque o teu jogo será o meu também. e assim, sob uma necessária dureza disfarçada, sigo jogando as cartadas da vida de quem nem sempre pode escolher os naipes.

quinta-feira, setembro 25, 2008

O Mundo Mágico da Voz


Hoje estava com saudades e queria saber da voz. Da tua voz. Aliás, sempre achei que a voz diz tudo. Ah, e as palavras também; e, acho, inclusive, que dizem até bem mais. Todavia, um fato é certo: o que a voz diz, as letras desenham em sua mudez. E o que as letras dizem, a voz não atinge em sua rapidez.

domingo, setembro 14, 2008

na caixa dos prazeres


tua presença espectral
agora flutua...



mas te prefiro de pijama de
pelúcia e eu contigo toda nua ...

sábado, setembro 13, 2008

nada morrerá



de repente a gente se viu
trocamos olhares cúmplices
e por algumas vezes nos acenamos
que encontro!
foi tão bom te ver daquele jeito
através do vidro enorme
tu estava no outro lado da rua
enquanto eu me distanciava em retilínio afastamento
na poltrona virada em direção contrária
aquela que ninguém gosta de sentar porque dá tontura...
dentro do ônibus eu fui me indo
e mesmo querendo te acenar mais
travei, talvez envergonhada
de parecer mongolona
e à medida em que ele acelerava pra longe
ao contrário da lógica
eu fui te vendo tão perto
e ali naquele instante imaginei nosso adeus
seria assim dia de nossa despedida?
sei que não devemos pensar ou falar nessas coisas
mas pensei que daquela forma seria lindo
porque nosso encontro na rua parecia um sonho
desses que quando se acorda, lamenta-se o abrir dos olhos
e no teu aceno
descobri que a nossa cuplicidade
nasceu justamente
porque de ti nasci
e estou aqui pra te continuar

quarta-feira, setembro 10, 2008

unidos venceremos!

decidiram virar trevos


os corações solitários

domingo, setembro 07, 2008

o design do poste



diferentemente do cachorro


é o que a pomba mais ama
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segunda-feira, setembro 01, 2008

não deu pra ficar

Mãe,





ontem, depois que tu me deste boa-noite, a noite foi caindo densa e uma angústia forte foi surgindo, aumentando cada vez mais; e, para o meu desconforto, ficar naquele quarto se tornou um estado de tamanho estranhamento num crescente à galope; se eu te contar que voltar a conviver com os fantasmas que há muito haviam sumido... e que jurava por tudo: haviam migrado para outros quartos, de outras pessoas, bem longe dali, mas de repente eles apareceram, sorrateiros, e ficaram flutuando em minha volta. Não adiantava se quer fingir ignorar. eles estavam ali.
ver as minhas coisas intactas, os livros intocáveis, exatamente na fileira da leitura aguardada daquela época das Letras lá pela metade do curso, os sapatos dos passos de antes que iam a lugares inconfessos, as calças velhas de dormir que moldavam o meu outro corpo esguio, dobradas, quase do jeito que as tinha deixado quando eu era diferente, sim, quando eu era outra pessoa, acho que uma outra Mariana; sentir as coisas que eu sentia há mais de três anos atrás, os anseios, os medos, o afã pela liberdade nas noites no Bonfim, ou por alguma troca urgente di´algum eflúvio intelectual que ao menos me tricotasse o cérebro... e não deu. ficou quase insuportável ficar ali, não agüentei.
Me senti não apenas sozinha, mas com aquela sensação de pele arrancada pegando vento-norte que tu sabes bem como é, e, sinto, minha mãe, que redescobri a custa de sufocamento - que novidade - o preço de se ter a verve literária, que, se não colocada pra fora através do lirismo planejado, ou do soneto rimado, brota como o fungo no vácuo, nas frieiras pra ganhar vida e existir de alguma forma.
Se ao menos tu estivesses acordada, acho que seria bom, muito bom mesmo te ter por ali, te ver nebulosa, mas dentro da minha visão periférica.
Quando tomei a decisão, já estavas longe, (contudo não fui insensível em simplesmente sair dali, inclusive, acho que nunca fui insensível em toda minha vida, por mais que tenha alardeado, convicta, ser de ferro e fingir ser forte sangrando talhada por dentro depois de comer merda quando da separação daquele amor nefando) dei um boa noite do meu jeito, fui no teu quarto e que acalento meigo pro meu delírio, vi duas xipófogazinhas ali, iluminadas pela luz pardacenta do corredor, e senti a minha gata ronronante tão leve, agora tão tua, dormitando em cima de ti - quase uma pluminha, uma pena cinzenta como a extensão do teu corpo; e então lembrei da história do Homem do Algodão Doce que tinha acabado de parir.
Ah, mulher de Deus, não é fácil ter em si radares para espectros e ser assim - uma alma em carne-viva.
Sorry, não deu pra ficar e... acho, porque, no fundo, sei, se acaso ficasse, eu me tornaria um deles.

sábado, agosto 30, 2008

sexta-feira, agosto 22, 2008

comanders



It´s not enought to be good.



It´s necessary to be the best.

sábado, agosto 16, 2008

sião

o coração no oriente




eu, ainda no ocidente.

segunda-feira, julho 28, 2008

pequena história sem fim algum

interlocutor imbécil: - mariana, mostre-me sua concepção arrojada de minimalismo.
mn, a mártir do design: - " _ _ "
interlocutor imbécil: - me desculpa, mas isso é um grande tédio.
mn, a mártir do design: -sim, muito bem. são meus olhos, agora mesmo, mostrando-o para ti.

quarta-feira, julho 23, 2008

o céu enviou um anjo....




O Céu não o quis por lá e... vejam só! enviou para mim.
Ah, oras bolas... no momento, não posso ficar com ele; por isso, concedo a ti, que me lê, que me crê e nunca nega uma batatinha dorê.

sexta-feira, julho 11, 2008

o tarado persistente



ahhhhhh
depois do teu não
sempre vem um sim
bem bão.

sexta-feira, junho 27, 2008

de repente o outono finda
nem sabia que ele havia chegado

o maior dos mestres das armadilhas

é o continuum dos dias

nas pessoas máquinas

quinta-feira, junho 05, 2008

adeus lirismo!

aqui nada é para ser entendido. apenas para ser sentido, neste instante e nunca movido daqui adiante.
tudo o mais é segredo. senão não tem graça. a mínima graça.



durante algum tempo eu tentei. tentei me iludir. e de alguma forma resistir. contudo, sei eu. toda poesia foi perdida. toda a literatura ficou contida num passado que passou. e agora(?), nesse presente(?) pelo visto, de virtuosismo, somente resta a imagem que está retida. (gostou do rosa na tua retina?) sim, estou completamente perdida. nas idas. nas vindas. nas remotas. apenas entendo de rimas fáceis, fazer supermercado, assistir pelotas, cumprimentar bom dia, boa tarde di modi bonito e iludida bater o cartão-ponto pra ser boa moça que não sou. (quiçá um dia?)
logo eu! logo eu! que destestava falar do eu, do breu, da alegria ou da coisa escura que aconteceu justamente porque era mais fácil?!?
recorro às runas, às rezas, às benzedeiras da Lagoa, mas quem resolve mesmo os meus descompassos é Caio.
Caio Fernando Abreu!
(já imaginou se ele soubésse?)

...

domingo, junho 01, 2008

quinta-feira, maio 22, 2008

primeiro amor

meu primeiro amor
começou no jardim
nos domingos de manhã
ele me levava café
e dizia que gostava de mim
eu nunca sabia o que dizer
olhava pro lado
fazia cara feia
que tola!
como se fosse do mingau de aveia
mastigava então
para em vão
disfarçar as batidas acelaradas do coração


segunda-feira, maio 12, 2008

diarinho da loca

É bom encontrar fragmentos dos meus diários perdidos no pc. Na época acadêmica, costumava registrar meus estados de espírito, talvez, porque lá no fundo sabia que um dia iria querer reler pra voltar no tempo e ficar cara-a-cara com os estados de espírito que eu jamais supunha viver naqueles anos em que eu contava pauzinho de presidiária pra sair da faculdade.
Hoje, vivendo uma outra etapa de vida, num outro planeta que mais parece um saco de bala sortida, percebo, através desse pequeno textículo que segue abaixo como é possível voltar no tempo e reencontrar aquele ser outro que habitava em mim, num pacote de pão dureza - histérico, perdido, doido, encolerizado em virtude dos eternos prazos, prazos, prazos que ninguém deste planeta está livre de pensar que...

essa tal de disciplina inventada...

ruim com ela.
pior sem ela.

estupendo! com ê-la. com requeijão.


eu simplesmente pareço um cadáver. branca. um fantasma. chorando, digitando, saindo de órbita, as escleróticas vazadas, derramadas sobre o que a anatomia denomina "seios da face"; e, no meu reles caso, uma não-cara fatalmente já descarada. e então, em meio a esse delírio absurdo da emboletada aqui, eu me pergunto; eu te pergunto: - colocarei o nariz para fora dessa horrorenda caixa edificante em que esse corpo habita nesses dias que vão e que vêm por aí?



Porto Alegre, dezembro de 2007

domingo, maio 04, 2008

o 8 x 1 (nem em circo isso acontece!)

lavar alma tem um sabor inexplicável.
e hoje foi um dia desses, mui digníssimo pra marcar a história do vivente cioso de alguma glória.
Internacional, meu rubro à galope num 8 x 1 inesquecível contra o Juventude.
desencantou! desencantou a praga!
eu gosto quando o espírito se apodera do corpo e vira um gigante de dentes pontudos, bem feioso bicho, de crispada cara esfaimada porque sedenta de vitória por bem ou por mal.
e, quando em campo bem orquestra a sinfonia dos chutes à vitória, mas que história faço eu a gargalhar sem se importar com a bruxona que salta de mim; ela vem da vila e ninguém pode. pois ela só phode!

agora o que vale é se sentir bem.
de alma lavada. e, mais uma vez, colorada cara corada.

well, por hora, a camisa suada me faz querer descansar e achar engraçado o jeito dessa gremista aí de baixo:



créu-créu-créu-créu-creu-créu-créu-créu...

segunda-feira, abril 28, 2008

a casa da minha infância




a casa da minha infância
há muito tida distante
apareceu de repente num sonho
depois de tanto tempo!
tudo em volta tão verdejante
como os jardins primaveris depois da chuva
havia flores amarelas em gavinhas no portão
despontando vivas num quente clarão

hoje ao encontrar o que pensava perdido
quando na verdade era escondido
foi como encontrar um velho tesouro
flutuante da remota lembrança
me permitiu emareamento por mares
que à memória trouxeram
o meu navegar da crença
de ser dona do mundo
sem precisar uma dourada moeda
porque bastava ter idéias!


descer num trote a lomba do terreno
e deixar as pernas levar a algum fim de linha
alguma cerca que findasse o rumo
sentir o bafio dos cachorrinhos nascidos
azedo leite em suas bocarritas esfaimadas
os altissonantes cocorecos das poedeiras
chamando o galo valente


e lembrei que sem querer
eu era uma boa criança malvada
ao esmagar minhocas para fazer mais barro pro João de Barro
e jogar pras tartarugas musgos roubados da vizinha
ah, isso valia mais que todas as mais-valias
porque era uma alma parva
a carregar livre corpo infante


a casa da minha infância
é a mãe da mãe da mãe de todas as minhas riquezas!


eu. no mundo. hoje.


domingo, abril 13, 2008

um dia a menos para o nunca mais



como pode o tempo passar assim entre nossas vidas?
sim, o tempo, essa batida inaudível, nunca percebido único e valioso a cada momento em que não se escuta nunca o seu badalar nos tantos relógios no mundo...

enquanto os tantos trens partem, ou enquanto chegam na estação da vida, cabeças meneam, melenas voam, crianças nascem, pássaros cantam, nossa única constância é não perceber que a vida não se tem toda por viver!


o futuro não é lá adiante, todo distante!
o futuro, esquecimento nosso da hora, é agora!

morremos todos os dias um pouco
e a morte
sem Deus nem lei,
não chega em sentença aguardada

vem ela a cada nascer do sol


não se trata, meus caros, de pessismismo aviltante
trata-se, sim, saber viver instante a instante



segunda-feira, março 31, 2008

cheers!

nas cartadas da vida
todo momento é jogo
apenas só não esqueça
antes de levantar da mesa
bata a canastra

com um olhar de burguesa
e se acaso jogar a gorjeta
peça com gentileza algum troco
lânguido murmúrio
de cabeça
ou script decorado de tarjeta:

"-garçon, me congela a ampulheta
traga deuses com uísque ao meu favor
porém on the rock
até no quebrante da margem dos sonhos

onde ondas de champagne não parem de espumar..."


cheers!
eternal youth!



hic. hic. hic.

quinta-feira, março 20, 2008

ave, a inexata verdade! ave!

Naquele mesmo esquema de refutação a que tanto amo... aproveito o ensejo repentino para puxar uma carta antiga da manga, apenas para contrariar a pureza das emoções tão lindas...
(sim, eu sou uma diaba. Porém, uma uma boua diaboloua!)



Um dia um amigo meu me disse assim:
"-A mentira é um modo dificil de se levar a vida, pois se você se esquecer dela, pode magoar a si mesmo e a quem você ama."
Porém, ao meu ver escorpionino, aquele... de viés contrário e já um tanto conspurcado para não dizer envenenado, digo:
a mentira é um modo difícil, no entanto necessário. E, por mais que alguns o neguem, e outros tantos negaceiem, é justamente ela, a inexatidão da sinceridade que pode salvar....


quarta-feira, março 12, 2008

ãh?

Diva Minuzzo e Divã Nisemblat no afã da questã nada vã...



pois observo que o fumo senão impede, seca as lágrimas no aguardo e ao mesmo tempo leva ao cérebro uma espécie de nevoeiro salutar...
porém, mui bafudos deixa os bobalhões nicotizados ao simples trago do cilindro.

segunda-feira, março 03, 2008

silêncio, meu sinal sutil

um dia um amigo escreveu uma frase assim:

"antes falar as coisas do que sofrer por elas não serem ditas."

e como adoro refutar, porque acredito na relatividade de tudo, parafraseio ao meu modo escorpinino de viés contrário:

"antes prolongar ao máximo o não-falar e não sofrer por ter não dito, do que falar, falar e sofrer mais ainda por ter falado.

domingo, fevereiro 24, 2008

a agiota


Por esses dias estava fazendo uma retrospectiva de toda a etapa de celebrações após o tão aguardado desfecho acadêmico, e cheguei à uma drástica conclusão:
todos os recordes alcólicos na minha décima terceira casa decimal foram batidos; e a verdade mais destilada é que nunca o CH3 CH2OH foi tão pontual e transgressor no meu sangue.

Então a Loucura, "essa dança das idéias", como dizia o bruxo Machado, resolveu dar a cara não-rara por aqui e apareceu toda Ela no poder, travestida de uma convincente viajora Yank, - de colarinho na espuma, fazendo milhas e milhas na ponte aérea das hemácias.

Mas não pensem vocês que, nesses dias, o sua entrada na sala de embarque se dava de imediato.



nãããã, passava por vários raios-x, e, rasteira, como quem não queria nada com nada, ia se chegando, mansinha, ultrapassando saguão por saguão do helicorpo, e, uma vez instada a apresentar o passaporte, respondeu num pronto: "estou só de passagem, apenas avaliando as condições do mercado como um todo...mas nada muito específico, não.


Contudo, a dona bendita, boa de negócio, mas mui fraca das pernas, nesta noite, resolveu pedir cadeira logo no meu Gate, então, de pronto, e sem hesitação nenhuma, mandei logo que sentasse, oras. Mas abusada era ela, e não é que a preclara resolveu se enraizar sentada mesmo?
Que baita louca essa loucura!
E, ali, no fofo da minha sala de viagem, curtindo a sua inércia, a Loucura foi tomando um corpo, um corpo cada vez maior, agigantando-se num trote de mula, devagar, mas sempre ao norte do delírio...




Entrementes a isso, vários espíritos do Japão iam atravessando continentes com conexão direta p´ruma grande missão:
nos fazer completas japas, mesmo que de ocidental não tivéssemos nada; apenas os olhos de feixo-eclér.



Todavia e como sempre, tudo o que é bom tem um curto-prazo pra lá de diminuto com um gosto ferrado de quero mais, então o alarido de toda aquela festança foi diminuindo, diminuindo, todas as danças de tropeços foram escasseando sem que eu se quer sentisse algum esvaziamento, até que tudo em volta parou de acontecer. "1-2-3 estátua!"
E curioso foi que o desfecho não foi finalizado com pompas ou aquelas despedidas convencionais de estalos de beijos que se perdem pelos ares. Às seis e pouco da manhã, com a luz entrando como uma espada em riste na sala, fustigando os meus olhos como um castigo de lâmina que quer ceifar ou ceifar, eu acordei.
pobre refén.
A sacada completamente escancarada, convidando à escalada qualquer bom aventureiro que a desafios se prestasse na calada. E, de chofre, a mágica que não se explica aconteceu - a cristaleira havia se mudado para a mesa de centro da sala:



E eu, ali, em borboleteios de olhos arenosos, um feto torto resisitindo a dormitar sobre o inóspito sofá, na vã crença que o buraco iria melhorar; e a Fárida, lânguida, uma anêmona desmaiada no mar, no outro, pior ainda, fétido a la mijô de gatô.
O antigo candelabro enegrecido, oxidado pelas últimas réstias de brasa de um pavil umbandístico que até hoje não descolou. Belo feito o estrago da peça. Pelo visto, as velas bruxulearam até o último sumo da parafina. Ainda bem que os donos não existem mais para reclamar o descuido.
Puxa vida, que digníssimo encerramento! (agora que me dei conta) a gente nem se deu boa noite. Simplesmente desligamos como um gerador que chega ao seu limite máximo de funcionamento e pára; pifa sem mais nenhuma energia que reste.

Ah, mas nada é de graça nessa vida cheia de graça....
a paga pela estrapolação foi o day after a pontuar um arrasto de chinelas e um pipocar de bolinhas transparentes a estourar em volta da cabeça arrependida pelo falta de freios seguido do questionar lamuriento de "ó vida, ó céus, por que, por que, por que, hein?"

é...
é nessas horas que a gente se dá conta de que, para os que não têm arreios, a doidêra é baita agiota.
Sempre cobra altos juros.
E, pode crer, quando ele é alto e avalentoado na mora, aí sim que é chegada a hora.
A hora de se despedir e ainda pedir pra Loucura dar um tempo e ir de ré embora.




diário mui secreto e pós-ressaca; essa, considerada a última antes de entrar pro sistema.
Porto Alegre, 25 de janeiro de 2008.